CAPÍTULO SETENTA E TRÊS
POV do Vladimir
Eu estava no meu escritório com o meu irmão, que tava lá atrás de mim, cagão.
Eu suspirei, tudo ia ser tão bom se ele tirasse a ideia da cabeça e encarasse o meu pai.
"Você exige minha atenção, Vladimir?" A voz do meu pai ecoou pela sala do trono.
"Sim, pai, eu tenho algo importante pra te contar", anunciei.
"Então, fala logo, filho. Não tenho o dia todo", ele disse, firme.
"Eu achei minha parceira", eu soltei de uma vez.
Isso pareceu chamar a atenção dele, ele se inclinou na poltrona pra me olhar.
"Você achou sua parceira?" Ele perguntou, olhando em volta. "Bom, onde ela está?" Ele perguntou.
"Ela voltou pra cidade dela e eu gostaria de pedir permissão pra viajar pra encontrar ela e, possivelmente, trazer ela de volta pra cá", eu disse de uma vez.
"Hmm", ele disse.
Eu esperei, ele me olhou pra ver se eu tava mentindo, mas ele não ia achar nada.
"O que você acha, Dimitri?" Ele perguntou pro meu irmão.
Ele saiu de trás de mim e eu rezei silenciosamente pra ele dar conta.
Ele pigarreou, ficando em pé, todo forte. Ele disse: "Sim, ele me contou quando viu ela e eu acho que é bom pra ele ir buscar Ela, e é por isso que eu decidi ir com ele pra eu poder ficar de olho nele", ele disse.
Eu virei a cabeça tão rápido que acho que tive um torcicolo. Essa não era a parte do plano, ele ia ficar aqui pra cuidar do pai quando eu fosse.
"O que você acha que tá fazendo?" Eu sussurrei, com os dentes cerrados.
"Você acha que eu vou te deixar se divertir sozinho?" Ele respondeu.
"Muito bem, então. Sara vai com vocês, então. Estou dando um mês inteiro pra vocês fazerem isso e voltarem pra ocupar o seu lugar de direito no trono, estamos entendidos, Vladimir?" Ele perguntou, firme.
"Sim, pai", eu disse, me curvando.
Dimitri fez o mesmo e saímos da sala do trono.
"Eu nunca falei nada sobre você vir comigo", eu falei pra ele.
"Ah, relaxa, eu quero me divertir com você como a gente fazia quando era mais novo", ele disse.
Eu sorri pra ele, "A gente se divertia, né?"
"É, e eu não confio nesses lobos pra não arrumarem confusão, eles sempre foram esquentadinhos", ele acrescentou, sorrindo de volta.
Ele sempre gostou de confusão e se dava bem nela.
"Então, pega a Sara e avisa pra ela que a gente sai amanhã pra procurar a minha garota misteriosa", eu informei pra ele.
"Ah, isso vai ser tão divertido!" Ele respondeu, todo alegre.
Eu balancei a cabeça pra ele, irmãos mais novos dão muito trabalho.
Eu fui pro meu quarto pra descobrir a localização dela, rastreando o cheiro dela na minha memória.
Eu sentei na minha cama e respirei fundo, a essência dela cheirava a chocolate e morangos com uma pitada de vinho que ela tomou na praia.
O cheiro dela nublou minha mente e eu conseguia ver o rosto dela na minha mente. O rosto dela, tão cheio de luz e energia, mas cercado de tristeza. Era tudo o que eu conseguia ver, os olhos dela, tão arregalados e atraentes. Isso me dizia muitas coisas que eu queria saber. Ela não estava feliz, a época mais feliz dela foi comigo. A risada dela na praia era como música pros meus ouvidos e fez meu coração frio cantar músicas que eu não sabia que era capaz de fazer. Os lábios dela eram bem desenhados, que precisou de todos os meus anos de autocontrole pra não prová-los. Eles eram tão convidativos e me chamavam como uma chama chama uma mariposa.
Eu farejei a cidade dela logo, era o lugar mais popular onde a maioria dos lobos mora e o famoso bando do Alpha Dickson. Ele era odiado aqui no clã por causa das suas ambições egoístas.
A cidade dela não era longe, era a próxima depois da minha. Ia ser fácil encontrá-la depois.
Eu fechei os olhos e imaginei a expressão no rosto dela quando ela visse que eu tinha encontrado como eu disse que ia, os lábios dela iam se curvar em surpresa enquanto os olhos dela iam me encarar em admiração. Se isso não é erótico, eu não sei o que é.
A minha porta foi aberta com força e eu pulei pra cima, na defensiva, pensando que era um ataque, era ninguém menos que minha melhor amiga, Sara.
"Não faz isso de novo!" Eu avisei ela.
Ela revirou os olhos pra mim, me encarando com apreensão.
"O que foi agora?" Eu perguntei pra ela.
"Que história é essa de ir buscar sua parceira?" Ela perguntou.
"É, eu encontrei ela", eu informei pra ela. Se isso não ficou claro na parte de ir buscar ela.
""O que você quer dizer com encontrou ela? Você tava procurando uma parceira?" Ela perguntou de novo.
"Que tipo de pergunta é essa? Eu sou o próximo rei e não tenho minha rainha, então sim, eu tava procurando minha parceira", eu falei pra ela, sem rodeios.
Ela revirou os olhos de novo, 'seu pai prometeu pra mim que você ia casar comigo se você não encontrasse sua parceira antes do ano acabar", ela disse, como se fosse óbvio.
"Então, deixa eu ver se entendi, meu pai prometeu pra você que eu ia casar com você? E você concordou?" Eu perguntei pra ela.
"Não me culpa, você sabe que eu sou apaixonada por você desde que a gente era criança", ela disse.
"Sim, e você sabe que eu não sinto o mesmo e nunca vou sentir o mesmo por você", eu falei pra ela, firme.
"Isso é injusto, Vladimir. A gente se conhece há séculos e você vai escolher alguma vagabunda no meu lugar?" Ela disse.
Eu agarrei ela pelo pescoço no final daquela frase.
"Eu tô avisando, melhor amiga ou não. Eu não me importo em arrancar seu coração se você falar insultos pra minha parceira, mostre algum respeito", eu rosnei.
Ela concordou comigo, com medo nos olhos.
"Bom", eu falei, soltando ela, ela me olhou com medo antes de sair correndo do quarto como um rato.
Ela devia saber que eu não gosto de desrespeito e agora uma jogada casualmente sobre a minha rainha.
Eu deitei na minha cama, preparado pro amanhã.