CAPÍTULO SETENTA E NOVE
POV do Vladimir
Eu parei no meio do caminho e fiquei encarando, com os olhos semicerrados, enquanto a figura solitária vinha na minha direção. Era óbvio que ele tinha um motivo oculto, e eu não ia gostar nem um pouco se ele tentasse partir pra violência.
Eu já levantei as defesas quando ele chegou mais perto, ignorando minha postura defensiva. Ele chegou perto até que eu pudesse ver a cara dele, e eu não fiquei nem um pouco surpreso. Eu tava esperando por isso há muito tempo, e fiquei chocado quando ele não veio me atacar antes. Era de se esperar que o ex-parceiro viesse me enfrentar, mas eu não imaginava que o antigo melhor amigo dele faria isso por ele.
A Avilla me contou tudo, até a parte que o Ben beijou ela, e eu sabia que isso ia acabar com o relacionamento dele com a antiga parceira dela, mas eu não achava que ele amava tanto a ponto de vir me enfrentar.
"Posso ajudar com alguma coisa?" Eu perguntei pra ele, educadamente.
"Fica longe da Avilla!" ele ameaçou.
Eu não dei bola pra ele, meus olhos focados nos movimentos dele. Ele tava tremendo e desorientado, e de jeito nenhum ia conseguir lutar comigo, do jeito que ele tava cambaleando a cada segundo. Era claro que ele não pensou direito antes de vir me desafiar.
"Eu te aconselho a ir pra casa e dormir um pouco, você tá com uma cara horrível", eu falei numa boa.
"Eu tô te avisando!" ele disse, mais alto dessa vez.
"Eu não vou me repetir, mas posso te garantir que se você tentar lutar comigo, só vai ter um final, e vai ser eu arrancando seu coração", eu falei com a voz fria.
Ele congelou, com os olhos arregalados. Parecia que ele tava me vendo pela primeira vez, e caiu a ficha de que ele era um idiota. Ele sabia que não ia ganhar essa briga, e não queria correr riscos. Ele tava pensando nas opções dele, e seria bom pra ele seguir o conselho dele e ir pra casa. Essa não era uma luta justa, e eu fui bonzinho o suficiente pra dar uma chance pra ele desistir.
Ele pareceu se ouvir, porque se virou e cambaleou de volta por onde veio. Eu balancei a cabeça pra ele. Bom, já que ele me enfrentou, eu posso presumir que o outro não vai demorar muito pra vir com a briga dele, eu ia adorar dar um chega pra lá nele.
Lutar não era uma opção, porque a gente podia acabar se matando, e isso não ia acabar bem pra nenhuma das espécies.
Eu continuei pela trilha que eu tava andando até sumir entre as árvores. Corri pra casa nos arredores, tava quase virando pra direção da casa nova que a gente mora quando eu vi a Sara conversando com alguém de costas pra mim. Eu não consegui reconhecer a pessoa de costas, mas eles pareciam estar sérios na conversa.
Eu fiquei curioso, mas ao mesmo tempo desconfiado da cena. A Sara não conhecia ninguém daqui, pelo que eu sabia. Ela era tão antissocial que não tinha amigos, a não ser o meu irmão e eu. Foi bem surpreendente ela estar conversando com outra pessoa que a gente não conhecia.
Eu decidi deixar pra lá. Fiquei feliz que ela tava fazendo amigos, e que tinha gente pra fazer companhia pra ela enquanto eu cuidava dos meus negócios. Entrei em casa e encontrei meu irmão deitado no sofá, bebendo sangue da reserva que a gente trouxe.
"E aí, mano", ele me cumprimentou, com preguiça.
"E aí, cara", eu respondi, passando por ele, mas no último minuto eu me virei pra perguntar algo que tava martelando na minha cabeça.
"Sabe com quem a Sara tava conversando?" Eu perguntei pra ele.
"Sem ideia, ela tá encontrando essa pessoa específica faz dois dias, mas ela fez um amigo novo, e é só isso que importa", ele disse, em conclusão.
"É, é verdade. Vou ficar no meu quarto, tenho umas pesquisas pra fazer", eu informei.
"Beleza"
Eu subi pro meu quarto e tomei um banho frio. Eu ainda tava investigando o caso do Konstantin, queria saber se ele teve filhos que pudessem ser híbridos, ou se eu podia encontrar alguma coisa que me ajudasse no meu caso com a Avilla. A gente tava se aproximando, e a escuridão que eu conseguia sentir nela tava ficando mais forte quanto mais tempo a gente passava junto. Era como se ela tivesse mudando, mas eu não sabia o quê.
Eu conseguia sentir a energia sinistra dela, e as mudanças de humor dela às vezes. Ela simplesmente muda como um interruptor de luz.
Eu quero ficar com ela, e tô tentando procurar formas de fazer isso acontecer sem nenhuma implicação ou consequência. Eu tava gostando de passar tempo com ela até agora, e a gente tava curtindo a companhia um do outro, como se a gente se conhecesse há muito tempo.
Mas tem algo na tia dela que me incomoda. Ela sabe quem eu sou, e tenho quase certeza que já vi o rosto dela antes. Ela empalideceu quando me viu, e não foi por causa da minha natureza.
Tinha algo errado, algo que ela não tava contando pra sobrinha dela, e era algo grande. Meus instintos disseram, e eu nunca fui de ignorar meus instintos. Se eu estiver certo sobre o que quer que ela esteja escondendo, vai ajudar na nossa ligação, ou vai destruir ela completamente. Eu não queria que isso acontecesse, então eu ia dar o meu melhor pra garantir que a tia dela revele o que quer que ela esteja escondendo pra Avilla.
Eu peguei os papéis e continuei de onde eu tava lendo. Era longo, e eu queria ler tudo antes de decidir qualquer coisa sobre a gente.
Continuei de onde parei…