Capítulo 27: Falando com Força
Assim que o Elias empurrou a porta, ficou quieto na hora. Foi o Neil que finalmente quebrou o silêncio, "Meu nome é Neil Yount. Espero que a gente consiga trabalhar junto e aproveitar esse tempo precioso durante nosso estágio em harmonia."
"Eu sou o Elias Silva, prazer em conhecer."
"Elias, é?" O garoto com um jeito meio durão falou, tirando sarro dele de propósito, "Seu perfil foi pro chão com o vento agora, eu peguei e dei uma olhada. Desculpa por isso, mas tô curioso pra saber por que a parte da sua educação tá em branco."
"Quentin!" O Neil tentou parar ele, "Para de palhaçada."
Eu não aguentei mais e empurrei a porta. Todo mundo, menos o Elias, ficou pálido quando me viu.
Eu fui andando calma até eles, apoiando as mãos levemente na mesa, "Olá a todos, eu sou a Jacqueline Thompson, Presidente da Região Sudeste da TR. A partir de hoje, vocês são os estagiários da TR. Apesar de que, no final, a gente vai ficar só com uma pessoa, não importa quem vai e quem fica, o currículo de vocês vai ter nota máxima."
Depois de ouvir isso, todo mundo, menos o Elias, ficou preocupado.
Eu mudei a atitude, com os olhos um pouco sérios, e falei sério, "Mas, eu espero que durante o estágio, a gente trabalhe junto em harmonia, compita de forma justa e não faça atos de vilão. O que a TR mais detesta é funcionário que busca seus próprios interesses por meios sem escrúpulos. Se for descoberto, nunca mais vão ser contratados, e eu não vou falar nenhuma palavra boa na avaliação do estágio, entenderam?"
O pessoal balançou a cabeça.
Eu dei um doce pra eles comerem e depois um tapa na cara, só pra eles entenderem que não deviam desafiar fácil a autoridade da empresa.
"Bom, todos vocês passaram por uma série de seleções antes de finalmente ter a chance de trabalhar aqui. Todos vocês têm uma chance justa e estão começando do zero. Espero que trabalhem bem e estou ansiosa para ver todos vocês fazerem história."
Enquanto eu falava isso, o garoto chamado Neil não parava de me olhar, sem piscar.
Eu não sou boba e consegui ver a admiração e adoração nos olhos dele.
Eu olhei pro Elias, que já tinha sacado tudo e tava com os lábios finos pressionados, obviamente não tava num dia muito bom.
"No futuro, se tiverem algum problema, podem procurar a Yvette, minha assistente. Podem ter mais contato com ela também, afinal, vão trabalhar juntos no fim."
"Chefe, quer dizer que um de nós pode ser seu assistente no futuro?"
Eu dei uma olhada na pessoa que fez a pergunta e combinei com o perfil dele.
O nome dele era Simon Weston, um aluno de destaque que se formou em uma das melhores universidades do nosso país, com um currículo bom e uma boa aparência.
Mas...
O temperamento dele ainda precisava ser visto.
Ele era esperto o suficiente pra arrumar confusão e deixar o Quentin ir na frente, então, mesmo que acontecesse alguma coisa, ele ia sair limpo.
Meus olhos piscaram pra ele e pousaram no Quentin James.
Ele tinha traços pesados e uma figura alta. Com o que eu ouvi antes, provavelmente sabia que esse homem era direto e não tinha muitas más intenções.
Quanto ao Neil...
Eu acredito que ele é o concorrente mais forte do Elias.
"Sim, quando chegar a hora, a pessoa que ficar vai ser meu braço direito junto com a Yvette. Ok, a Yvette vai organizar os estágios pra vocês, e a reunião acabou." Antes de sair, eu dei uma olhada pro Elias.
Indo pra porta, eu mandei uma mensagem pra ele, "Vem no meu escritório."
Um tempinho depois, teve uma batida na porta do meu escritório.
Eu falei "entra" e o Elias entrou calmamente.
Eu levantei e tava quase chamando ele de "marido" e dando um abraço nele. Ele desviou do meu abraço e falou, "Chefe, a gente tá na empresa. Por favor, mantenha as coisas públicas e privadas separadas. Você acabou de falar em jogo limpo."
Eu fiquei divertida e irritada, "A porta tá fechada, então quem vai saber? Além disso, é hora privada e é só a esposa com saudade do marido."
"Por favor, dê o exemplo." O Elias deu um passo pra trás com uma cara séria.
Eu fiquei tão frustrada com a seriedade dele que balancei a mão, "Ok, vou fazer como você diz. Você começou hoje. Se tiver alguma coisa que não estiver acostumado ou se precisar de alguma coisa, é só ligar pra Yvette, ok?"
"Ok."
Eu entreguei um cartão pra ele, "Esse é um cartão de restaurante para os melhores funcionários da empresa. Fica com ele."
O Elias não pegou, mas olhou pra mim com os olhos bonitos dele, "Seja justa."
"É só um cartão de restaurante. Você pode pelo menos aceitar esse benefício, né?" Eu fiquei muito sem jeito, "Eu não quero que você passe fome." O restaurante para a equipe sênior da empresa tinha mais opções e ingredientes melhores.
Ele insistiu em não aceitar. Em vez disso, ele me educou, "O que os outros três estagiários iam pensar se eu for no restaurante top com esse cartão?"
Ele tava certo.
"Bom, você decide." Eu peguei o cartão de volta.
"Se não tiver mais nada, eu vou trabalhar."
"Pode ir."
Quando ele foi pra porta, eu não aguentei e chamei ele, "Se alguém te der trabalho, avisa, não guarda pra você."
Ele balançou a cabeça sem falar nada, fechou a porta com cuidado e saiu.
Ao meio-dia, eu encontrei o Ian quando fui pro restaurante almoçar.
Pra ser precisa, ele sentou na minha frente sem a minha permissão.
Eu levantei as sobrancelhas, "Sr. Yates, quando vai dividir a mesa com alguém, você não pergunta a opinião da outra pessoa?"
A testa do Ian franziu um pouco e ele pareceu desconfortável. Ele baixou a voz e me perguntou, "Jacqueline, por que você deixou o Elias vir trabalhar na empresa?"
Quando foi que chegou a vez dele me questionar como subordinado?
Eu coloquei meu prato e minha faca e garfo tocaram no prato, fazendo um som estridente. Eu olhei um pouco fria, "Sr. Yates, por favor, esteja ciente da sua posição. Você não está em posição de questionar nenhuma das minhas decisões."
"Eu não tô te questionando, é só que o Elias..."
"O que tem ele?" Eu falei suave, "Eu dei o cargo de gerente pra ele e deixei ele não fazer nada? Ele entrou na empresa por meio de recrutamento normal e começou como funcionário estagiário da empresa, não tem nada de errado com isso."
Eu olhei pra ele, tirando sarro, "Em vez disso, você veio pra TR por meio do nepotismo do Silas. Ian, quem é você pra questionar o Elias?"
A cara do Ian ficou pálida por um momento com minhas palavras.
"Sr. Yates, se não tiver problema, você pode trocar de mesa. Afinal, eu não quero estragar meu apetite." Eu pedi pra ele sair.
O Ian respirou fundo, "Jacqueline, você me odeia tanto agora?"
Eu levantei o olhar e encontrei os olhos tristes dele.
Pra ser sincera, eu me senti culpada por um momento.
Naquela época, eu tinha amado ele com todo meu coração e queria dar o mundo inteiro pra ele. Infelizmente, ele não tinha dado valor.
"Não exatamente." Eu quebrei as expectativas dele, "Agora eu tô te tratando como uma superior trata um subordinado, fora isso, não tem outras distrações."
"Eu entendo." Ele balançou a cabeça.
Depois de um momento, ele falou, "Você sabe o que o Elias fez naquela noite no cruzeiro?"