Capítulo 14
Eu sei que não tenho opção.
Visão da Quinn:
Quando estávamos na cantina, vi a Sheila lá também, sentada sozinha. Eu queria pedir para ela se juntar a nós, mas o Harry não curtiu a ideia.
Ele não se acostumou a sair com gente nova depois daquele incidente, mas ignorei a bronca dele e dei um passo à frente para chamá-la, mas ele ficou parado ali, pronto para ir embora. Não faço ideia do que fazer, então desisti.
O comportamento dele mudou um pouco desde a nossa chegada na Índia. Ele sempre mostra aquela expressão fria na cara e não se abre para ninguém. Às vezes, ele evita a nossa companhia também. Ele é uma pessoa esquentada e a situação não está ajudando.
Ainda não faz tanto tempo, eu vi o Karl parado do lado dela. Ele colocou a mão na garganta dela. Chega, não aguento mais, então fui ajudá-la, mas ela me ignorou, tipo, igualzinho o que eu tinha feito antes.
Karma é uma jumenta...
Me senti super culpada por isso. Ela me odeia pelo meu comportamento. Eu sei que a culpa é toda minha. Eu agi como uma criança. Primeiro, dei esperanças para ela, e agora quebrei tudo em pedaços, e agora ela está lustrando os sapatos dele na frente de todo mundo. É tão humilhante e eu consigo sentir a dor dela.
Ele foi longe demais.
Pobre garota! Soltei um suspiro longo antes de virar os calcanhares para ir embora. Tenho que dar uma lição nele.
Eu briguei com o Harry por causa do comportamento dele. Se ele não tivesse mostrado essa atitude, ela não teria sido humilhada na frente de todo mundo.
"Você pode parar de me dar sermão, por favor?" ele gritou. "Se você realmente quiser ser amiga dela, então vá em frente. Não tenho problema nenhum. Mas por favor, não me convide." Então, ele pegou a chave do carro e entrou no carro.
Ai, Deus!! Esse garoto!!
Eu esfreguei a têmpora para acalmar meus nervos. Amanhã vou consertar as coisas entre nós. Sei que ela é uma garota gentil e vai entender.
Na manhã seguinte, vi a Sheila indo em direção à entrada. Me preparei e fiquei lá, meio sem jeito, para encontrar um motivo para falar com ela.
Quando o olhar dela pousou em mim, ela virou os calcanhares para ir embora, mas eu agarrei a mão dela e a parei. "Me desculpa." Murmurei.
Ela olhou para mim incrédula. Bem... O que eu posso esperar dela?
"Pelo quê?" Ela perguntou, a voz com um pouco de angústia.
"Pelo meu comportamento." Olhei para o chão, me sentindo envergonhada. "Sinto muito mesmo, Sheila. Não foi minha intenção te machucar. Tenho algumas razões válidas, por isso..." Desviei o assunto.
"Tudo bem. Não somos tão próximas. Então, sem formalidades. Não precisa dizer nada e, se você tiver uma razão válida, guarde para você." Com isso, ela foi embora.
Eu mereço isso.
*
Visão da Sheila:
Não sei o que dizer, então saí do lugar. Se ela tem um motivo para me ignorar, então que siga em frente, não vou impedi-la.
Não acho que amizade tenha regras e meu coração não é feito de pedra. Não sou um brinquedo engraçado para usar quando quiserem. Ele nunca vai me deixar, então é melhor obedecê-lo.
Depois da conversa com a Quinn, fui para a minha aula. Daqui em diante, não quero nenhum encontro com ela. Meus exames estão chegando e tenho que estudar muito. Meu foco deve ser nos meus estudos, não em ninguém.
Espera! Eu mencionei meus exames? Ai, Deus!! Como eu esqueci?
Instantaneamente, acelerei a minha caminhada antes de correr em direção ao laboratório. Hoje tenho uma prova prática. Merda! Como no mundo eu esqueci o meu exame, assim, fácil?
Não é da minha natureza.
Ahhh! Estou frustrada. Antes que eu pudesse ter a chance de abrir a porta do meu laboratório, ela abriu automaticamente e eu escorreguei no chão com a cara.
De novo, quebrei o braço para proteger o rosto. Graças a Deus! Foi só uma força menor. Mas por que diabos os problemas estão me seguindo em todo lugar?
Olhei para cima e vi que havia outra pessoa parada com uma expressão vazia. Quem é ele? Franzi a testa. Espera... Eu o conhecia. Ele é o primo da Quinn -- aquele que sempre tem uma expressão de 'Urr' na cara.
Genial! Agora tenho que lidar com ele.
"Essa é a segunda vez que você quebra meu braço. Você faz ideia?" Perguntei, colocando a mão esquerda no quadril.
Ele levantou as sobrancelhas, "Não parece ser isso." E seus olhos caíram na minha mão esquerda. "E não foi culpa minha", afirmou friamente.
Ai, Deus! Esse cara tem algum sentimento?
"Então, e o acidente de carro? Também foi culpa minha?" Balancei as sobrancelhas.
"Hmm... provavelmente." Ele deu de ombros. "Não foi um acidente, apenas um erro. Quem mandou você atravessar a rua às cegas quando o carro estava chegando?" ele questionou, quase culpando.
A audácia desse cara?!
Ele balançou a cabeça enquanto murmurava algo baixo, que eu não consegui ouvir e não acho que tenha sido coerente de ouvir antes que ele fosse embora. Ahhhh... Eu realmente odeio ele. Ele deveria estar na minha segunda lista de odiados.
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"Hmm..." Soltei um suspiro de alívio assim que o exame acabou. Felizmente, cheguei ao laboratório a tempo. Tenho que encarar mais duas horas, então vou para o meu quarto.
Fui para o parquinho, já que era uma hora livre. Sentei lá e observei os alunos brincando por aí. Eu queria brincar, mas ninguém ousou me acompanhar.
Na época, quando estava presa na minha cidade natal, eu costumava organizar todos os tipos de jogos sem barreiras de idade. Eu fazia equipes com vovós de noventa anos até crianças de cinco anos. Alguns dos jogos ainda são meus favoritos.