Capítulo 59: Ele veio como um deus
“Na real, eu também curto o oceano, só que ele muda tanto que, se não tiver nada pra segurar, forma umas ondas monstras e afoga tudo.”
“É.” Eu me afastei sem deixar rastros, fugindo dele. “Sr. Jennings, eu te convidei só pra me desculpar direito com você dessa vez. É muito f*da pra gente completar a encomenda em dez dias. Se você puder dar mais um tempo pra gente, eu vou ser muito grata.”
“Ah, como você vai me agradecer?”
Os olhos dele ficaram me secando, sabe?
Eu gritei no meu coração.
Não esperava que esse coroa fosse desses que recusa ninguém.
Ele ficou afim de mim, tipo, depois de pegar tanta mulher bonita. Eu não ia estar com medo, mas agora só tinha a gente no navio, fora o cozinheiro dele. Então, se ele realmente quisesse aprontar, ia ter que dar um chega pra lá nele.
Mas aí eu ia ofendê-lo ainda mais.
“Sr. Jennings, se você prometer me dar um tempo, quando você for pra TR no futuro, eu te trato com toda a hospitalidade.”
“Não quero no futuro. Quero agora.” A paciência do Jennings pareceu ter acabado e ele me abraçou na hora. “Sra. Thompson, pra ser sincero, quando te vi pela primeira vez, achei que você tinha um cheiro especial.”
Quase vomitei quando ele me abraçou de repente.
“Sr. Jennings, se comporte, por favor.” Eu lutei pra me soltar dele.
“Sra. Thompson, se você ficar comigo por uma noite, posso até te dar seis meses, que dirá dez dias. Eu tenho esse direito. Você cheira muito bem, como rosas.”
Nesse ponto, eu me arrependi mil vezes.
Devia ter ouvido o presidente da filial ou, pelo menos, ter tomado uma precaução.
Ele era um cara de sessenta anos. Se eu realmente quisesse brigar, ele não ia necessariamente me vencer.
Mas a situação ia ficar mais complicada.
Eu tava pensando nisso quando uma mão veio e jogou o Jennings pro lado como se fosse lixo.
Um homem vestido de chef apareceu na minha frente.
Eu respirei aliviada.
Não esperava que um cozinheiro do navio dele fosse ajudar os outros por uma causa justa. Eu ia agradecer quando ele virou e me encarou com um olhar nada amigável.
“Eli…”
Ele levantou um dedo e mandou eu fazer silêncio.
Eu balancei a cabeça e fiquei de boca fechada.
Jennings, um velho, foi jogado por um cara jovem treinado e não conseguiu levantar por um tempo.
“Vamos.” Elias pegou na minha mão e se preparou pra ir embora.
“Ir? Pra onde?” A gente tava no oceano. Íamos pular do navio?
Eu olhei pra cima e vi um jato particular pairando sobre o navio.
Tinha um lugar pra estacionar no navio. Depois que o avião pousou, Elias pegou na minha mão e foi andando pro avião.
“Vamos.”
Foi a primeira vez que eu olhei pro oceano de um avião particular.
O mar escuro, que até agora tinha sido um mistério, ficou misterioso e gentil naquele momento.
Falaram que se a vista é boa ou não, tem a ver com as pessoas que tão do seu lado.
Eu olhei pro Elias.
Ele ainda tava com o uniforme de chef, mas a aura dele não tava sendo segurada pelo uniforme.
Vendo que eu não parava de olhar pra ele, os olhos dele suavizaram aos poucos, mas o tom ainda tava meio ruim, “Por que você tá me olhando?”
Ele tava bravo?
Foi porque eu fui sozinha na toca do lobo hoje à noite?
O avião parou numa mansão nos arredores da cidade.
Era bem escondida e limpa, o que mostrava que cuidavam dela sempre.
Eu fui pega pelo Elias na frente do cara que tava pilotando o avião assim que saí. Eu dei uma lutada, mas ganhei um olhar nada amigável dele.
Eu me calei na hora.
“Volta pra casa primeiro.” Elias mandou pro cara que tava pilotando o avião.
“Sim, Sr. Silva.”
Elias me carregou até a mansão, subiu pro segundo andar e depois me jogou na cama.
Sim, ele me jogou.
Eu até pulei porque a cama era muito macia.
Eu tava quase levantando quando o Elias já tinha me segurado, me trancando entre a cama e ele.
O cheiro familiar veio e as memórias do passado também. Talvez eu estivesse seca demais, meu corpo ficou inexplicavelmente mole quando ele chegou perto de mim.
Ele pegou nas minhas mãos com as duas mãos e a voz dele ficou um pouco grave, “Jacqueline, por que você é tão impulsiva?”
Eu fiquei em silêncio.
“Você preferiu ir no encontro com aquele velho em vez de vir me pedir ajuda?”
Eu continuei em silêncio.
“Você sabe o que ia acontecer com você se eu não tivesse ido hoje à noite?”
Eu olhei pro lado, “Não se preocupa. Eu ia dar um jeito.”
Ele de repente riu e me segurou, “Você ia dar um jeito? O quê? Consegue se soltar de mim agora?”
Eu lutei um pouco e vi que realmente não tinha nada que eu pudesse fazer.
“Jacqueline, nunca subestime a força de um homem, principalmente um que tá com tesão, mesmo que ele tenha sessenta anos.”
“Sabe de uma coisa?”
Ele zombou, “Ele pediu pro chef colocar drogas no seu jantar. Se você comesse, ia ser refém dele.”
Foi aí que eu fiquei com medo.
“Jacqueline,” ele acabou de me assustar e começou a me enrolar, “Se você me pedir, eu faço aquele velho nunca mais voltar.”
Eu falei, meio burra, “Agora não.”
Os olhos dele se estreitaram um pouco.
“Só quando a parceria dele comigo for concluída com sucesso, aí eu não tô nem aí se ele vive ou morre.”
Elias sorriu gentilmente e falou, “Ok, do jeito que você falou, eu vou fazer ele pagar quando as coisas terminarem bem.”
“O quê?”
“Mesmo que você não viesse até mim,” Elias fez uma pausa, “Eu ia te ajudar incondicionalmente.”
Ele levantou, me puxou com cuidado, me levou pro escritório e me entregou um documento.
Eu abri e fiquei chocada.
“Eu pedi pro meu assistente cuidar disso. A encomenda vai chegar em segurança e tranquila pro Jennings em dez dias.”
Eu não sabia o que dizer na hora.
Devia agradecer?
Ou devia dizer que ele tava me devendo por ter feito isso?
“Jacqueline, tem alguma coisa que você quer me dizer?” Ele me olhou com expectativa.
Eu abri os lábios, “O que você quer de mim?”
Os olhos dele escureceram.
“Você quer que eu passe a noite com você, ou você quer o Nicholas? Se for o segundo, posso te dizer que eu nunca vou dar ele pra você. Ele é uma parte de mim e eu não vou dar pra ninguém, nem pra você.”
“Jacqueline…” Ele fez carinho no meu rosto com cuidado e delicadeza, “Você tá falando isso de propósito pra me irritar ou você só tá fraca? Como eu ia tirar o Nicholas de você ou te insultar?”
Ele encostou a testa na minha, “Eu só quero estar com você, como era há cinco anos.”
Por um segundo, eu me perdi na suavidade dele, mas no segundo seguinte, eu reagi.
Ele ia ficar noivo da Tina em três meses.
A gente não tava no mesmo mundo, mas eles estavam.
Eu dei um passo pra trás, “Eu agradeço, mas não vai rolar se a gente tiver que começar de novo.” Eu sorri amargamente, “Eu não quero ser sua amante secreta.”
De noite, eu rolei na cama, sem conseguir dormir.