CAPÍTULO OITENTA E CINCO
POV do Vladimir.
Eu tava fervendo de raiva por dentro, como aquele cachorro ousa botar as mãos na minha parceira?
Ele deu sorte que eu tava lá, senão eu ia estar em cima do cadáver dele com o coração na mão.
Então ele acha que por ter o título de alfa isso significa alguma coisa pra nós, vampiros?
Ele tá enganado, a gente ia te apagar, o título e as pessoas que te deram ele. Que droga que a Avilla teve que aturar esse cara antes de eu aparecer.
Eu queria correr e tirar a Avilla desse lugar, tava cheio de lobos sem cultura que achavam que mandavam no mundo.
Que piada?
Eu acho que o meu pai ia ficar surpreso de me ver de volta tão cedo com a minha parceira já, mas eu queria que isso fosse o mais rápido possível porque eu precisava da minha parceira e eu odiava ter todas aquelas coisas nos atrasando.
E eu precisava que ela me escolhesse, embora parecesse que ela já tinha feito isso, porque dividir sangue com um vampiro é um sinal bem íntimo.
Eu dirijo pra casa, queria contar pro Dimitri as últimas notícias e ver como a Sara tava. Senti que a gente não tava saindo ultimamente porque eu tava ocupado com a Avilla.
Nós todos íamos pra casa com a Avilla.
Eu tava tão feliz e super ansioso pra apresentar ela pro meu pai, eu não sabia o que fazer sobre a questão do Konstantin, mas o meu pai disse que ia resolver tudo e eu acredito nele.
Cheguei em casa e usei a minha chave pra abrir a porta, tava tocando música alta do quarto do meu irmão, eu ia ver a Sara depois, mas por agora eu queria falar com o Dimitri.
Fui pra porta dele e a abri com tudo.
"Que porra é essa?!" Eu perguntei, chocando com a cena na minha frente.
Meu irmão e a Sara?
A Sara e meu irmão.
"Fecha a porta!" meu irmão exclamou.
"Ah, sim! Desculpa" Eu falei, fechando a porta atrás de mim.
Sacudi a imagem da cabeça e fui pro meu próprio quarto.
Eu nem tava lá quando a minha porta abriu e o Dimitri entrou correndo.
"Antes de você falar qualquer coisa, eu peço desculpa. Aconteceu" ele se desculpou.
Eu olhei pra ele confuso, "O quê?" eu perguntei.
Ele franziu a testa olhando pra mim, "Eu achei que você ia ficar puto" ele falou.
"Por que eu ficaria puto? Vocês dois são adultos e eu confio que sabem o que estão fazendo?" eu perguntei.
"Sim, a gente tá só usando os corpos um do outro" ele falou.
"Ok então, vai se arrumar pra gente conversar" eu falei pra ele.
"Me dá uns trinta minutos" ele falou antes de sair andando.
Eu balancei a cabeça, sorrindo pra mim mesmo.
Eu acho que a minha saidinha com a Sara vai ter que esperar até isso passar.
Comecei a fazer as malas e dobrar as minhas roupas quando uma batida na porta veio de baixo.
Eu acho que a Sara e o Dimitri ainda tavam ocupados, então eu fui abrir a porta.
O meu sorriso sumiu imediatamente quando eu abri a porta. Minha fera interior rugindo de raiva e vontade de sangue.
Eu fiquei quieto esperando ele falar, e ele pareceu ter a mesma ideia. Eu era perfeito pro jogo.
Nós ficamos nos encarando por um tempão, nenhum de nós querendo fazer um movimento ou falar qualquer coisa.
Ele suspirou quando percebeu que eu não ia falar nada pra ele.
"Eu espero que você saiba o porquê de eu estar aqui?" ele me perguntou com uma das sobrancelhas levantadas.
Eu fiquei encarando ele sem falar nada pra ele poder continuar.
"Avilla é minha parceira e eu não vou deixar ela ir com você, então eu digo que a gente resolve isso numa luta" ele disse com confiança.
Eu dei uma risada amarga e pude ver a surpresa no rosto dele.
"Nós dois sabemos que eu sou mais rápido, forte e ligeiro, a única razão de você ainda estar vivo na minha porta é porque eu não quero uma guerra entre a nossa espécie, mas você e eu sabemos que se a gente fosse lutar, eu ia estar com o seu coração na mão em dois segundos" eu falei pra ele calmamente.
Os olhos dele arregalaram quando ele percebeu que a ameaça dele não funcionou, mas teve o efeito contrário.
"Eu sou mais forte agora" ele argumentou.
"Eu sou mais forte há mil anos, só porque você adquiriu um poder novo não te faz um homem mais forte. Da próxima vez que você pensar em me enfrentar, eu não vou ser tão bonzinho com as palavras" eu falei pra ele antes de fechar a porta na cara dele.
Eu fechei e abri a mão num esforço pra me manter controlado.
"Droga, mano, o que te deixou tão bravo?" o Dimitri perguntou quando ele desceu as escadas.
Eu ignorei a pergunta dele e ao invés disso foquei em como o Rohan sabia onde a gente morava, era como se ele já tivesse estado lá antes.
"Vai fazer as malas, a gente vai embora amanhã" eu falei pra ele, indo pra fora.
"E a Avilla?" ele perguntou.
"Ela também vai com a gente" eu respondi.
Ele fez um soco no ar e sorriu pra mim. Bem, ele tava feliz por mim e isso era um bom sinal.
A Sara desceu as escadas mais tarde e soube da informação, ela não disse nada. Ela só voltou pro quarto dela pra fazer as malas.
"Você vai falar alguma coisa pra Sara?" o Dimitri me perguntou.
"Pra ser sincero, eu não sei o que falar pra ela. Quando ela estiver pronta pra conversar, eu vou estar aqui. Sem julgamentos" eu falei pra ele.
"Ok, valeu mano. Eu gosto muito dela" ele disse pra mim.
Eu olhei pra ele e ele tinha uma expressão séria, diferente da expressão despreocupada que ele normalmente tem.
"Então, você falou com o pai?" ele me perguntou.
"Sim, falei. Ele não surtou. Ele só ficou assustado por mim e me disse pra trazer a Avilla pra conhecer ele formalmente e a gente pode descobrir o que fazer a partir daí" eu falei pra ele.
"Tudo bem" Eu estava empolgado pra viagem porque eu realmente queria que a Avilla conhecesse o clã, ela ia liderar eles algum dia.