O Seu Passado (II)
'Abhi naquele dia, era domingo. Eu estava a brincar no nosso jardim. De repente, ouvi um som de arma. Fiquei com medo e sentei-me na relva a tapar os ouvidos. Mas, a seguir a isto, veio outro som. Era o grito da minha mãe. Foi de partir o coração para mim. Corri para dentro da minha casa, mas parei em frente à porta. Havia 10 a 15 pessoas vestidas de preto e havia uma pessoa que estava a acariciar a bochecha da minha mãe e depois tirou um papel e carimbou o dedo da minha mãe nele. Agora acho que ele tirou a impressão digital da minha mãe. Esqueci-me de respirar. Escondi-me atrás do pilar. Escondi-me atrás do pilar como uma cobarde, eu sou uma cobarde..'
'Não, Mira, não, não és. Tinhas apenas 5 anos, uma mera miúda.' Ele cerrou as mandíbulas. Sentiu vontade de atear fogo a este mundo inteiro.
'Assim que eles saíram, corri para a minha mãe. Ela ainda estava a respirar e... a kurti dela estava ensanguentada. O sangue dela... Eu toquei nas bochechas dela. As minhas lágrimas não paravam. Ela levantou lentamente a cabeça e disse "Corre, Mira, corre".'
Eu abanei a cabeça em sinal de não. "Não, Mãe. Eu não te vou deixar." Eu abracei-a com força. A Mãe disse com muita dor, agarrando o estômago 'Corre, beb... é . Prom.ete-me q..ue vais s..er mais forte, mais.. forte do que eu, tu.. vais cumprir os meus so..nhos. Mãe.. ama-te... muito.'
Essa foi a última vez que a ouvi. A voz angelical dela. Sacudi o corpo dela enquanto chorava, não sei por quantas horas. '
Abhay não sabia o que fazer. Ele acariciou suavemente o cabelo dela e beijou a testa dela.
'Tu és mesmo forte, Baby. Tenho orgulho em ti, Baby.'
'Não sei quando me levantei e corri. Corri até chegar ao lugar mais cheio de gente de Banaras. Depois fiquei cansada. Nem sei há quantas horas estava sentada lá até conhecer Chotodadabhai. Ele é o meu anjo.'
'Ok, então é por isso que o meu querido cunhado está sempre pronto para partir-me o nariz.' Abhay murmurou, mas Mira ouviu.
Ela riu-se suavemente, derretendo o coração dele. Embora os olhos dela estivessem molhados, ela sentia consolo nos braços dele.
Abhay pegou nas mãos dela e beijou-as. 'Mira, eu sei que não estava contigo naquela altura. Mas prometo-te que estarei ao teu lado no melhor e no pior. E prometo-te que vou encontrar a pessoa que matou a tua mãe e o resto será tratado.'
Mira sabia que 'cuidar' é algo doloroso.
'Não me lembro da cara dele. Só sei que tinha um desenho na mão esquerda, um Escorpião.'
Escorpião?! De repente, Abhi lembrou-se de algo, mas afastou-se, sabendo que não era possível.
'Não te preocupes, vou encontrá-lo do centro da terra. Mas antes disso, temos de voltar à tua terra natal.'
'Lembro-me da minha casa, da minha casa em Banaras.' Ela disse sonhadoramente.
'Vamos lá em breve. Mas Mira, Baby, como é que te lembraste de tudo? Quero dizer, disseste que te abriste depois de 10 anos.'
'Abhi eu... eu costumava ficar doente nos meus primeiros dias em Calcutá. Eu costumava sentir sempre falta da minha Mãe. Mas a Mamã e o Papá estavam sempre comigo. Todos eles me apoiaram. E Chotodadbhai e Borodadabhai eram os meus escudos. Mesmo agora, eles são. Depois daquele dia, nunca mais fiquei sozinha. Não sei por que sentia sempre paz, felicidade com eles. Senti-me ligada a eles. Eles nunca me perguntaram sobre o meu passado. Mas, mas um dia, eu estava dentro da cozinha com Sona ma. Ela deu-me o novo doce dela. Eu não podia entrar na cozinha até aos 18 anos. Então peguei no prato e fui para a sala de jantar. Não havia ninguém. Eu estava a ver televisão, mas de repente, ao mudar o canal da televisão, vi uma rapariga... deitada no chão... coberta de sangue e... uma rapariga sentada perto dela. Tal como eu e eu não aguentei, gritei "MÃE!!!!!!!!!!!!