CAPÍTULO DOZE
POV da Avilla
Era meu primeiro dia de aula e eu tava pronta pra encarar de frente.
Eu passei a noite toda passada, obcecada com o que vestir e como fazer, mas finalmente decidi ser simples com meu top cropped, jeans e minhas botas favoritas. Foi um dia emocionante pra mim. Eu fiquei com um sorriso no rosto, coloquei música pra eu poder me arrumar a tempo. Passei um tempão no banheiro me arrumando.
"Avilla Miranda Stevenson! Se você não descer em quinze minutos, vai se atrasar!" minha tia gritou.
Hã? Eu achei que tava cedo.
Chequei a hora e ela tava certa, droga!
Eu corri pra baixo jogando minha mochila no ombro, tava muito animada pra fazer novos amigos e fazer parte de alguma coisa pela primeira vez na minha vida de adolescente.
"Bom dia, Avilla", minha tia me cumprimentou alegremente, ela colocou um prato cheio de panquecas com uma aparência deliciosa pingando calda na mesa de jantar.
"Você tá animada?", ela me perguntou.
"Sim, tô animada pra começar a escola", eu falei pra ela sinceramente. Eu tava muito ansiosa pra fazer novos amigos e experimentar as histórias do ensino médio.
Comi meu café da manhã rapidinho, peguei minha mochila e as chaves do carro, beijei minha tia e fui pra escola.
Chegando lá, achei que tudo ia ser diferente, mas todo mundo tava mais ou menos cuidando da própria vida, eles tavam conversando entre si e me ignorando como se eu não existisse. Era o que eu queria, mas meio que me deixou mal.
Eu andei sozinha até a sala que eu ia ter aula e entrei na sala só pra ver ele sentado sozinho, encarando fixamente como se nada mais importasse pra ele. Ele tava tão gato ali.
A voz na minha cabeça ficava me dizendo pra ir até ele, tava me incentivando a chegar mais perto e conversar com ele, mas eu não dei bola, em vez disso desviei o olhar e sentei na frente.
Fiquei olhando pra ele pelo canto dos olhos pra ver a reação dele, mas era como se eu nem existisse. Só tive uma reação quando o amigo dele, que tava me encarando outro dia, tentou vir falar comigo, parece que ele avisou o amigo com um rosnado ou algo assim. Foi bem fofo e confuso ao mesmo tempo.
Eu tava curiosa pra saber quem é esse cara e por que ele era tão distante e misterioso, eu tinha uma certa atração por ele e não conseguia explicar por quê. Era como se fôssemos destinados a ficar juntos de alguma forma estranha. Eu não entendi, mas talvez eu pergunte pra minha tia quando a escola acabar. Esperamos o(a) professor(a) chegar, mas ele/ela não veio. Eu virei um pouco pra ver o que o cara misterioso tava aprontando, parece que o amigo dele tava dando um trabalho pra ele e ele tava ficando bem puto.
Ele ficou gostoso quando tá bravo, ele virou bem naquele momento e nossos olhos se encontraram, ele segurou meu olhar por um tempão sem piscar. Eu senti o calor do olhar dele, fui atraída por ele como uma mariposa pra uma chama. Atravessou meu coração quase chamando algo dentro de mim, como outra pessoa que vive dentro. Eu tive que desviar o olhar porque era como se ele fosse me fazer responder só aos olhos dele.
O sinal tocou sinalizando pro(a) professor(a) encerrar a aula pra podermos ir pra lanchonete, saí da sala com o resto dos alunos ansiosos pra ir pra lanchonete. Minha tia me disse que a Camilla ia me encontrar pra me fazer sentir bem-vinda e tudo mais.
Cheguei nas portas da lanchonete e empurrei abrindo fazendo todos os olhos se voltarem pra mim, de repente me senti tímida e vulnerável. Cada passo que eu dava era calculado pra eu não tropeçar e ser motivo de risada, fui direto pra mesa do almoço, pegando o espaguete com almôndegas que estavam servindo.
Eu tava confusa sobre onde sentar porque parecia que todas as mesas estavam ocupadas e eu parecia ser a diferente, fiquei parada no meio da lanchonete procurando um lugar conveniente pra sentar e aproveitar meu almoço, isso foi até...
"Ei, garota nova, vem sentar com a gente!!!" uma garota gritou.
Eu apertei meus olhos na direção pra dar uma boa olhada na garota me convidando pra sentar com elas, mas eu não vi ela, dei de ombros e fui pra lá. Podia esperar a Camilla chegar.
Cheguei na mesa e me apresentei,
"Oi, meu nome é Avilla", eu disse sentando e me acomodando.
A garota morena bonita sorriu pra mim "Eu sei quem você é", ela disse pra mim.
Eu franzi as sobrancelhas em confusão, o que ela clareou depois de dar uma boa olhada no meu rosto, "meu nome é Camilla, e minha mãe mencionou que você pode precisar de uma amiga".
Eu sorri pra ela "Obrigada".
"Vamos sentar, vamos esperar meu irmão", ela disse, comendo sua comida.
Eu comi minha comida, gemendo de tão deliciosa que tava. Eu tava no meio do gemido quando uma sombra caiu no meu prato, olhei pra cima e era ele.
Era o cara misterioso por quem eu tava caidinha, fiquei sem palavras e incapaz de dizer qualquer coisa pra ele enquanto ele me encarava.
Ele ficou me encarando por um tempão antes que o amigo dele, todo bobo, perguntasse:
"Cara, você não vai sentar?".
Ele sentou do meu lado sem dizer nada, ouvi aquela voz de novo na minha cabeça me dizendo pra encostar a cabeça no ombro dele, o braço dele encostando no meu tava me dando uma sensação de formigamento.