Capítulo 64
A gente tava feliz, né? E de novo a gente tava no carro e eu notei que o carro estranho tava seguindo a gente. Senti que a história tava se repetindo e fechei meus olhos com força.
Nãoooo...
Eu não consegui proteger ela. As lágrimas desceram pelas minhas bochechas, ela me fez vivo e agora ela se foi.
Se ela tivesse viva, ela ia estar comigo, mas não tem sinal dela e eles não mencionaram nada sobre ela. Eu falhei em salvar a vida dela. Ela tava morta.
\ Já faziam dois dias, mas eu não tinha coragem de perguntar sobre ela pra ninguém, com medo de ouvir notícias ruins dela. Eu tava fingindo que não lembrava de nada, mas meu coração tava doendo de pensar que eu perdi a pessoa que eu amava.
Eu não consigo aceitar o fato de que ela não tá mais na minha vida. Ela se foi.
Enquanto eu tava nessa bad, eu senti alguém girando a maçaneta da porta e a raiva subiu no meu corpo. Eu gritei pra quem tava do outro lado, mas congelei quando eu vi ela.
Lá estava a minha garota. Eu não podia acreditar nos meus próprios olhos! Ela tá viva!!! Ela tá aqui pra mim!! Ela murmurou alguma coisa, mas eu não ouvi direito o que ela disse.
Eu corri pra ela e abracei ela nos meus braços, com medo de que ela desaparecesse. "Ah, Deus! Sheila. Onde você tava?" Eu olhei pros olhos castanhos dela que estavam olhando diretamente pra mim. Sem perder mais um segundo, eu encostei meus lábios nos dela, curtindo os lábios quentes dela contra os meus, o que tava suavizando todo o meu sistema nervoso.
Graças a Deus!! Ela tá viva.
*
POV da Sheila:
Ele pegou meu rosto com as mãos e enxugou minhas lágrimas que estavam descendo pelas minhas bochechas como uma queda de anjo. Ele encostou a testa na minha, a respiração dele acariciou minhas bochechas com carinho. "Eu achei que tinha te perdido." Ele sussurrou.
"Mas eu ainda tô viva pra você." Eu sorri pra ele.
Ele soltou uma risadinha e beijou meus lábios. "Você precisa estar, senão eu ia caçar o mundo inteiro." A expressão dele mudou pra séria quando ele falou aquelas palavras, porque ele tava falando sério.
"Harry!"
"Hmm?--"
"Você recuperou a memória", eu falei enquanto a animação tomava conta de todo o meu corpo.
Ele olhou pra mim e beijou meus lábios mais uma vez. "Sim, eu recuperei, mas isso não tem nada a ver com o amor que eu sinto por você. Você é tudo pra mim, Sheila. Você não tem ideia de como eu fiquei mal pensando que eu tinha te perdido."
Eu respirei fundo antes de soltar a minha ansiedade, "Eu também tava com medo de te perder quando o Quinn disse que você não lembrava de mim. Meu mundo desabou no momento em que eu abri os olhos e descobri que você não tava mais na minha vida." Meus olhos soltaram algumas lágrimas e ele enxugou com o polegar.
"Sabe de uma coisa? Eu nunca suportei uma beleza chorando, então por favor, não chora. Eu fico fraco sempre que te vejo desse jeito, é porque eu sou o que causa sua dor, mas eu quero que você seja feliz por toda a nossa vida."
"Eu não tô chorando, é só de felicidade." Ele assentiu com a cabeça e me puxou pros braços dele.
"Eu senti muita falta do seu calor contra mim. Você é a cura da minha doença, você é a luz da minha vida. Se você for, minha vida ia ser miserável."
Eu soltei uma risadinha. "Harry! Quando você começou a escrever poesia? Não combina com você. Nunca mude por ninguém, porque eu gosto do Harry antigo que sempre foi rude e amargo, especialmente com aquela expressão 'Urr'" Eu provoquei ele.
"Qualquer coisa por você, baby!! Eu sou mais do que você pensa! Mas, pra falar a verdade, você me mudou muito. Eu não acredito nisso, eu me apaixonei por uma garota depois do que aconteceu comigo, mas eu sou loucamente apaixonado por você. Eu vou até o fim do mundo pra te trazer de volta."
O rosto dele caiu um pouco quando os olhos dele pousaram no meu ombro esquerdo, que tava todo enfaixado. "Tá doendo?" Ele perguntou se sentindo culpado.
Eu balancei a cabeça. "Eu tô bem, Harry! Não se sinta mal. Não é culpa sua." Eu abracei o ombro dele com a minha mão direita e encostei meu rosto no peito dele, o batimento cardíaco dele me acalmou e suavizou cada célula do meu corpo.
Eu ouvi um suspiro vindo de trás de nós, o que me fez olhar ao redor e eu encontrei o Quinn com os olhos arregalados parado na porta, junto com o Kevin que tava com a expressão vazia de sempre.
Eu queria chorar, mas eu mal consegui controlar o soluço porque eu fiz uma promessa pra ele e eu não quero quebrar em um dia.
Ela só ficou lá parada sem falar nada, mas eu sei que a mente dela tava cheia de perguntas aleatórias. "Quinn! Ele se lembra de mim." Eu sorri pra ela.
"Mas... mas ele--- como?" Ela perguntou sem conseguir processar mais nada.
"Eu vou deixar vocês sozinhos um pouco", eu falei e olhei pra ele.
"Por favor, fica comigo." Ele implorou, o desejo enchendo a voz dele.
"Eu preciso ir, Harry! Você tem que resolver mais coisas entre vocês." Eu beijei as bochechas dele e fui embora. Quando eu cheguei na porta, eu sorri pra eles e entrei nos meus quartos.
Eu não acredito nisso. Eu achei que ia ser difícil trazer ele de volta pra minha vida, mas aconteceu um milagre e ele ainda tá comigo.
Eu sorri e fui pra cama. Muita coisa mudou, mas ele é o mesmo Harry que eu conheci desde o começo.
Dez dias se passaram e agora a gente teve alta do hospital. A gente passou o tempo na cama do hospital sem fazer nada, só deitado na cama, alguns chamam isso de repouso e eu não quero mais esse tipo de repouso.
Sério, isso tá me matando, sempre que eu tento andar ou ficar em pé, eles simplesmente mandam descansar até a gente provar que tá tudo bem.