Capítulo 15
A notícia se espalhou rapidinho na manhã seguinte. O Prefeito tinha morrido. A notícia caiu como uma bomba na cidade. Todo mundo ficou confuso, porque ele tinha acabado de fazer um discurso no dia anterior e parecia super bem. Ninguém entendia a causa da morte dele, que foi revelada como queimaduras graves. Ninguém sabia, exceto duas pessoas.
Julião estava sentado na sua mesa naquela manhã, com a raiva fervendo por dentro. A notícia não foi nenhuma surpresa pra ele, que tinha sabido mais cedo, antes de sair de casa. Afinal, depois de tudo que ele tinha passado, já esperava algo assim. O que o deixou furioso foi que Randal nunca tinha entrado em contato com ele ou com Nancy depois daquele dia. Julião tinha ligado pra ele várias vezes no celular, mas ele não atendia. Julião fechou os punhos. Aquilo tudo estava botando uma pressão na cabeça dele e ele precisava de um alívio antes de ter um treco.
Uma batida na porta o trouxe de volta à realidade.
"Entra", ele disse.
A porta abriu e Nancy entrou. Quando ela chegou perto da mesa dele, os dois trocaram um olhar de cumplicidade. Julião sabia que ela tinha visto a notícia.
"Eu estou convencida agora", ela disse, parada na frente da mesa dele.
Ele balançou a cabeça em silêncio. Ele também percebeu o cansaço no rosto e na voz dela.
"Não conseguiu dormir?", ele perguntou.
"É", ela concordou com a cabeça. "Depois que você saiu de casa ontem, eu tive que fazer uma pesquisa profunda. Acho que encontrei a resposta para o seu problema."
Julião se inclinou na cadeira. Um brilho de esperança apareceu nos olhos dele.
"Eu vi uma coisa num site", ela continuou. "A origem da tatuagem que você continua vendo."
Nancy encarou a porta, como se estivesse esperando alguém entrar a qualquer minuto. Julião seguiu o olhar dela.
"Acho que é melhor eu ir na sua casa mais tarde hoje", ele disse, voltando a atenção para ela.
"Beleza", ela respondeu, um pequeno sorriso no rosto. "Pelo menos você está me avisando dessa vez. Não vou ter nenhuma visita inesperada como da última vez."
Julião quase se encolheu na cadeira de vergonha.
"E da outra vez, antes...", ela acrescentou.
"Tudo bem, já entendi", ele murmurou, cortando-a.
Ela riu e foi em direção à porta dele. Julião de repente se lembrou de uma coisa.
"Ei, Nancy", ele chamou.
"Oi?", ela se virou.
"As tatuagens não foram a única coisa que eu vi", ele disse. "Naquele dia na feira, eu vi outra coisa. Alguém, pra ser preciso. A figura sombria. Parecia um monstro."
"Julião, eu não ligo para o que você viu até agora", Nancy retrucou, os olhos brilhando em determinação por trás dos óculos. "Eu não ligo se é Freddy Krueger, Jason Voorhees ou Pennywise, o palhaço dançarino. Nós vamos vencer essa parada e vamos vencer juntos. Está na hora de pararmos de nos esconder e encarar essa coisa de frente. Nós podemos vencer isso, acredita em mim."
Julião olhou para ela surpreso. Aquela foi a primeira vez que ele a viu mostrar tanta coragem. Ele não conseguia explicar, mas o olhar nos olhos azuis dela deu um pouco de confiança.
"Tudo bem, Nancy", ele concordou com a cabeça. "Eu vou estar na sua casa hoje à noite."
Nancy concordou de volta e saiu do escritório dele.
Três horas depois, enquanto Julião trabalhava no laptop, o telefone tocou, sinalizando uma mensagem. Ele checou a tela e viu que era de um número desconhecido. Ele abriu a mensagem e leu:
'O caminho que você está seguindo é perigoso. Desista dessa busca inútil se quiser viver muito.'
Os olhos de Julião se encheram de fúria ao ler a mensagem. Quem quer que a enviou estava tentando enfraquecê-lo mentalmente. Alguém estava monitorando ele. Bem, esse era o funeral da pessoa.
"Seja quem for", ele rosnou enquanto olhava para a mensagem. "Você vai cair. Traga a luta. Eu estou pronto."
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