Capítulo 23
Mas agora eu tô feliz porque achei a minha gata.
Se eu não tivesse vindo pra Índia, não teria conhecido a minha gata.
*
POV da Sheila:
Só três horas, e eu vou estar livre dessas provas.
E---
Férias vão beijar minha alma.
Virando a página, uma por uma, eu lembrei da parte das perguntas importantes, me preparando pra última prova desse semestre.
Hoje a matéria é Desenho Técnico, mas eu não sou boa nisso. Sendo um gênio, o Harry me ensinou como fazer os ângulos do desenho e imaginar a vista frontal, a vista de cima e a vista final, mas essas paradas geométricas são mega confusas.
De algum jeito, com a ajuda do Harry, eu consegui aprender o básico, que vai ser muito útil pra passar na prova.
Hmmm... O tempo voou tão rápido.
Só de pensar nele, um sorriso brotou no meu rosto. Um completo estranho virou um bom parceiro. Isso só acontece em série, mas às vezes também é possível na vida real.
A maioria das garotas me paravam só pra falar dele sem vergonha e pedir o número dele, como se eu fosse o segurança pessoal dele. Esse comportamento delas me dava dor de cabeça e um pouco de ciúmes também.
Mas, sempre que eu falava pra ele sobre essas garotas, ele, como um santo, ignorava o assunto, como se não estivesse nem um pouco interessado nisso, o que acalmava meu coração.
A gente costumava se encontrar na cafeteria ou no parquinho quando tinha tempo livre e, na maioria das vezes, acabava num restaurante chique pra jantar.
No começo, eu fiquei meio assim de sair com ele quando ele me chamou pra sair, mas cada atitude dele me fez sentir confortável.
Ele nem pediu meu número, pegou meu celular e salvou o número dele, como se fosse dono do meu celular.
Ele é tão legal comigo, mas não com os outros. A maioria das garotas lançam uma adaga na minha direção sempre que a gente fica junto e, pra falar a verdade, eu tava meio que me acostumando com isso.
Um dia, o Karl Parker veio na minha sala e me puxou pra fora, como ele sempre faz, mas aí o meu salvador me salvou daquele garoto Diabo arrogante. Eles também brigaram feio e acabaram de castigo por uma semana.
Aquela semana toda a gente passou um tempo no parque, no fim da tarde, e compartilhou lembranças do passado.
Ele não é do tipo que se abre, eu acho. Porque sempre que eu falava, ele escutava com atenção, como se estivesse curtindo tudo o que estava ouvindo. Mas ele não falava muito sobre a vida dele.
É como se ele estivesse escondendo algo de mim, mas eu não forcei ele a abrir a mente pra mim. Se ele não se sentia à vontade pra compartilhar seus pensamentos, então eu não ia perguntar. Mas eu tenho curiosidade sobre o que ele estaria escondendo.
Depois do encontro com o Harry, sempre que o Karl Parker aparece na minha frente, eu consigo ver o corpo dele tenso, tipo, ele tava se controlando.
Eu não sei o que aconteceu entre eles, mas ele meio que mantém distância de mim, como se não fizesse isso, a vida dele viraria um inferno, e eu tô mais que feliz com isso.
Um dia, a gente planejou ir pra balada, porque o Quin insistiu. Com eles, eu me sentia segura e concordei em ir. Mas, pra minha decepção, lá eu vi a maioria dos adolescentes bebendo e se esfregando. O Harry percebeu meu desconforto e me tirou da balada e dirigiu o carro dele pra praia.
Eu soltei um 'own!' surpresa pra ele. Ele lembrou das minhas coisas e do que eu não gosto! Nós dois passamos um momento fofo na praia, entrelaçando os dedos, como se tivéssemos medo de nos perder na multidão.
Depois disso, a gente comeu 'Panipuri', que é famoso no norte da Índia. Uma vez na vida, eu comi Panipuri com a minha família, quando a gente foi na casa da nossa família pra ir na festa de casamento e eu me apaixonei na hora por essa comida, mas ele parecia não estar interessado na comida dele. Então eu peguei o prato dele e trouxe um sorvete pra ele, que ele aceitou de boa.
Eu sei que ele não é indiano, então esse tipo de comida pode não ser confortável pra ele. Eu percebi muitas vezes que ele não coloca muita pimenta na comida dele.
Quando ele come algo muito apimentado, as orelhas dele ficam vermelhas. Ele e comida apimentada são tipo polo leste e oeste, eles nunca se conectam.
Sábado passado a gente foi no cinema, porque o Kevin insistiu. Quando a gente tava na bilheteria pra pegar os nossos ingressos, alguém bateu nas minhas costas, mas no momento seguinte ele foi puxado pelo furioso Harry e o cara ficou desacordado por causa do soco forte na cara dele.
Às vezes eu me pergunto por que ele se comporta desse jeito. O cara só bateu nas minhas costas, nada demais, mas ele quase matou ele naquele dia.
Eu fiquei brava com ele por causa do que ele fez com aquele coitado, mas ele não sentiu pena. Que garoto esquentado. Mas eu não consigo ficar mais tempo brava com ele.
Sempre que eu vejo ele, eu sinto que o dia da minha vida fica mais brilhante. Eu não sei que tipo de sentimento eu tenho por ele, e isso tá me queimando por dentro. Será que ele pensa o mesmo de mim, tipo, o que eu sinto?
O som estridente do toque me tirou do transe. Acabou. Eu vou estar livre em três horas e eu tô tão feliz de ver meus pais.
Depois de um tempão, eu vou visitar meus pais de novo. Só de pensar em ver eles, trouxe um tipo de energia positiva pro meu corpo, com isso eu fechei o livro e entrei na sala de prova.
POV do Harry:
Hoje ela vai pra cidade natal dela pra passar as férias. Ela parecia tão feliz de visitar eles de novo. E--- Eu não consegui ler nem um pouco de tristeza no rosto dela. Ela ama tanto os pais dela. Ela é uma garota família, que faria de tudo pra agradar os pais dela.