Capítulo 7: Ele é o Homem que Eu Gosto
"Come primeiro o macarrão." Ele recuou e foi embora, mas foi um acordo indireto com o meu pedido.
Na real, eu tava sem muita fome, e comer macarrão era só uma desculpa pra ele ficar. Comi o macarrão meio morna, de olho nele. Uma pessoa bonita, com uma boa vibe, mesmo sentada quieta, era um colírio pros olhos.
Naquele momento, **Elias** tava sentado no sofá, sem ver TV nem ler revista, só olhando pra janela lá no fundo. O perfil dele era perfeito.
Eu tava comendo meu macarrão, mas deu sede.
Depois de acabar o macarrão, fui até ele e falei: "Tudo no quarto de hóspedes é novinho em folha, você pode ir dormir lá."
Ele respondeu suave, olhando pra mim com os olhos claros, e aí me perguntou: "Ainda tá tonta?"
A preocupação repentina até que me tocou um pouco.
**Elias** não era um cara metido, e às vezes era até teimoso. Ele não cedia nem um pouco, mesmo que oferecessem uma grana preta, desde que ele estivesse decidido ou não quisesse.
Mas essa era uma das principais razões pelas quais eu admirava ele.
Um homem que conseguia se impor e manter a linha e os princípios diante da tentação, era autossuficiente, autodisciplinado e independente.
O que era um homem com essa personalidade, se não um tesouro?
Ele era um pedaço de jade lindo, mas agora coberto de poeira e, por isso, não descoberto.
Mas eu tava feliz por ter achado ele primeiro.
"Tô bem." Sorri pra ele, super de bom humor.
Sentei do lado dele e ele não me rejeitou, só perguntou: "O que você tava fazendo lá?"
Não era uma pergunta bem maliciosa?
Mas, vendo que ele fingia que não se importava, mas tava com a orelha em pé, achei engraçado e quis provocar: "Você me diz, qual seria a outra razão pra ir lá de noite?"
Claro que a cara bonita dele ficou emburrada quando ouviu isso.
Ri por dentro, mas continuei provocando: "Por que essa cara? A boate tem direito de abrir, mas a gente não tem direito de consumir? Além disso..."
Arrastei a voz: "Você tava lá também, não tava?"
Ele falou palavra por palavra, com a cara séria: "Eu tava lá pra trabalhar."
"Coincidência, eu fui lá gastar dinheiro. Se eu não consumisse, como você ia ser pago?"
"**Jacqueline**!"
"Tô aqui." Esfreguei as orelhas: "Não sou surda e não precisa gritar, tá bom?"
Ele respirou fundo: "Eu tenho um motivo forte pra trabalhar lá. E você, você é mulher e vai ser alvo lá... Não aprendeu a lição hoje? Se eu não tivesse aparecido, acha que ia conseguir lutar com um cara com a sua força?"
Falei numa boa: "Não me subestime. Pelo menos aprendi um pouco de defesa pessoal."
"Ah, é?" Ele agarrou meu pulso muito rápido e me prensou no sofá.
Tentei me mexer, mas ele apertou mais forte.
Ele segurou meus pulsos com as duas mãos e juntou minhas coxas, olhando pra mim por cima, com o cheiro dele grudado em mim.
Eu parecia meio tonta de novo.
"O que você tá fazendo?" Apesar de meu corpo não se mover, ainda falei teimosa: "Não é impossível se você quiser. Tá procurando um pouco de emoção?"
Os olhos dele estavam escuros: "**Jacqueline**, não arranja confusão. Acha que consegue escapar se outro cara te agarrar como eu?"
Ele perguntou sério, e tava me ensinando de verdade, que mulher tem que saber se proteger quando tá na rua.
Por que ele era tão fofo?
"Você tá certo. Se outro me agarrasse assim, eu não ia conseguir escapar." Balancei a cabeça com seriedade.
Ele suspirou um pouco, aliviado.
Agora que nós dois tínhamos nos acalmado, o rosto bonito de **Elias** ficou mais vermelho que um camarão cozido quando viu como a gente tava íntimo.
Ele tossiu um pouco, levantou e quis sair.
Mas assim que ele se mexeu, coloquei meus braços em volta do pescoço dele e puxei ele pra baixo.
Como fiz com pressa, meus lábios encontraram os dele. Os lábios dele eram macios e um pouco quentes, e fechei os olhos, querendo aproveitar o momento.
Mas no momento seguinte, ele fugiu de quatro, em pânico.
O ar frio me atingiu na hora.
"Já é tarde. Você devia ir dormir." Com isso, ele fugiu pro quarto de hóspedes. No meio tempo, ouvi um baque, como se a cabeça dele tivesse batido na porta.
Não consegui segurar a risada.
Ele era tão fofo!
No dia seguinte, quando acordei, **Elias** já tinha ido embora. Na mesa, tinha uma tigela de mingau, um ovo cozido e um prato com acompanhamentos.
Pensei um pouco e disquei o número de **Elias**. Demorou um tempão pra ele atender, e ele parecia meio ocupado.
"Que horas você saiu? Obrigado pelo café da manhã, adorei."
"Entendi." Ele falou: "Tô meio ocupado agora. A gente se fala depois."
"Ok."
Olhei o café da manhã na mesa e comi tudo.
Quando cheguei no escritório, **Yvette** fez uma xícara de café preto pra mim, como sempre. Balancei a mão: "Deixa aí."
**Yvette** ficou meio surpresa: "Chefa, você não vai tomar uma xícara de café preto de manhã?"
"Bem," Liguei o computador e sorri pra **Yvette**: "Já comi o café da manhã hoje e não tô com fome agora."
**Yvette** era tão esperta que conseguiu ler um monte na minha expressão de uma vez: "Chefa, você ficou com o **Sr. Silva** ontem à noite?"
"Sim." Murmurei: "Tava pensando que seria legal acordar e ter alguém preparando o café da manhã pra mim todo dia."
Depois daquele dia, fui na boate mais algumas vezes, duas com **Iggy** e o resto das vezes sozinha.
Não por nenhum outro motivo, mas porque **Elias** trabalhava lá.
Perguntei pro gerente da boate e ele me disse que **Elias** não era funcionário fixo da boate, mas só meio período, então o salário e os benefícios de **Elias** eram muito menores que os de um funcionário fixo, e era mais fácil pra ele ser intimidado.
Essa noite, tinha acabado de entrar na boate quando vi um monte de gente reunida não muito longe. Avistei **Elias** no meio da multidão.
Ele tava cercado pela multidão.
Meus olhos estreitaram um pouco e fui até ele.
Um garçom bonitão apontou pro **Elias** e falou, afirmando: "**Sr. Jenkins**, foi **Elias** que roubou. Eu vi com meus próprios olhos e aqui tá a prova, que eu achei na bolsa dele."
O gerente pegou a bolsa, deu uma olhada e virou pro **Elias**: "Você roubou mesmo?"
"Não." Ele respondeu, rígido.
"Como ousa dizer que não?" O garçom que acusou ele zombou: "Até fiz um vídeo. Se não acreditar, **Sr. Jenkins**, dá uma olhada." No vídeo, **Elias** tava colocando alguma coisa na bolsa.
O gerente viu que as coisas dos convidados estavam largadas e não queria fazer muita confusão, então falou pro **Elias**: "Temos regras no clube. Pelo fato de você ter trabalhado com seriedade, não vou chamar a polícia hoje. Você vai embora depois de receber o pagamento. Todo mundo, volta ao trabalho. O que estão fazendo aqui?"
"**Sr. Jenkins**!" O garçom falou, inconformado.
"Não tá certo." Interrompi o garçom furioso e fui até eles: "Como pode presumir que ele roubou alguma coisa, se as coisas nem foram investigadas ainda? Além disso, ele já negou, vocês não entenderam ou não querem entender?"
Quando o gerente viu que era eu, falou sorrindo: "**Srta. Thompson**, o que você tá fazendo aqui? Sinto muito por você ver essa bagunça."
"**Sr. Jenkins**, não fala de outra coisa, só dá uma chance pra ele se defender." Apontei pro **Elias** enquanto falava pro gerente: "Nunca faça mal a uma pessoa boa."
"Bem..." O gerente sorriu: "Mas a prova..."
"Que prova? É só um vídeo borrado." Juntei os braços e olhei com zombaria pro garçom que acusava **Elias**: "Qualquer um pode editar e fazer vídeos falsos hoje em dia. Esse vídeo só mostra o **Elias** colocando alguma coisa na bolsa, e não mostra que é hoje, sem falar que é fácil incriminar uma pessoa."
Quando terminei de falar, o garçom corou, mas ainda se recusou a desistir. Ele sabia que eu era uma cliente que não podia ser ofendida e só podia descontar sua raiva em **Elias**.
"Ele é um encrenqueiro. Ofendeu uma menina rica uns dias atrás. Tratou ela com frieza quando ela só convidou ele pra tomar um drinque. **Sr. Jenkins**, a menina rica disse que nunca mais viria aqui."
"E daí?" Olhei minha manicure recém-feita: "Tem alguma relação direta com a sua calúnia de que ele roubou?"
"Eu não caluniei ele."
"Não me importo se você caluniou ou não." Olhei os chamados objetos pessoais na bolsa e resmunguei: "É isso? Talvez você não saiba, tô afim do **Sr. Silva**. Mandei pra ele relógios de luxo e carros esportivos, mas ele nem se deu ao trabalho de olhar. Ele nem quis os carros esportivos e os relógios que foram mandados pra porta dele, por que ele ia se importar com essas coisas?"
A boca do gerente ficou tão aberta que podia engolir um ovo.
O garçom tava tão revoltado que começou a tagarelar desesperado: "Você deve ter se interessado por ele, por isso ajudou ele."
"Sim." Admiti abertamente: "Não só tô afim dele, como quero que ele seja meu marido."