Capítulo 18
Ele me aconselhou a ficar longe do estresse, porque pode dar umas dores de cabeça brabas. Falou também pra não botar muita pressão no lugar onde eu bati a cabeça na rua. Obedeci todas as ordens dele antes de ir embora.
Quando cheguei no meu quarto, soltei um suspiro audível. A partir de amanhã, tenho que ir pro inferno, onde o Karl Parker tá me esperando.
Quando entrei na primeira aula, todo mundo virou a cabeça na minha direção. Arghh!!
Quê? Eu nem tô atrasada hoje.
Então por que tão me olhando desse jeito, como se eu tivesse reprovado de novo?
Ignorei os olhares e fui pra minha carteira. Depois que o sinal tocou, a Professor(a) entrou na sala e começou a aula.
Quando ele tava quase passando um trabalho, uma voz interrompeu. Eu nem percebi o que eles estavam discutindo, nem quem era ele, até todos os olhares se voltarem pro meu lado. Notei a tensão entre os estudantes e o professor.
De repente, uma mão agarrou meu pulso e me puxou pra fora da sala. Eu sei que é ele pelo toque. Não tô curtindo o toque dele, mas tá doendo pra caramba.
Ele me arrastou pra fora da sala, mostrando toda a raiva que ele tava sentindo por mim, como se eu tivesse cometido algum pecado imperdoável na minha vida. A última vez que eu lembro, eu só saí da casa dele, tipo, não fiz nada demais.
Como sempre, a maioria dos estudantes tava olhando pra gente, mas eles ignoraram e voltaram pro que tavam fazendo quando a gente passou, como se não tivessem visto nada.
Rezei em silêncio pro Deus pra me salvar. Depois de, sei lá, uns dois minutos inteiros, ele parou e me encostou na parede.
"Onde você tava esses dias todos?" Ele rangeu os dentes.
"Não é da sua conta." Cuspi na cara dele na lata.
"Se você não me contar a verdade, vai se arrepender depois." Os olhos dele mostraram o quão sério ele tava.
Engoli o nó na garganta e controlei as lágrimas que tavam querendo sair. "Eu...eu, hum... fui visitar meus pais." Sussurrei devagar.
Ele pareceu não acreditar, porque minha resposta não o satisfez. Ele me olhou como se pudesse ler minha mente.
"É melhor falar a verdade, senão..." A pressão dele aumentou.
"Senão o quê?" Perguntei, tirando a mão dele de mim. "Já chega, tá? Não vou ficar aqui vendo você me tratar desse jeito. É, falei mentira. Não fui visitar meus pais. E daí? Qual é o seu problema, psicopata?" Gritei na cara dele.
Joguei toda a minha raiva pra cima dele. "Tá satisfeito agora?" Perguntei, respirando fundo. Minha cabeça começou a doer e eu vi uns borrões pretos em cima da minha cabeça. Pra me acalmar, esfreguei as têmporas e fechei os olhos.
Ignorando minha reação, ele agarrou minhas duas mãos e encostou na parede dos dois lados. "Não levanta a voz pra cima de mim. Você..." Eu o cortei de novo no meio da frase.
"Ou o quê?" Ousei perguntar de novo. Depois de uma longa pausa de silêncio, um sorriso demoníaco surgiu no rosto dele e ele me arrastou, Deus sabe pra onde.
Não percebi quando chegamos no parque. Não sei o que ele vai fazer, mas não tô mais com medo dele.
"Mark", ele chamou o nome de alguém, e a voz dele tinha muita autoridade.
A pessoa chamada Mark veio quase que em um segundo e ficou entre a gente.
"Fica de olho nela. Não dá moleza pra ela. Entendeu!" Ele quase gritou.
"Sim...sim, senhor", ele murmurou baixinho.
Então ele virou a atenção pra mim antes de soltar minhas mãos. "Agora escuta, sua vira-lata. Ninguém ousa levantar a voz pra cima de mim, mas você ousou. Te avisei várias vezes. Agora é hora de se divertir." Ele sorriu, mórbido.
"Hoje você vai se arrepender do dia em que nasceu." Com isso, ele começou a quebrar os canos e a água começou a jorrar pra todo lado.
Meu vestido encharcou e eu me afastei, mas a próxima ação dele me pegou de surpresa. Ele bateu no cara chamado Mark no estômago e o Mark caiu no chão, agarrando a barriga com dor. Eu conseguia sentir a dor dele. Sou a razão pela qual ele tá sofrendo agora.
"Não se mexe." Ele avisou de novo e começou a quebrar todos os canos como se fosse o dono do lugar. Em um segundo, tudo ao meu redor ficou cheio de água.
Finalmente, ele jogou o metal duro em direção ao cano que fornecia água para o tanque superior. A água se espalhou pra todo lado como uma cachoeira e quando bateu na minha cabeça, eu me encolhi e me afastei.
Ahh!! Pegou bem no lugar!
Ele percebeu meu estado e me empurrou pra onde a água tava caindo com força. "Fica aqui. Essa é sua punição por abrir essa boca bonita."
Então a atenção dele se voltou para o pobre Mark. "Não vai contra a minha vontade. Espero que não tenha esquecido o que eu fiz com você da última vez." Com isso, ele saiu correndo do parque, me deixando debaixo da água.
*
POV da Sheila:
"Não pense em ir contra a minha vontade, espero que não tenha esquecido o que eu fiz com você da última vez." Ele avisou, olhando para o pobre cara cujo corpo tremia visivelmente e, como uma criança obediente, ele apenas balançou a cabeça em sinal de concordância.
Me dando um último olhar, ele saiu correndo do parque.
Eu fiquei ali com o corpo tremendo, meus dentes estavam batendo, minha cabeça começou a latejar e minha visão começou a embaçar de novo.
Eu queria sair daquele lugar, mas não saí, queria provar que eu era forte. Se ele me acha uma pessoa patética, então vou provar pra ele o quão errado ele estava.
Já fazia uma hora que eu tava ali parada, enquanto o sol sorria do alto da minha cabeça. Toda a minha energia já tinha ido embora e o fluxo de água não tava ajudando em nada.