Capítulo 17
Sábado chegou tão de repente. Nancy piscou, desconfortável, enquanto os raios do sol dançavam pela janela e batiam nos olhos dela naquela manhã. Era um daqueles momentos em que ela queria estar usando seus óculos. Ela apertou os olhos para a janela e virou a cabeça para o outro lado. Seus olhos imediatamente encontraram os de Julião. As memórias das atividades deles na noite anterior inundaram sua mente enquanto ela olhava para baixo, para o lençol cobrindo seus corpos nus. Um pequeno sorriso surgiu, pois ela sabia que valia a pena. Afinal, foi a primeira vez, e ela não teria pensado em fazer melhor do que dar para o homem que conquistou seu coração desde jovem. O orgulho encheu seu coração quando ela comparou a semelhança entre ela e a protagonista feminina de um de seus romances.
"No que você está sorrindo?" A voz de Julião interrompeu seus pensamentos.
Ela envolveu o braço na cintura dele e encostou a cabeça em seu peito nu. Julião passou a mão suavemente pelo cabelo de ébano dela.
"Nada sério." Ela respondeu.
Ela levantou a cabeça para olhar para ele.
"Você sabe por que minha cor favorita é verde?" Ela perguntou.
"Não." Julião ficou surpreso com a pergunta dela.
"É porque é a cor dos seus olhos." Ela cutucou o nariz dele.
"Você está sendo boba." Ele balançou a cabeça.
Ela riu descontroladamente e deitou a cabeça no peito dele novamente.
"Ei, temos que ser bobos de vez em quando. De vez em quando, pelo menos." Ela disse.
"Bem," ele cantarolou. "Não posso argumentar com isso. Mas não espere ver nada de mim."
Houve silêncio por um tempo.
"Você vai dormir aqui?" Ela perguntou a ele.
"Bem..." Ele fingiu pensar sobre isso.
"Por favor." Ela levantou a cabeça e soltou sua arma. Seu olhar arregalado e de olhos azuis.
"Tudo bem," ele revirou os olhos. "Mas vou precisar ir para casa pegar algumas coisas."
Cerca de trinta minutos depois, o casal saiu da cama. Julião vestiu suas roupas do dia anterior, enquanto Nancy vestia uma camiseta grande. Eles entrelaçaram os braços enquanto caminhavam para a sala de estar.
"Então, o que fazemos com ela?" Nancy perguntou quando chegaram à porta que levava à saída.
"Vou encontrar uma maneira e voltar para casa hoje ou amanhã." Julião respondeu.
Nancy lançou-lhe um olhar confuso.
"Quero dizer, minha casa de família", esclareceu Julião. "A casa onde cresci. A casa onde está a espada do meu ancestral."
Julião olhou para frente enquanto as memórias do passado inundavam sua mente. Nancy sabia o que ele tinha em mente. Voltar para a casa da família significava uma coisa. Ele ia encontrar a única pessoa com quem não falava há muito tempo.
"Se essa é a única maneira, então faça isso. Estarei esperando por você quando você voltar", disse Nancy. Ela acariciou a bochecha dele e deu-lhe um pequeno sorriso.
Julião se inclinou para ela e beijou sua têmpora. Ele abriu a porta e estava prestes a sair quando viu Randal em pé na porta. Seus olhos se encontraram e ambos os homens pareceram surpresos. Nancy, consciente do seu estado de roupa, saiu rapidamente da sala de estar.
Randal seguiu sua figura que se afastava com os olhos. Então ele encarou Julião. Ao ver a aparência grosseira de seu amigo, Randal juntou as pontas. Ele sabia o que havia acontecido entre os dois.
"Randal?" Julião pigarreou. "Faz um tempo. Liguei várias vezes."
"Sim," Randal esfregou o pescoço. "Eu estava um pouco ocupado."
"Oh", disse Julião.
O silêncio embaraçoso pairou entre os dois homens até que Nancy entrou na sala de estar totalmente vestida desta vez.
"Ei, pessoal," Ela levantou a sobrancelha. "Vocês ainda estão aqui?"
"Certo," Julião tossiu. "Vejo vocês por aí."
Ele caminhou rapidamente para seu carro. Enviando uma pequena onda para eles, ele partiu.
Nancy sorriu para o veículo em movimento, um pequeno suspiro escapando de seus lábios. Ela voltou o olhar para Randal.
"Então," ela disse. "O que está pegando? O que te traz aqui?"
Randal olhou para ela momentaneamente enquanto contemplava suas próximas ações. Todos os anos de sentimentos que ele tinha por esta mulher foram destruídos. E por seu melhor amigo, no entanto, em uma reviravolta irônica. Ele estava devastado.
"Nada." Ele respondeu, virando-se e indo embora. "Eu esqueci. Bobo de mim."
"Ok," Nancy tinha um sorriso divertido no rosto. "Até mais."
Assim que ela fechou a porta, Randal se virou e olhou para ela. Pela primeira vez na vida, ele teve aquela sensação. Uma sensação da necessidade de tomar algo à força. Pela primeira vez, ele viu seu melhor amigo como seu pior inimigo. Seu pior inimigo que tirou algo precioso dele.
"Nancy", ele sussurrou.