Capítulo 40: Elias Desapareceu
Elias fez carinho no gato numa boa, tipo, nem querendo se meter na nossa treta.
"Tia Estranha, para de graça. Ele nem tá a fim de falar contigo. Nunca se olhou no espelho? Qual a tua idade pra dar em cima de um cara tão novo? Hilário."
"Hilários são vocês." Eu tava quase respondendo, mas o Elias se meteu antes e calou a boca delas.
Fiquei chocada e felizona, tipo, que esse cara todo marrento ainda tava do meu lado.
Tipo, mesmo bravo, ele me defendeu.
"Minha esposa só tem vinte e oito anos, e você tem uns vinte. É apropriado chamar ela de tia? Os professores não ensinaram vocês a tratar os outros com respeito?"
"E-esposa?" A menina de vestido branco ficou tão passada que deixou o gato cair, "Ela é sua esposa?"
Pensei, tipo, a gente não parecia um casal?
Além do mais, ele era só três anos mais novo que eu. Eu, por outro lado, tinha vinte e oito anos, mas meu corpo e rosto ainda tavam em dia.
Pode ter certeza de que eu merecia o Elias.
"É verdade." Me aproximei e olhei pra menina de branco, "Quê? Queria se oferecer se eu não estivesse aqui?"
Ela ficou mortificada e com raiva.
"Você não manda nele." Dei uma bronca nela.
Sabendo que o Elias era casado, as meninas logo foram pra outro lugar pra se divertir.
Elias virou um solitário de uma vez.
Ficamos nos encarando e ninguém ia falar primeiro.
Logo depois, o gato nos braços dele quebrou o silêncio miando. Elias olhou pra baixo e fez carinho na cabeça fofa dele.
Quando vi aquilo, veio um aperto no meu coração de repente.
Ele era mais paciente e gentil com um gato do que comigo.
Comecei a falar sem pensar, tipo, na hora da raiva.
Tinha ficado preocupada com ele a noite toda ontem e não tinha dormido bem, mas ele tava batendo papo com outras meninas no café dos gatos, todo animado.
"Elias, tá se divertindo. Tá feliz de ter se livrado de mim?"
Falei aquelas palavras contra minha vontade, mas na real, só queria que ele me consolasse.
Ao ouvir minhas palavras, o rosto do Elias, que tinha dado uma relaxada, ficou sombrio na hora. Ele falou firme, "Sim."
"Sim o quê?" Pulei e olhei pra ele com firmeza.
"Prefiro conversar com elas do que estar com você." Elias falou, palavra por palavra.
Essa afirmação acendeu minha raiva por completo. Num ataque de fúria, falei sem pensar, "Elias, se você realmente me odeia tanto, vamos logo nos divorciar."
Ele me olhou incrédulo, parecia que ia sair sangue dos olhos, "O que você disse? Diz de novo?"
Sempre fui orgulhosa. Já tinha ido atrás dele pessoalmente e me rendido a ele, mas ele não deu valor e ainda me deu aquele gelo.
Ele realmente achava que eu não podia viver sem ele?
"É a mesma coisa não importa quantas vezes eu diga. Vamos nos divorciar."
Depois de falar isso, fui embora, furiosa.
Mas assim que voltei pro carro, me arrependi.
Como eu pude falar a palavra "divórcio" tão fácil?
Desesperada, só pude ligar pra Iggy, "Iggy, briguei com meu marido."
A Iggy me entende muito bem e me chamou pra conversar num café.
"Você pediu o divórcio pra ele?" A Iggy não se assustou, só tomou um gole de café numa boa.
Balancei a cabeça frustrada.
"É sério?"
"Claro que não." Expliquei correndo, "Só falei na hora da raiva."
"Até uma mulher madura e estável como você pode ser impulsiva quando se trata de relacionamentos." A Iggy me olhou meio zoando e meio divertida.
Sorri amarga.
Eu costumava ser forte e calma diante do mundo dos negócios traiçoeiro. Mas desde que conheci o Elias, fui balançada pela consideração de ganho e perda de vez em quando.
"Qual foi o motivo da briga?" A Iggy perguntou na lata.
"Ian."
"Ah? Seu primeiro namorado?"
Balancei a cabeça, "O Elias nos viu juntos e me entendeu mal."
"Jacqueline, a decisão é sua. Você fica culpando o Elias por não te entender e não ser liberal o suficiente. Na real, ninguém consegue ser muito generoso quando se trata de amor. Dito de outra forma, o fato de ele estar tão irritado hoje é um bom sinal de quanto ele se importa com você."
"É... é assim?" Não tinha certeza.
"Mana, você é esperta, mas já foi machucada como eu, então ficou cautelosa. Todas as suas reações agora são normais."
"Sério?"
"Eu costumava achar que você era meio sem emoção, não em termos da nossa amizade, claro, mas você fazia tudo de acordo com o ROI. Nunca te vi demonstrar suas emoções de verdade."
"Jacqueline, você só é uma mulher que precisa ser amada, apesar de ser presidente, não é?"
"Brigas são inevitáveis na vida de casados. Conversem e vai ficar tudo bem."
"Se vocês nem brigam e se respeitam como convidados, o casamento de vocês vai ser só no papel mesmo."
As palavras da Iggy me iluminaram.
Olhei pra dentro de mim e vi que minha vontade de estar com ele era muito forte, então por que eu briguei com ele e parei de falar com ele?
Que ódio de mim.
Quando saí do café, liguei pro Elias. Esperei um tempão, mas ele não atendeu.
Tentei de novo, mas de novo, ele não atendeu.
Pânico total e fui pra casa correndo, mas o Elias ainda não tinha voltado.
Mais de cinquenta ligações e incontáveis mensagens de texto sem resposta.
Meu coração tava na boca. O Elias teria me atendido depois de todas essas ligações e mensagens, mesmo que estivesse bravo comigo.
Ele não era esse tipo de pessoa.
Ele não era.
Naquele momento, meu celular tocou e atendi sem olhar.
Mas pra meu desespero, era a Yvette, me lembrando de me preparar pra festa de jantar de hoje à noite.
Gritei com a Yvette pela primeira vez, "Que jantar? Não consigo achar o Elias!"
Depois do pânico, me acalmei e pedi pro Neil ligar pro Elias, pensando que ele poderia atender o Neil. Mas depois de esperar um tempão, o Neil me falou.
"Chefa, o celular dele tá desligado."
Não acreditei e tentei por conta própria, e sim, tava desligado mesmo.
O Neil me tranquilizou, "Chefa, não se preocupa. Talvez o Elias só esteja bravo e se escondendo por um tempo. Quando ele se acalmar, com certeza vai voltar pra você."
Fiquei preocupada, "Ele corre perigo?"
"Como assim? O Elias é um adulto e, pelo que eu sei, ele é mais maduro e estável que eu. Ele é esperto demais pra se colocar em perigo. Mesmo que acontecesse algo com ele, alguém que soubesse não te informaria primeiro?"
Balancei a cabeça. A análise do Neil tinha um pouco de verdade.
Tinha ficado cheia de preocupação.
"Chefa, a Yvette disse que você vai pra uma festa de jantar hoje à noite e é importante. Deixa eu ir com você. E as paradas sobre o Silvan, você ainda quer seguir com isso?"