Capítulo 41
"Obrigada, Sheila. Você tirou um baita peso dos meus ombros." Aí ele tirou um envelope do bolso e me entregou.
"O que é isso, Karl?" Eu perguntei.
"É a sua grana, eu queria te devolver isso." Ele falou, se referindo ao primeiro dia.
"Não, eu não posso aceitar isso. Passado é passado. A gente não pode mudar o passado, Karl. Você tem que aprender isso. Então, por favor, não me force a ficar com isso." Eu me recusei a pegar o dinheiro e dessa vez a minha mente também estava do meu lado, não como tantas vezes eu costumava ficar com a cabeça dividida.
"Então, e o almoço?" Ele perguntou meio sem jeito, coçando a nuca.
Deu vontade de apertar a bochecha dele. Que fofo. Ué... quem diria que o demônio ia virar um anjo.
"Karl, já passou da hora do almoço. São quatro da tarde." Eu apontei.
"Eu sei, mas já que você não almoçou, a gente pode comer, por favor, diz que sim. Eu ia ficar grato se você aceitasse."
"Tá bom, pode ser. Eu vou com você." Eu falei sem hesitar. Nós dois entramos no carro dele e eu coloquei o cinto de segurança.
Devo confiar nele? Minha mente subconsciente me perguntou mais uma vez, mas eu joguei essa pergunta lá no fundo e foquei na direção.
*
POV da Sheila:
Ele estacionou o carro em frente ao restaurante chique que eu nunca tinha ido antes. Um dos motoristas veio e abriu a porta pra gente, nos tratando como clientes VIP. A vista de fora do restaurante era linda. Em cima, estava escrito "Restaurante Shaliya" com uma letra bem chique.
"Vamos?" Ele perguntou, estendendo a mão pra segurar.
"Hum, sim." Eu segurei a mão dele e ele me guiou até a mesa que ficava no canto do restaurante, perto da janela.
"Boa noite, Senhor, Senhora." Um garçom veio e nos cumprimentou educadamente. Eu dei um sorriso pra ele, enquanto o Karl balançou a cabeça.
"O que você quer comer?" Karl me perguntou. Eu dei uma olhada no cardápio e pedi o frango, sem conseguir encontrar outros pratos especiais, apesar de parecerem dar água na boca.
"Um frango," ele falou pro garçom, e ele anotou no bloco de notas antes de sair.
"Por que você não pediu nada?" Eu perguntei por curiosidade.
"Ele já sabe o que eu costumo pedir." Ele respondeu casualmente, como se estivesse me dizendo que ele era cliente regular ali.
"Karl, que bom te ver. Quanto tempo. Tudo bem?" Alguém o cumprimentou. Acho que ele é o gerente.
"Tudo bem, Daniel. Tudo certo por aí?" Ele perguntou pro cara chamado Daniel.
"Sim! Tudo perfeito. A maioria dos clientes gostou dos nossos serviços. Especialmente as nossas sobremesas, que são as preferidas deles." Ele sorriu e o Karl balançou a cabeça.
"Bom. Eu não vou tolerar se o mesmo erro acontecer nas próximas vezes e não vou hesitar em demitir todo mundo no restaurante." Ele falou firme.
O Daniel engoliu seco e balançou a cabeça. "Desculpa, não vai acontecer." Aí o telefone dele começou a tocar e ele se desculpou antes de ir, mas o suspiro de alívio que ele soltou não passou despercebido.
Eu franzi a testa, sem entender nada. O que aconteceu aqui? Por que ele estava nervoso e por que ele relatou tudo pro Karl, como se ele fosse o dono do lugar?
"Karl, você conhece o gerente aqui?" Finalmente, eu deixei a curiosidade falar.
"Sim, eu conheço. Ele trabalha pro meu pai." Ele deu de ombros.
"Você não acha que foi rude com ele?" Eu levantei as sobrancelhas.
"Ele mereceu o tratamento frio. Perdemos ótimas oportunidades por causa dos erros descuidados dele. Se eu fosse o Karl antigo, com certeza eu teria demitido eles." A expressão dele se endureceu quando ele falou.
Eu analisei as feições dele com cuidado, como ele estava com a mandíbula travada e fechando a mão em punho. Meu coração começou a bater forte contra a caixa torácica, mas ele fechou os olhos por um segundo e o corpo dele relaxou.
"Sheila." Ele chamou meu nome. "Eu sou o dono deste restaurante. Shaliya é o nome da minha mãe. Eu vejo isso como minha mãe. Se eles trouxerem qualquer nome ruim pra esse restaurante, eu não consigo aguentar e ficar sentado como se nada tivesse acontecido. Por isso eu fui rude com ele. Ele queria saber o quão especial esse restaurante é pra mim."
Eu murmurei em resposta e balancei a cabeça em sinal de compreensão. Não tem como, ele é um filhinho da mamãe.
O garçom veio e colocou a comida na mesa. Eu peguei a colher da mesa e coloquei um pouco de arroz no prato antes de provar a comida.
"Hum... incrível..." Eu gemi.
Ele me deu um sorriso pequeno e começou a comer a comida dele. "Karl, o que é isso?" Eu apontei o garfo pra comida dele.
"Isso é a pilha havaiana, minha refeição favorita. Se você quiser, pode experimentar."
"Talvez da próxima vez," eu falei pra ele e continuei comendo meu frango.
Depois de terminar meu frango, eu pedi um bolo de chocolate de sobremesa. "Que combinação?" Ele perguntou e eu dei de ombros. Ué, eu gosto de bolo de chocolate.
Enquanto eu estava aproveitando a sobremesa, um cheiro familiar encheu minhas narinas, me fazendo olhar pro prato dele. "Karl, o que você tá comendo?" Eu perguntei, olhando pro prato dele.
"Sopa de caranguejo."
Minha boca encheu de água só de falar em caranguejo. Eu amo caranguejo. É meu favorito. Ué, eu tenho tantas comidas favoritas na minha lista.
"Então você também serve frutos do mar." Eu levantei as sobrancelhas.
"Hum, sim, as pessoas adoram comer frutos do mar daqui." Ele respondeu honestamente, muito orgulhoso de si mesmo.
Ele sorriu pra mim quando me pegou olhando pro prato dele. "Sheila, se você quiser, eu peço um pra você." Ele ofereceu.
"Não, Karl. Já estou cheia." Eu protestei.
"Posso provar, por favor?" O que pareceu um segundo depois, eu perguntei, incapaz de controlar a vontade da sopa de caranguejo.