Capítulo 47: Homens seriam apenas um fardo para mim
Se eu não estivesse ligada no meu status, eu podia ter dado um pau no Elias, mesmo.
Mas eu não podia nem encostar nele.
Ele era o filhote do Consórcio Silva e, depois do jantar de hoje, ia virar o cara no comando do Consórcio Silva.
Se o Grupo TR quisesse cooperar com o Consórcio Silva, eu tinha que ser respeitosa com ele.
Foda-se.
Como eu ia suprimir a vontade de socar ele quando eu pensava que esse cara me fez esperar cinco anos e na possibilidade de que ele só brincou comigo e, no final, foi embora depois de ficar entediado e ainda riu de mim pelas minhas costas, provavelmente?
A menina ficou meio nervosa quando me viu com os dentes cerrados e os punhos fechados, "Jacqueline, o que foi?"
"Eu tô bem." Eu forcei um sorriso, "Eu tô okay."
Ela fez uma careta, "Mas eu sinto que você quer bater em alguém."
Bem, crianças eram observadoras, hein.
Então ela perguntou, "Jacqueline, você não gosta do Elias? Ele é bem legalzinho e você vai ver isso depois que passar um tempo com ele."
Eu ri por dentro.
Ele era bem legal mesmo.
Ele tinha agido tão bem que me enganou.
"É mesmo?" Eu sorri.
Fui falar com o Ian depois de me trocar.
Só que a cara do Ian não tava muito melhor que a minha.
E ele me olhou meio que fugindo com os olhos, como se quisesse dizer alguma coisa.
"Jacqueline, tem uma coisa que eu quero te contar, mas você precisa estar preparada, e é sobre o Consórcio Silva..."
Eu estendi a mão pra ele parar, "Não precisa dizer. Eu sei de tudo. O herdeiro do Consórcio Silva não é outro senão o meu marido Elias, que estava desaparecido há cinco anos."
O Ian ficou chocado, "Você sabia? Como?"
Eu não podia estar melhor, "Eu esbarrei com ele."
O Ian ficou em silêncio por um tempão antes de encontrar a voz, "Então o que você... o que você vai fazer?"
"Como assim?" Eu perguntei de volta.
Ele olhou cauteloso, "O Grupo TR precisa trabalhar com o Consórcio Silva pra expandir os negócios, mas agora..."
"Agora o quê? Negócios são negócios. Eu nunca agi por impulso."
O Ian não me olhou mais preocupado, mas sim admirado, "Jacqueline, você conseguiu chegar nessa posição hoje por mais do que só inteligência. Você tem uma cabeça que as mulheres normais não têm."
"Ah, é mesmo?" Eu debochava, "Você tá me bajulando. Eu mal posso esperar pra fazer tudo de sparring, taekwondo e judô que eu aprendi no Elias."
O Ian ficou sem palavras.
Eu percebi que ele engasgou e se afastou um pouquinho de mim.
Do que ele tinha medo?
Eu não era nenhuma tigresa. E, além disso, eu não atacava aleatoriamente.
A festa começou pontualmente às 19h.
O Consórcio Silva tava no ramo há 100 anos. A riqueza deles não podia ser comparada com a lista dos ricos e eles tinham o prestígio e o status que pessoas comuns não podiam imaginar.
A festa de hoje juntou todas as pessoas mais importantes e prestigiadas do mundo.
Eu só tinha visto alguns deles na TV antes.
Mas quando eles souberam que o presidente do Consórcio Silva e sua esposa iam vir, todos sentaram direitinho com muito respeito.
O Ian sentou do meu lado e me apresentou, "Terence Silva, presidente do Consórcio Silva, tem cinquenta e três anos, e sua esposa, Rosie Silva, tava se recuperando na Nova Zelândia há uns anos atrás."
Eu balancei a cabeça.
"Eu ouvi do meu amigo que a esposa dele é gentil e nunca trata mal as pessoas que trabalham pra ela, como a patroa que administra uma propriedade tão grande."
Eu olhei pra ela.
Dizem que a aparência tem muito a ver com a personalidade da pessoa. A Sra. Silva tinha um rosto bondoso e parecia mesmo ser uma pessoa tranquila, mas não o marido dela.
Ele era bem bonito e devia ser um homem charmoso quando era mais novo. Mesmo velho, a aura poderosa dele ainda deixava as pessoas com medo de olhar diretamente pra ele.
Na verdade, o Elias era mais parecido com a mãe dele.
Eu quis dizer a aparência.
Quanto à personalidade...
Quem sabe se ele não estava fazendo palhaçada quando estava comigo?
"Hoje à noite, a Sra. Silva vai vender uma safira para o maior lance." O Ian disse.
O Consórcio Silva não tava vendendo por dinheiro. Eles deviam ter outra coisa em mente.
"Jacqueline, a gente não tenta?"
"Por que não? Não é como se o nosso Grupo TR não tivesse dinheiro."
Terence fez um discurso e deixou o leilão com a Sra. Silva, que olhou em volta com um sorriso caloroso e disse, "É uma honra para mim e para o meu marido que vocês estejam reunidos aqui hoje. Eu gostaria de vender uma safira."
Quando ela terminou, uma menina delicada, usando luvas, apareceu com uma caixa preciosa nas mãos.
A Sra. Silva mandou ela abrir a caixa.
"Essa safira é..." Depois de apresentar a origem da safira, ela disse, "O preço inicial é de cinco milhões de dólares e o maior lance ganha. Eu vou doar todo o dinheiro para caridade."
"A seguir, meu filho vai presidir o leilão."
Assim que a Sra. Silva terminou de falar, um homem esguio, num terno preto de alta costura, entrou em cena. Quando ele apareceu, meus nervos ficaram à flor da pele.
Não por nenhum outro motivo, mas porque ele fixou o olhar em mim depois de olhar em volta.
"O que você tá olhando? Eu não sou a pessoa que você pode olhar.
Se você continuar me olhando, eu vou arrancar seus olhos."
Eu tava xingando ele no meu coração enquanto sorria calmamente.
O olhar dele ficou em mim por um tempão. Só até a Sra. Silva lembrar ele que ele tirou os olhos e disse com uma voz grave, "O leilão começa oficialmente."
"Seis milhões..."
"Sete milhões."
"Nove milhões..."
Vendo o preço subir cada vez mais, o Ian não conseguia ficar quieto, "Jacqueline, você não quer tentar?"
Eu entrei na onda, "Qual a pressa?"
Quando o preço chegou em 36 milhões, eu finalmente levantei a minha plaquinha, "Quarenta e cinco milhões."
Todo mundo na sala ficou chocado e olhou pra mim.
Pra ser sincera, a safira parecia valer uma grana, mas especular nela por centenas de milhões de dólares era meio inflacionado.
Essa safira era só um teste pro Terence testar todo mundo aqui.
Elias também olhou pra mim com um olhar que parecia impenetrável.
Eu encontrei o olhar dele sem pressão e disse pra ele com ação que eu não estive miserável, mas melhor nos cinco anos depois que ele foi embora.
Homens só iam me atrasar.