Capítulo 66
Respirei fundo e coloquei ela na cadeira. "Sheila, eu fui para NYU resolver uns problemas. Só isso. Se eu te contasse tudo, você ia ficar preocupada comigo. Por isso não te contei antes." Tentei explicar meus pontos da forma mais tranquila possível.
Ela me olhou e fez um leve sinal de cabeça, como se estivesse me dizendo pra continuar. Então eu expliquei tudo pra ela e a boca dela fez um 'O' gigante quando eu terminei.
"Harry! Se não foi ela, então quem fez isso com a gente?" ela perguntou, pensando bem, procurando em si mesma alguma pista.
"Não faço ideia, Sheila. Mas te garanto que não vai acontecer de novo." Dei um beijinho na testa dela.
"Ok... então vamos comer. Tô com fome."
Ela levantou do lugar dela e eu ajudei ela a cozinhar. Eu não sei cozinhar, mas tô doido pra aprender pra ela.
Mais tarde, nós dois comemos nosso jantar em paz. Quinn e Kevin foram sair.
"Boa noite, Sheila!" Deixei ela no quarto dela.
"Boa noite, Harry!"
Depois de dar boa noite, fui pro meu quarto, mas não consegui dormir. Como eu ia conseguir dormir em paz sabendo que o traidor ainda tá por aí, querendo me ver morto?
Não faço ideia de quem fez isso com a gente e como vou encontrá-los.
Soltei um longo suspiro e fiquei olhando pro teto até o sono me consumir por inteiro.
*
POV da Sheila:
Depois de um abraço apertado, subi no ônibus pra sentar. Harry tá chateado comigo porque ele pediu pra eu ficar pelo menos dois dias, mas não tô em condições de realizar os desejos dele, porque agora tô indo pra minha cidade natal pra aproveitar as férias.
O tempo voou e a prova já acabou. Já terminei o meu primeiro ano e não sou mais uma estudante nova. Um monte de coisa aconteceu nesse um ano.
Parecia ontem que eu tinha esbarrado no Karl e enfrentado todos os valentões dele que revelaram a verdade por trás da atitude toda dele e pediram meu perdão, e agora, cadê?
E, de novo, do nada, o Harry entrou na minha vida e roubou meu coração.
Tammy, minha amiga engraçada favorita, que agora não tem tempo pra mim, enfrentando os problemas dos negócios do pai dela. Ahh!! A vida tem mais coisas no prato. Balancei a cabeça e olhei pra ele.
"Não seja teimosa." Eu repreendi ele quando percebi que ele não ia falar comigo tão cedo, a não ser que eu iniciasse a conversa. Ele me olhou e soltou um suspiro pesado.
"Sabe, se eu abrir a boca pra falar alguma coisa, com certeza ia ficar aqui por mais dois dias, mas eu sei que não vai acontecer." Ele deu de ombros. "E não quero criar um barraco aqui."
Fiz uma careta, mas não falei nada. "Me manda mensagem quando chegar em casa e não se incomode em ligar pra gente. A gente tá indo pra NYU, não pra outro planeta." Quinn disse, com um tom divertido.
Ela tava se referindo aos incidentes que aconteceram há 6 meses, quando eu não me dei ao trabalho de ligar pra eles e avisá-los sobre a minha semana de folga.
"É! É! Vou tentar." Falei em tom de deboche, rindo por dentro.
"Nunca tente." As palavras do Harry me fizeram virar o olhar pra ele. Dei um sorriso malicioso e um beijo voador, mas ele não pegou. Ahh! Meu pobre beijo voador.
O motorista ligou o motor e deu partida no ônibus. "Vou sentir sua falta", eu falei quando o ônibus começou a se mover devagar.
Ele agarrou minha mão pela janela e correu em direção ao ônibus. "Me liga assim que sair do ônibus. Quero todos os detalhes de onde você estiver até chegar em casa, e eu falo sério." Ele disse antes de soltar minha mão.
Eu coloquei a cabeça pra fora da janela e vi ele ofegante, com as mãos apoiadas na barriga. 'Eu te amo.' Eu mandei uma mensagem pra ele e encostei no banco.
Agora me arrependo de não ter ficado com ele quando ele me pediu. 'Espero que você mude de ideia e venha pra mim.' Ele me mandou uma mensagem de volta, seguida de um 'Eu te amo também.'
Eu sorri e olhei pela janela, minha mente vagando por ele e sua carinha de filhote.
Não vai ser ruim se eu for pra casa depois de dois dias. Não é? 'Sim', minha mente subconsciente respondeu imediatamente.
Disquei o número pra ligar pra minha mãe e informei pra ela que não podia ir amanhã porque surgiu uma emergência. Ela murmurou em resposta, mas não perguntou mais nada. Acho que ela pode ter sacado, ela sempre entende e incentiva tanto.
Quando meus pais descobriram sobre meu amor, quando estávamos no hospital, meu pai me deu um olhar de 'Precisamos conversar', enquanto minha mãe me deu um olhar de 'Vou falar com ele mais tarde'. Depois disso, não sei o que aconteceu com eles, mas eles aceitaram meu amor com uma condição, a condição de que devíamos nos casar de acordo com nossa tradição.
Eu parei o ônibus e saí imediatamente. Segurei minha bolsa em uma mão enquanto a outra digitava furiosamente no meu celular. Um sorriso se formou no meu rosto pensando em vê-lo de novo.
'Me espera... tem uma surpresa pra você.'
Mesmo antes de eu poder apertar o botão de enviar, meu celular escorregou da minha mão e senti uma dor aguda atrás da cabeça.
Alguém me pegou nos braços e me colocou sobre o ombro. Tentei permanecer consciente, mas lágrimas rolaram pelas minhas bochechas quando percebi que estava caindo na escuridão.
Meu primeiro pensamento antes de desmaiar foi como ele vai reagir quando souber que sua garota sumiu?
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