Capítulo 19
Eu não consigo e tô quase desistindo, tipo, a qualquer momento, saca? É melhor largar tudo logo. Mas, de jeito nenhum, eu vou aceitar a derrota sem tentar, tá ligado?
Enquanto eu tava lá, debaixo da água, vi o Harry andando pelo corredor, mas, pra minha sorte, ele ainda não tinha me visto, e eu agradeci a Deus por isso.
Eu não quero encarar outro demônio. Mas que droga, o olhar dele virou pro meu lado e os olhos dele se encontraram com os meus, o que fez ele franzir a testa. Primeiro eu pensei que ele ia cuidar da vida dele, como sempre, até que ele começou a vir na minha direção, o que me fez suspirar por dentro.
"O que você tá fazendo aqui?" Ele perguntou, mantendo a mesma pose de sempre, sem expressão.
Eu não conseguia ler a mente dele. Ele se importa? Ele foi o motivo de eu estar aqui agora. Claro que eu vou culpar ele.
Se ele tivesse me ajudado com o demônio nas outras noites, eu não teria sofrido nenhum acidente e teria tirado a semana inteira de folga e estragado minha vida mentindo pro demônio.
"Como parece?" Eu perguntei pra ele, irritada.
"Ninguém em sã consciência faria as coisas que você tá fazendo agora." Ele deu de ombros, me zombando.
Eu abri a boca pra falar alguma coisa, mas fechei de novo, nenhuma palavra saiu da minha boca. Eu fitei ele por o que pareceu horas, mas passou só um minuto.
"Você vai me contar ou vai ficar me encarando o dia todo?" Ele perguntou, me irritando.
"É por sua causa que eu estou aqui." Eu o acusei e me encolhi quando o jato de água bateu na minha cabeça, onde eu tava sentindo uma dorzinha.
"Com licença." Ele estreitou os olhos antes de me tirar da água.
O Mark veio imediatamente e o parou, dizendo: "Ela foi punida pelo filho do Presidente." Com a voz mole.
"E daí?" Ele levantou as sobrancelhas, questionando.
"Ele nunca gosta quando alguém cruza o caminho dele. Você pode ter problemas por fazer isso," ele explicou.
O Harry deu um sorrisinho e balançou a cabeça. "Então manda ele fazer o que quiser, mas eu nunca ligo pra ninguém." Com isso, ele pegou no meu braço e me arrastou pra fora do parque.
"O que você tá fazendo?" Eu sussurrei devagar. Eu não acredito nisso, ele tá fazendo isso por mim. Eu parei no meu lugar e olhei bem nos olhos dele. "Sabe de uma coisa, se ele souber que você me ajudou, ele vai fazer algo que você vai se arrepender." Eu apontei.
"Hmm... Eu vou fa..." A frase dele foi cortada por uma voz alta que ecoava pelo corredor. Nós dois viramos a cabeça para a fonte daquela voz e eu me arrepiei, não por causa da água fria, mas por causa do tom frio dele.
"Que diabos você tá fazendo?" Ele gritou na cara dele. O rosto dele ficou vermelho de raiva e então o olhar dele se voltou pra mim.
Eu não fiz nada. Eu me encolhi por dentro.
"Você!" Ele apontou um dedo pra mim. "Você vai se arrepender disso, eu já avisei, mas você ousou me desobedecer de novo." A raiva dele explodiu, me dando outro arrepio na espinha.
"Ela não fez nada de errado, então por que você tá tratando ela assim? E lembre-se de mais uma coisa, ela não é sua escrava. Ela é uma estudante como você. Se você vai tratar ela assim, você vai aprender a sua posição." O Harry avisou, como se fosse meu mentor, mas eu o conheço muito bem, ele não é menos que um cara sem coração.
Os dois ficaram se encarando, como se estivessem conduzindo um jogo e muito determinados a derrotar o oponente.
Se eu não estivesse presa entre esses dois monstros, eu teria comprado pipoca e assistido eles brigando.
"Blá blá blá---" Os dois não vão desistir.
Eu fiquei atrás do Harry e assisti a conversa ficar pesada. Quando pareceu que nunca ia acabar, o Karl deu um soco na cara dele, mas o Harry pegou o punho.
Mais uma vez, ele tentou dar um soco, mas dessa vez o Harry abaixou a cabeça e um punho pesado colidiu com o meu rosto.
Em um instante, todo o universo começou a tremer violentamente antes que eu visse borboletas por toda parte e eu desmaiei.
POV do Harry:
Eu ouvi um estrondo alto atrás de mim enquanto eu tentava pegar o punho dele. Se eu quisesse, eu podia dar um soco igual na cara bonita dele, mas eu não quero ser como ele.
Com força, eu o puxei pra baixo e quando eu olhei pra ela, eu vi que ela tava caída no chão, inconsciente, com o nariz sangrando.
Merda!! Eu xinguei mentalmente e me ajoelhei do lado dela. Eu sacudi o corpo dela, mas não tive resposta. Minha mente me levou pro dia em que ela caiu na estrada, inconsciente.
Sem perder tempo, eu a peguei no meu braço, mas o Karl entrou na minha frente e ousou me parar.
"Deixa ela. Eu vou cuidar disso." Ele disse, usando o tom dele de autoridade.
Eu olhei pra ele como se ele tivesse nascido com duas cabeças. Como ele pode dizer aquelas palavras tão fácil? Ele não tem vergonha?
"Bem... não é você que bateu nela em primeiro lugar e agora quer cuidar dela?" Eu perguntei, um pouco irritado com o comportamento dele.
"Olha, nós dois sabemos que eu não bati nela intencionalmente. Agora não discute comigo e deixa ela." Ele quase exigiu, mas o coitado não sabe que isso não funciona comigo.
"Então escuta com atenção. Eu não vou dar a mínima pra você." Com isso, eu virei o calcanhar e fui pra sala de enfermagem.
Quando eu vi ela pela primeira vez no campus, usando só uma carinha de inocente, eu senti que ela tava despertando algo dentro de mim. Eu não sei por que, mas eu senti algo, algo que eu não quero sentir por ninguém, muito menos por ela.
É por isso que eu a evito o tempo todo. Eu não tô pronto pra criar nenhum tipo de sentimento por ninguém.