Capítulo 20
Sempre que eu tava no parque, eu a via sentada no banco, tipo, olhando cada movimento meu. Eu até que curtia, mas sabia que ela não tava ligando. Ela devia pensar que eu era um estranho pra ela, até a noite que a gente se encontrou.
Bem... eu sou meio que um estranho pra ela, né?
Eu não parava de pensar nela quando ela sumiu por uma semana, mesmo não querendo. 'O que será que rolou com ela depois do lance com o Karl?' A pergunta ficava martelando na minha cabeça toda hora, e eu me sentia culpado.
Eu sei que eu devia ter ajudado ela, mas não fiz porque achei que não era da minha conta, mas agora eu tô envergonhado de mim mesmo.
Eu não sei o que aquele babaca fez com ela, mas quando eu a encontrei na rua, eu sabia que tinha acontecido algo terrível. Ela parecia destruída.
Quando eu dei entrada nela no hospital, eu me senti péssimo. Eu não quero me mostrar fraco pra ninguém, mas também não consegui dormir naquela noite.
A Doutor(a) disse que ela teve um pequeno machucado na cabeça, mas que não era pra se preocupar. Eu fiquei aliviado depois do que eu ouvi dela.
No dia seguinte, eu liguei pro Doutor(a) pra saber como ela tava, e ele me disse que ela tava bem. A partir daquele dia, eu esperava ver ela no parque, mas ela não apareceu.
No outro dia, eu ouvi por acaso a conversa entre Quinn e Kevin, quando fui pra cozinha, sobre a visita da Sheila pra cidade natal dela.
Mas, no fundo, eu sei que não é verdade. Ela pode tá mentindo. É o que meu coração diz. Eu tentei tirar isso da cabeça, mas foi em vão.
Todas as garotas tão caidinhas por mim, mas eu nunca dei bola pra ninguém, mas agora eu não paro de pensar e de me preocupar com uma garota que conquistou meu coração.
Eu tenho quase certeza que o nosso primeiro encontro não foi bom, porque eu fiz ela sofrer. Eu não a vi atravessando a rua. Quando eu senti que tinha batido em alguma coisa ou alguém, Quinn gritou pra eu parar o carro, mas eu ignorei e continuei.
No dia seguinte, quando eu vi o Karl torcendo o braço dela, eu senti pena dela. Eu queria ajudar ela, mas alguma coisa me impediu de fazer isso.
Quando Quinn disse o quanto ela me odeia, naquele dia eu comecei a sentir algo por ela, e confirmei que comecei a me apaixonar por ela. Essa garota quebrou todas as minhas regras.
Teve um dia que eu fiquei com ciúmes quando Quinn e Kevin ficaram com ela e se divertiram muito. Mas eu não estava no meu juízo perfeito pra ficar com ela e estava com medo de me apaixonar ainda mais.
Mas quando eu a vi parada embaixo da água no parque, toda encharcada, eu soube quem fez isso com ela.
Karl.
O único nome que veio na minha cabeça.
Naquele momento, eu decidi quebrar todas as minhas leis. Ele não vai parar de maltratar ela, e eu não vou ficar assistindo ela sofrer.
Eu saí dos meus pensamentos quando a Enfermeira chegou e me disse que a cabeça dela bateu no chão quando ela caiu. Eu gemi de frustração. De novo, não.
"Como a cabeça dela tá se recuperando do machucado leve que ela já tinha, isso a deixou inconsciente." Ela informou, mas minha atenção se voltou pro Karl que tá vindo na nossa direção.
É hora de dar uma lição nele. Eu fechei a mão e fiquei ali, pronto pra enfrentá-lo.
*
POV do Karl Parker:
Quando eu vi ele carregando a Sheila no braço, eu senti uma vontade louca de parar ele e queria arrancar ela dele, e quando eu fiz isso, ele desafiou a minha ameaça e a carregou pra longe enquanto eu tava ali parado, que nem um idiota.
Eu não gosto quando ninguém encosta em um fio de cabelo dela além de mim, seja por ódio ou por afeto, eu tenho todos os direitos sobre ela, só EU.
Quando ela esbarrou em mim no primeiro dia de faculdade, eu senti algo por ela, talvez raiva ou afeto ou... eu não sei direito o que é.
E dia após dia eu costumava maltratá-la pra chamar a atenção dela, eu não faço ideia por que eu quero toda a atenção dela, mas sendo tão ingênua, ela não sentia nada por mim, e isso me deixava ainda mais louco.
Eu gosto da atitude e do comportamento dela. Sempre que ela me vê, ela se esconde atrás da coluna ou da mesa de madeira, ou até atrás de alguma pessoa aleatória.
Ela deve pensar que eu não percebo, mas eu percebi todos os movimentos dela. Se ela quiser brincar, com certeza eu vou participar, aí os dois podem jogar, eu curto.
Mas às vezes o comportamento dela me faz perder a paciência e a pouca paciência que eu tenho com ela. Sempre que eu tento saber algo sobre ela, ela meio que me ignora e vai contra a minha vontade.
Se alguém for contra a minha vontade, com certeza eu processaria, mas não ela. Eu preciso dela perto de mim, parece que ela é a minha cura. Cura pra minha ferida escondida.
Quando ela ameaçou largar os estudos, eu não tive outra opção a não ser queimar os documentos dela, porque eu não gosto da ideia dela largar a faculdade.
Ela é minha, e ela não vai a lugar nenhum. Eu vou fazer de tudo pra ela saber a quem ela pertence. Eu a possuo... tudo dela. Eu vou fazer de tudo pra todos saberem que ela é minha.
Minha pra estragar.
Uma raiva tomou conta do meu corpo como um vulcão quando eu a vi na festa. Eu não tenho problema com a presença dela lá, mas o problema é que ela estava com a Tammy Parker, minha prima.
Se fosse qualquer outro no lugar dele, eu faria questão de que ele estivesse morto agora, mas com ele, não. Eu o considero como meu irmão, mas eu não dou a mínima pra ninguém, mesmo que seja do meu sangue.