CAPÍTULO OITENTA E DOIS
POV do Vladimir
Eu tava no quarto do meu pai, a gente sempre tinha umas conversas particulares aqui em vez do quarto normal, onde todo mundo podia ouvir. Fazia cinco dias que eu tava em casa e tive que quase implorar pro meu pai falar comigo.
Ele sacou a urgência na minha voz e rapidinho nos levou pra cá pra gente poder conversar melhor.
'Que foi, Vladimir? Onde tá essa sua parceira?' ele perguntou de uma vez.
'Calma, pai, tem um negócio que eu esqueci de te contar quando falei que achei minha parceira.' Eu falei pra ele.
Ele fechou a boca na hora, esperando eu falar.
'O que eu esqueci de te contar é que minha parceira é uma lobisomem,' eu falei.
O quarto ficou mais frio do que quando eu entrei, a cara dele travou de choque, os olhos dele de repente ficaram tristes e cabisbaixos.
'Pai, tá tudo bem?' Eu perguntei pra ele, depois de uns minutos que ele não falou nada.
Ele me ignorou, sentou no sofá e botou a cara nas mãos e respirou fundo.
'A gente tem um problema,' ele falou com a voz rouca.
'Eu sei disso, pai, eu sei,' eu respondi.
'Por que você não me contou?' ele perguntou.
'Ia fazer diferença?' eu questionei ele.
'Acho que não. O que você pretende fazer?' ele me perguntou.
'Não sei, tava esperando você me ajudar, contando quem é o Konstantin e onde eu acho ele,' eu falei pra ele.
Ele olhou pra cima na hora e, com uma velocidade que eu nunca tinha visto, botou a mão na minha boca pra eu não falar.
Ele escutou e garantiu que não tinha ninguém por perto pra ouvir e soltou.
'Nunca fale esse nome em voz alta! Como você sabe dele?' ele me perguntou.
'Eu li sobre ele nos diários, mas não tem mais informação, porque todas as páginas foram arrancadas,' eu falei pro meu pai.
Ele assentiu satisfeito e sentou de novo, dessa vez soltou um suspiro pesado.
'Fui eu que arranquei essas páginas,' ele confessou.
'Você fez o quê?!' eu exclamei surpreso.
'Eu só fiz isso porque o Konstantin me fez prometer proteger o filho dele daqueles que iam atrás dele. Sabe a maravilha que seria ter um híbrido na sua matilha ou no seu clã?' ele me perguntou.
Eu balancei a cabeça pra ele, mas entendi ao mesmo tempo, ele foi tachado de traidor e imaginei que seria morto assim que fosse encontrado.
'Essa vai ser minha sina?' eu perguntei pra ele.
'Não, não. Claro que não, você é meu filho e é meu trabalho te proteger. Eu não sei onde o Konstantin tá, mas eu disse que não ia deixar nada acontecer com a cria dele. Eu devo isso a ele pra cumprir minha promessa,' ele falou.
'O que eu faço?' eu perguntei pra ele.
'Vai buscar sua parceira pra uma apresentação formal e a gente resolve o resto, eu vou tentar ver se acho o filho do Konstantin,' ele me disse.
Eu assenti pra ele, 'obrigado, pai.'
'De nada, filho, vai buscar sua parceira,' ele falou.
Eu tava com um sorriso no rosto, pensando em surpreender a Avilla, voltando antes do que eu falei que ia. Normalmente, eu ia ficar uma semana, mas como resolvi isso no tempo com o meu pai, não precisava prolongar minha estadia, e também eu queria, não, precisava ver ela e convencer ela a ir comigo ver meu pai.
Já era tarde quando eu cheguei na cidade dela e fui direto pra casa dela pra fazer uma surpresa. Garanti que comprasse os favoritos dela no caminho pra deixar ela feliz e um pouco de sangue pra mim, porque eu não tinha comido faz um tempão.
Ela de boa comigo comendo na frente dela, na real ela até gostava de me ver.
Eu tava na frente da casa dela, bati na porta e sabia que ela ia me sentir e vir correndo pra porta logo. Ouvi os passinhos dela, antes dela abrir a porta.
'Vladimir!' ela falou antes de se jogar nos meus braços.
Eu adorei a sensação de ter ela nos meus braços, cheirei a curva do pescoço dela e o cabelo dela. Ela tava cheirando tão bom, tão apetitosa.
Eu sentia o sangue doce dela pulsando pelo coração e pelas veias, queria sentir o gosto. Fiquei me perguntando por que ela tava me abraçando forte e não queria soltar, quando percebi que ela tava chateada. Ela tava fungando sem parar, me afastei e vi que ela tava com os olhos inchados.
'Você tá bem? O que tá pegando?' eu perguntei pra ela.
Ela parecia que tava chorando faz dias.
'Quem te machucou?' eu perguntei de novo, mas dessa vez minha voz mudou, ficou mais fria e eu senti minhas presas saindo por causa das emoções fervendo no meu corpo. Raiva.
'Vamos pra dentro, que eu te explico,' ela falou, me convidando pra entrar.
Entrei e vi a tia dela fazendo alguma coisa na cozinha, abri a boca pra falar oi e ela me puxou pra cima rapidinho.
Talvez eles tivessem brigado, sentei na cama dela enquanto ela trancava a porta e ficou encostada nela.
'Vai me contar o que rolou enquanto eu tava fora?' eu perguntei pra ela, enquanto tirava as coisas que eu tinha comprado pra ela. O sorriso dela aumentou quando ela viu, uma atrás da outra, flores, chocolate, cheeseburger e batata frita e umas tintas.
'Obrigada,' ela falou com a voz meio triste.
'Vem cá,' eu falei pra ela.
Ela veio até mim e se encostou em mim, eu abracei ela, enquanto ela se aconchegava mais no meu abraço.
'Quem te fez chorar?' eu perguntei pra ela.
'Foi só uma briguinha entre eu e minha tia. Ela me contou que meus pais, que já se foram, não eram meus pais de verdade por causa de uma história toda confusa,' ela falou.
'Sinto muito, come que você vai se sentir melhor. Eu sei que vai,' eu falei pra ela.
Ela assentiu, pegou o cheeseburger e começou a comer, decidi que agora era uma boa hora pra contar o que meu pai falou.
'Meu pai quer te conhecer,' eu falei de supetão.
Ela engasgou com a batata frita e começou a tossir, dei a bebida que eu comprei pra ela também, que ela aceitou com um aceno.
Ela bebeu do copo e se acalmou.
'O quê? Você tá querendo me matar?' Ela perguntou.
'De jeito nenhum,' eu falei, inocente.
'É sério? Seu pai quer me ver?' ela perguntou.
'Sim, eu contei pra ele sobre você,' eu falei com cuidado.
'Nossa!' ela falou.
'Que que você diz?' eu perguntei.
'Minha resposta é sim, claro,' ela respondeu.
'Boa, amanhã eu passo pra te buscar, então a gente vai, beleza?' eu falei pra ela.
Ela assentiu tímida, mas continuou comendo. Tirei minha bolsa de sangue e comecei a beber com o canudo que eu tinha.
Eu tava curtindo tanto que nem percebi o jeito que ela tava encarando as bolsas de sangue na minha bolsa.
Olhei pra cima quando senti que ela tava me olhando, ela tava encarando a bolsa com vontade.
'Quer um pouco?' eu provoquei ela.
Pra minha surpresa, ela fez que sim com a cabeça, dei a bolsa quase vazia pra ela.
Ela botou os lábios no canudo, onde os meus tinham estado. Era sexy de ver.
Ela tomou um gole e estalou os lábios, fechou os olhos e lambeu os próprios lábios.
Abriu os olhos e a expressão que ela tinha era a mesma que eu tive quando senti o gosto do sangue pela primeira vez, quando me transformei, os olhos dela tinham a mesma mancha vermelha em volta da pupila e o sangue nos lábios dela a deixava mortal e sexy ao mesmo tempo.
Eu queria beijar os lábios dela com o sangue, ia ter um gosto ainda melhor vindo dos lábios dela.
Fiquei chocado com a reação dela, ela parecia estar curtindo. Ela acabou com o sangue que sobrou e continuou com o cheeseburger, enquanto eu fiquei olhando pra ela em choque.
'Quê?' ela perguntou, olhando pra cima e vendo que eu tava olhando pra ela.
'A maioria das pessoas ia achar estranho beber sangue,' eu falei pra ela.
'Na real, é muito bom, depois que você passa pelo fato de ser sangue, eu entendo por que vocês vampiros são viciados nisso, tipo cocaína,' ela falou.
Eu assenti pra ela, mas a indiferença dela ainda tava me preocupando.
Deixei isso de lado, peguei o resto e senti minha energia voltando.
'O que tá rolando desde que eu fui embora?' eu perguntei pra ela...
Eu sabia que um monte de coisa tava rolando, mas eu queria saber se ela ia me falar a verdade, o Dimitri me atualizou sobre tudo o que rolou aqui quando eu fui embora, ele me contou sobre o mal-entendido entre ela e a tia e também sobre umas pessoas, mas eu não sabia qual era o assunto que mais a chateava.
Eu sei que descobrir que seus pais não são seus pais de verdade pode ser devastador, mas ela parecia indiferente à notícia. Eu esperava mais dela, além de não querer falar sobre o assunto, o que eu entendi completamente, mas eu tava esperando que ela me contasse mais sobre o que rolou e por que ela tava chateada.