CAPÍTULO OITENTA E UM
POV da Avilla
Eu tava de boa onde eu tava, passar cada dia com o Vladimir era um sonho realizado. Eu tava feliz e minha loba também tava feliz. Eu tava preocupada com a minha loba, o jeito que ela arrastou a Sophie pelo banheiro foi algo que eu não entendi. Eu sabia que ela tava brava com as duas porque elas dormiram juntas, mas violência não era a solução.
A porra da loba nem se sentiu culpada nem um pouco.
Eu também não tava me sentindo culpada, mas a ideia de que a minha pudesse se sentir culpada me faria sentir melhor, mas eu tô feliz que eu avisei. Aquela vadia ia pensar duas vezes antes de pensar em me desafiar de novo.
Eu mostrei pra ela!
Uma coisa é dormir com o meu cara, sabendo que ia me machucar, mas me provocar com isso foi longe demais.
Ontem, o Vladimir e eu nos conhecemos mais e tudo que eu posso dizer é que ele é bom demais pra ser verdade, mas ele foi o cavalheiro perfeito e a mistura perfeita de frio e quente.
Ele foi gentil comigo, mas frio com os outros, ele só prestava atenção em mim e sempre me incomodava com carinho, eu gostei.
Eu não ouvi falar do Rohan e não ouvi falar da Camilla desde que ela me disse que ia contar pro Mitchell sobre ela hoje à noite. Eu aconselhei ela a esperar um pouco antes de contar tudo.
Eu sei que o Mitchell amava a Camilla e queria pedir ela em namoro oficialmente, mas eu não podia falar isso porque senão eu ia estragar a surpresa que ele tinha planejado pra ela.
Eu não sabia de outra forma de convencer ela a não contar nada sem revelar nada. Meu celular apitou com uma mensagem do Vladimir e o sorriso mais doce apareceu no meu rosto, toda vez que eu recebia uma mensagem dele, meu coração pulava porque ele diz as coisas mais doces, mas dessa vez não era uma mensagem doce, era o tipo de mensagem que trazia uma carranca nos meus lábios.
Ele ia voltar?
Ele queria falar com o pai dele sobre a gente.
Own, que fofo.
Ele incluiu que deixou o irmão dele pra me proteger, foi tão fofo ele ainda me proteger mesmo quando ele não tá aqui.
Eu mandei uma mensagem pra ele de volta dizendo que ia sentir falta dele e que ele devia se apressar e voltar.
Ele me mandou de volta um emoji. Eu tava sorrindo timidamente no meu celular.
Eu fui pra baixo beber água quando ouvi a minha tia falando com alguém no telefone.
Parecia uma discussão bem acalorada e eu ouvi ela até o fim.
"Eu não sei por quanto tempo eu consigo esconder a verdade dela" ela disse com raiva.
"Eu não me importo com qual é o seu plano, mas eu cansei de ficar de boca fechada, eu vou contar pra ela e não me importo se você aprova ou não!" ela disse antes de desligar a ligação.
Eu observei ela de cima da escada me perguntando com quem ela tava falando, ela tava andando de um lado pro outro e murmurando pra si mesma.
"Você tá bem, tia?" Eu perguntei pra ela quando desci.
Ela soltou um pequeno grito "Avilla, você me assustou pra caramba" ela disse colocando a mão no peito.
Eu ignorei as palhaçadas dela e foquei no que é importante, "Com quem você tava falando?" Eu perguntei pra ela.
Ela corou de culpa antes de recuperar a compostura, "Com ninguém" ela disse rapidamente.
Eu estreitei os olhos pra ela, "Que verdade?" Eu perguntei de novo.
"Eu não disse nada!" ela rosnou.
Ah, então é assim que vamos fazer?
"Você acha que esconder a verdade de mim tá te tornando inocente aos meus olhos, mas a verdade é que você tá arruinando a minha vida. Sempre que você decidir me contar alguma coisa sobre a minha vida quando você sentir vontade, então eu vou te odiar por fazer parte do problema que eu tive até agora." Eu falei. Ela empalideceu um pouco, mas eu não dei atenção pra ela enquanto ia pra cozinha pegar água.
"Avilla, espera!" ela me chamou.
Eu ignorei ela enquanto revirava a geladeira pra procurar alguma coisa fria pra beber, pegando uma garrafa de água e voltando pra cima.
"Eles não eram seus pais" ela disse de repente.
Eu congelei no lugar enquanto meu cérebro processava as palavras.
"Q...quê? O quê?" Eu perguntei enquanto me virava pra encontrar os olhos culpados dela.
"O que você disse?" Eu perguntei de novo.
"Eles não eram seus pais" ela repetiu.
Eu afundei no chão em desespero.
"Eu não entendo" Eu falei pra minha tia com uma voz sombria.
"É uma longa história e você vai querer ouvir" ela disse em um tom condescendente.
"Eu quero ouvir" Eu balancei a cabeça pra ela.
"Bom"
Tudo começou quando a minha irmã conheceu o cara dela, era proibido, assim como com você e o Vladimir.
Ele era um vampiro e tava decidido a ter a sua mãe. Ela veio me pedir conselhos e eu disse pra ela que ela não devia deixar nada atrapalhar a felicidade dela.
Acontece que os vampiros eram um pouco mais chatos do que os lobos, porque assim que eles se juntavam, ele era banido do clã dele e eles se tornavam alvos e estavam sempre fugindo.
Eles nunca ficavam em um lugar por muito tempo e eu tava sempre atualizada com o paradeiro deles.
Quando eles tiveram você, eles te deixaram com a minha outra irmã e o cara dela por causa da ameaça, eles são as pessoas que você cresceu chamando de pais.
Eles usaram as folhas de odora pra encobrir o seu cheiro e o que você é, pra evitar que eles fossem atrás de você. Por isso você cresceu como humana.
Nós não queríamos te contar porque abrir muitos segredos poderia levar a expô-los, me desculpa." ela disse.
Eu senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto enquanto eu processava as palavras dela, doeram.
"E os meus pais de verdade? Onde eles estão?" Eu perguntei pra ela.
"Eu não sei" ela disse abaixando a cabeça.
Eu deixei ela lá e corri pro meu quarto pra chorar lá. Eu soltei todas as minhas frustrações no meu travesseiro. Eu chorei muito pela traição dos meus pais. Eu não conseguia odiá-los.
Quando eles estavam tentando me proteger, como eu podia odiá-los?
E o que a Tia Beatrice quis dizer com o que eu sou?
Eu sou uma loba, por que eles iam querer me matar?
Quem quer me matar?
Eu me balancei sentada.
Tudo isso era demais pra eu aguentar, eu ainda precisava de mais respostas da minha tia, mas eu tava devastada demais pra perguntar qualquer coisa pra ela agora.