CAPÍTULO CINCO
Eu dirigi pra escola no meu carro, porque o Ben pegou o dele dessa vez, era mais fácil pra gente pegar dois carros separados pra poder fingir que a gente não vai pro mesmo lugar depois da aula, sabe? Assim a gente parece menos estranho e menos suspeito da vida que a gente tava tentando esconder. Estacionei meu carro e fui direto pra escola, porque eu sabia que esperar o Ben era perda de tempo, ele ia cumprimentar e abraçar toda garota que visse até o sinal tocar, e eu não tinha tempo pra isso. Precisava ir pro meu armário, organizar meus pensamentos e meus livros pro dia.
Cheguei no meu armário e senti o cheiro mais maravilhoso vindo do armário do lado do meu, parecia que a garota nova tinha chegado e tava cheirosa tipo no primeiro dia que eu vi ela, que foi ontem. Era uma combinação delícia de chocolate e morango, e deixou meu lobo e eu malucos, tipo agora. Eu vim pra cá pra organizar meus pensamentos, e esses pensamentos tão indo pro espaço de um jeito que eu não curto. Preciso sair daqui.
Arrumei meus livros e fui pra primeira aula da minha grade, era cálculo avançado, sim, acertou. Sou um cara esperto. Essa cara de bom + cérebro é tipo o que a gente chama de combinação perigosa. Cheguei na sala e fui pra minha carteira de sempre, pra sentar, o(a) professor(a) ainda não tava lá e faltavam dez minutos pro começo da aula. Fiquei pensando onde o Ben tava agora, tava começando a me irritar com as palhaçadas dele. Tava viajando nos pensamentos quando o cheiro maravilhoso apareceu de novo, e eu olhei pra porta.
Lá tava ela de novo, parada tipo um anjo na porta, parecendo tão insegura, tipo num lugar estranho. Eu lembro de ter estado na situação dela quando comecei aqui, não tinha nenhuma cara amiga pra me oferecer um pouco de conforto, mas pelo menos eu tinha minha irmã, que eu ia ver no refeitório. Nossos olhos se encontraram, e essa era a hora perfeita pra eu fazer ela se sentir bem-vinda e virar amiga dela, mas eu tava tão envergonhado de fazer isso que desviei o olhar, e me arrependi, porque meu lobo apareceu na minha cabeça, pedindo pra ir pro mate. Ele tava começando a me dar um monte de dor de cabeça. Não podia pedir pra ela sentar do meu lado. O Ben sempre senta do meu lado. Pelo canto dos olhos, eu vi a cara dela cair de decepção por não ter minha atenção. Era uma pena, mas eu não podia dar esperanças pra ela só pra estragar tudo quando meu plano não desse certo do jeito que eu esperava. Era melhor deixar tudo neutro agora e ficar perto quando eu achar um jeito de tirar a lei contra mates humanos.
Fiquei olhando ela enquanto ela andava pela sala antes de achar um lugar na extrema esquerda da minha mesa, e relaxei, sabendo que ela tava no meu campo de visão, assim meu lobo chato não ia ficar me incomodando. Me deixou calmo saber que, se tivesse perigo, eu ainda podia proteger ela de qualquer jeito.
Ela colocou o cabelo atrás da orelha enquanto organizava os lápis na mesa dela, era fofo como ela tava quieta e humilde, sendo a garota nova, ela olhou de novo, e nossos olhos se encontraram de novo, senti os arrepios descendo pela espinha quando encontrei os olhos dela, naquele momento tudo que eu queria era dizer pra ela como os olhos dela eram bonitos. Era um encanto, e queimou direto na minha alma, e ficou lá. Meu lobo já amava ela, ele tava pronto pra mover a terra só pra ver o sorriso no rosto dela de novo, e ia esmagar qualquer um que ousasse tirar ela dele. Não era surpresa que ele se sentisse tão protetor e possessivo com ela. Eu queria muito conversar com ela, mas não sabia o que dizer, será que eu falo pra ela sentar comigo? Ou dou um lápis meu pra ela?
Eu realmente não sabia o que dizer ou fazer, então só fiquei encarando, encarando ela, porque era tudo que eu podia fazer, e isso devia ser suficiente tanto pro meu lobo quanto pra mim. O Ben entrou pela porta e parou ao ver a garota nova, ele assobiou baixinho e murmurou as palavras 'pedaço de bunda' baixinho e foi na direção dela, quando eu rosnei pra ele na ligação mental pra não dar mais nenhum passo. Felizmente pra ele, ele ouviu seus instintos e foi na minha direção em vez disso. Ele fez a coisa certa, porque meu lobo ia ter rasgado ele em pedaços se ele tentasse dar mais um passo depois do meu aviso, sem ligar que eles eram próximos. Ele sentou do meu lado e se virou pra mim com um olhar curioso.
'Cara, que porra foi essa?'
Ignorei ele e olhei pra frente, porque eu não tinha resposta pra isso, mas ele, conhecendo o Ben, ele pegou meu silêncio como incentivo e continuou com a teoria nova dele.
'Você tá agindo estranho e mais rabugento do que o normal desde que a garota nova chegou, qual foi?'
Ele ficou me perguntando até eu não aguentar mais as perguntas chatas e insistentes dele.
'Ah, vai, cara, pode me contar qualquer coisa'
Ah, claro, como se eu pudesse contar qualquer coisa pra ele.
'Eu não sei do que você tá falando'
Ele deu um sorriso tipo que achou minha mau humor divertido e me provocou mais.
'Você tá a fim da garota nova, né?'
O Ben teve a cara de pau de rir de mim quando eu não respondi a teoria ridícula dele, o que por sua vez irritou meu lobo e eu.