Capítulo 56: Uma tempestade de ciúmes
Eu engasguei.
Ian sorriu, constrangido.
Depois de mandar Ian embora e colocar Nicholas na cama, eu ia cuidar de umas coisas de trabalho no sofá.
Assim que sentei, ouvi a campainha tocar.
Eu achei que Ian tinha voltado pra buscar alguma coisa que esqueceu, então fui abrir a porta.
Mas eu vi Elias parado na porta com uma cara fechada quando eu abri.
A minha primeira reação foi fechar a porta.
Ele foi mais rápido do que eu e segurou a porta com uma mão, "Eu estou sem molho de soja, posso pegar um pouco emprestado de você?"
"Eu não tenho molho de soja", eu disse friamente.
Ele riu, "Eu entro e saio da sua cozinha todos esses dias. Como eu não saberia se você tem molho de soja ou não?"
Parecia que ele tava tentando invadir a minha casa.
Infelizmente, eu também não sou trouxa.
"Elias, não dá pra você ser menos sem-vergonha? Você não quer só se divorciar de mim e casar com Tina? Eu vou fazer isso acontecer. Te vejo no Cartório amanhã."
"Não..."
Eu nem ouvi a explicação dele. Talvez eu tenha ficado furiosa, eu bati a porta com força, sem nem pensar, quando a mão de Elias ainda estava na porta.
Com um gemido de dor e o som de ossos quebrando, eu sabia que tinha me metido em problemas.
O hospital estava todo iluminado à noite, mas silencioso.
O médico no departamento de emergência enfaixou a mão de Elias e me deu uma bronca, "Não transforme briga de casal em briga de verdade. Sorte que não foi muito sério. Se fosse uma fratura exposta, você ia chorar."
Eu fiz a coisa errada e não ousei retrucar, então abaixei a cabeça e ouvi o médico me repreender.
Elias me ajudou, "Vai buscar os meus remédios."
Eu fiquei tão aliviada que corri para buscar os remédios.
Só fomos pra casa às três da manhã.
Eu ajudei Elias a sentar, dei água pra ele tomar o remédio enquanto dava uma olhada melhor na casa dele.
A decoração de interiores tinha um tom frio, preto, branco e cinza, limpo, mas impessoal.
Era o estilo que eu gostava.
Mas, desde que eu tive Nicholas, meu mundo inteiro ficou colorido, então eu morava em um lugar que era decorado com um tom quente agora.
A voz de Elias veio lentamente, "Eu estou bem. Pode ir pra casa agora."
Esse cara estava jogando comigo?
A mão dele foi machucada por mim e agora ele me pede pra ir embora de um jeito lamentável?
Que falso!
Eu revirei os olhos pra ele e entreguei o copo d'água, "Eu volto quando tudo estiver feito. Você não precisa me apressar."
Ele olhou pra baixo e bebeu água, seus olhos piscando levemente, "Eu não estou te apressando."
"Eu vou voltar e ver como está Nicholas. Descanse um pouco e eu volto mais tarde."
Para evitar o perigo de Nicholas ficar sozinho em casa, eu tinha pedido para Yvette vir na minha casa, mesmo que eu estivesse me sentindo culpada por isso.
Yvette abriu a porta.
"Chefa, como está o Sr. Silva?"
"Só chama ele de Elias." Por que tão formal com ele?
Yvette pareceu olhar pra baixo e sorrir com a minha aflição.
"Ok, então, como está o Elias?"
Eu disse com uma cara séria, "Os ossos dele fraturaram."
"Fraturaram?" Yvette olhou incrédula, "Como os ossos dele puderam fraturar só por ficar preso em uma porta?"
O que era impossível? Eu tinha usado tanta força e a minha porta era tão grossa e pesada.
O médico estava certo que Elias teve sorte de não sofrer uma fratura exposta.
Yvette tossiu levemente e disse de uma maneira séria, "Chefa, Elias está cozinhando e fazendo tarefas para você e Nicholas há alguns dias. Você tem que ser legal com ele, mesmo por causa do Nicholas, certo? Afinal, ele é o verdadeiro pai de Nicholas, não é? Eu vou cuidar de Nicholas por alguns dias para que você possa ir cuidar dele e compensar o seu erro."
Eu abri a boca e quis retrucar que eu não tinha feito nada de errado, mas finalmente me calei.
Bem, eu machuquei a mão dele.
Quando eu voltei para a casa de Elias, a luz ainda estava acesa na sala dele, mas ele tinha ido embora.
Eu segui a luz fraca para o quarto e o encontrei já dormindo na cama.
Eu fiquei parada na porta por um momento antes de estar pronta para ir embora, quando ouvi ele dizer, "Jacqueline, não vá."
Eu imediatamente me virei.
No momento seguinte, eu fiquei aliviada que ele só estava falando dormindo.
No entanto, depois de ouvi-lo falando dormindo, eu não estava com pressa para ir embora e fui direto para ele, sentei do lado dele e perguntei com uma voz suave, "Elias, você ama Tina?"
Eu não sabia o que eu estava fazendo em perguntar uma coisa dessas.
Eu sentia que estava indo pra trás na minha vida.
Iggy tinha me ensinado a ser liberal, mas eu não estava nada liberal agora. Eu não era mais ousada e confiante.
Eu me levantei para ir embora.
Eu não esperava que ele me respondesse.
Ele disse, "Eu não amo Tina. Eu só amo uma pessoa e essa é Jacqueline."
Como uma pessoa pode falar dormindo tão claramente e até responder a pergunta?
Eu zombetei, abracei os meus braços no meu peito e observei ele atuando, "Elias, você não precisa atuar."
Elias lentamente abriu os olhos e me encarou com amor e ternura. Essa expressão me deixou com um pouco de medo de olhar diretamente para ele.
Eu estava com medo de cair mais uma vez na ternura dele.
"Jacqueline..."
"Não me chame."
Ele fechou a boca em mágoa.
Por causa do machucado dele, eu suavizei um pouco o meu tom, "Durma um pouco. Me ligue se precisar de alguma coisa. Eu vou ficar na sala."
Ele assentiu.
O machucado dele levaria um tempo para se recuperar.
Enquanto Elias estava dormindo, eu fiz umas pesquisas pra ver o que ele podia comer para fazer a fratura sarar mais rápido.
Eu fiz isso unicamente porque eu queria terminar com ele logo, não por preocupação.
Eu adormeci no sofá sem perceber antes do amanhecer.
Na minha tontura, alguém veio até mim, gentilmente me cobriu com um cobertor e sentou-se silenciosamente ao meu lado por um longo tempo.
No dia seguinte, eu fui acordada pela campainha.
Eu acordei atordoada e fui abrir a porta, mas não esperava que a pessoa parada na porta fosse Ian.
"Quem é?" Elias saiu do quarto.
Nós três estávamos cara a cara em uma atmosfera estranha.
O rosto bonito de Elias rapidamente ficou sombrio.
"O que você está fazendo aqui?" Eu perguntei para Ian.
"Eu vim visitar você e Nicholas, mas Yvette disse que o Sr. Silva machucou a mão e eu achei que você não tinha experiência em cuidar de machucados, então seria melhor se eu viesse."
Deixar Ian cuidar de Elias?
Ele não ia envenenar Elias em segredo e fazer dele um idiota?
Claro, isso foi só uma piadinha minha. Quer dizer, como Elias estaria disposto a deixar Ian cuidar dele?
Com certeza, Elias riu, "É só um machucado leve. Como posso te incomodar, Sr. Yates?"
"Tudo bem, eu não tenho nada pra fazer mesmo. Mas Jacqueline é diferente. Ela tem que cuidar de Nicholas e lidar com a empresa, diferente de alguém que jogou as coisas nos outros por cinco anos."
Eles iam brigar se continuassem discutindo?