CAPÍTULO SESSENTA E SEIS
Ponto de vista do Rohan
Eu tava me sentindo perdido, quando ouvi que a Avilla tinha deixado a cidade, precisou do meu pai me segurando pra eu não ir atrás dela.
Como ela pôde ir embora?
Ela era minha!
Meu lobo tava furioso comigo, meus pais ficaram decepcionados e a Camilla nem tava falando comigo. Eu sei que ela sabia que a Avilla ia embora da cidade e fez questão de não contar pra ninguém.
Meu peito tava doendo e não é por causa dos rosnados que estavam vindo de lá. Eu odiei essa sensação. Ela foi embora sem dizer adeus e isso doeu mais do que qualquer coisa.
Me joguei de volta nos treinos, era uma forma de punir a mim mesmo e meu corpo por ser burro. Eu tava brincando com a única coisa que a deusa da lua criou pra mim. Um humano consegue superar isso rápido e eu ia sofrer, mas eu tava esperando a hora certa porque sabia que a Avilla não ia conseguir lutar contra a atração e ia voltar correndo quando eu estalasse os dedos.
Meu lobo zombou na minha cabeça, mas não falou nada, ele tem feito isso muito ultimamente, sempre que eu falo ou faço qualquer coisa. Ele tava bravo comigo por ter feito besteira de novo.
Revirei os olhos pra ele, decidi ignorá-lo hoje. Brigar com meu lobo nem sempre é uma boa ideia. Ele pode ser um babaca.
Eu me pergunto por que... Ele ecoou.
Ignorei ele de novo.
"Rohan", meu pai chamou.
"Já vou!" eu gritei de volta.
Ele tava obcecado pelo Alpha Dickson ultimamente e eu não sabia o porquê, mas minha mãe sabia e claramente apoiava ele, mas ele não teve sorte desde que começou o movimento. Era sobre o pergaminho de papel que o Dickson arrancou da biblioteca do bando. Ele alegou que queria manter seguro, mas todo mundo sabia que a biblioteca era o lugar mais seguro pra guardar algo valioso e parece que ele fez isso por uma razão egoísta.
Meu pai odiava mentirosos e trapaceiros, mas o alpha Dickson parecia estar cheio deles. Eu não sei por que ele é alpha, mas eu podia sentir que meu pai não tava feliz.
Ele convocou uma reunião dos anciãos e não foi exatamente bem-sucedida pra começar. Todos os anciãos parecem ter sido comprados pelo alpha com a promessa de uma coisa ou outra. Nós não tínhamos ideia do que era. Meu pai ficou furioso porque todos eles concordaram com todas as exigências do Dickson sem qualquer consideração pelo que poderia acontecer com seus filhotes.
Balançei a cabeça.
"Ei, pai, você me chamou?" perguntei pra ele.
Ele tava procurando em alguns papéis no escritório dele.
"Sim, sente-se, por favor", ele sugeriu.
Eu fiz isso sem fazer perguntas, ele fica muito bravo quando está nesses estados.
"Então, o que você vai fazer sobre sua parceira?" Ele me perguntou sem tirar os olhos dos papéis que estava lendo.
"Eu não sei ainda, ela ainda não voltou pra cidade", eu disse pra ele.
"Entendo, você não tem planos de procurar por ela, então", ele não perguntou, ele afirmou como se já soubesse.
"Não, eu só estou esperando pra ter certeza de que ela não foi fazer uma viagem antes de ir procurá-la", eu disse sinceramente pra ele.
Eu queria ter certeza de que o pânico era só na minha cabeça, eu não ia parecer muito bem se fosse por aí procurando por ela como se eu tivesse perdido algo, conhecendo ela, ela ia surtar e eu queria evitar isso a todo custo.
"Sua irmã ainda não te contou nada, né?" Ele perguntou de novo.
"Não, a Camilla também não tá falando comigo", eu falei.
"Entendo, onde ela está mesmo?" Ele levantou os olhos dos papéis pra encarar direto nos meus olhos.
Eu abaixei o olhar imediatamente, o olhar dele era mais intimidador que o do alpha.
Era na ponta da minha língua contar pro meu pai sobre o parceiro da Camilla ser humano, mas a Camilla nunca mais ia falar comigo se isso acontecesse. Ela era muito de guardar segredos e ia odiar qualquer um que ousasse contar os dela.
Ela tava procurando um motivo pra me bater e eu ia dar um na bandeja de ouro se eu contasse pro meu pai que ela tava escondendo o parceiro dela deles por tanto tempo, tanto quanto eu tenho a minha ou até mais tempo, considerando que ela encontrou o dela antes de mim.
"Provavelmente saindo com o Ben ou com alguns amigos da escola", eu disse.
Ele assentiu, voltando pros documentos.
"Você vai me contar alguma vez o que aconteceu entre você e o Ben?" Ele perguntou com a maior naturalidade.
"O quê?!" perguntei chocado.
"Não finja surpresa, garoto. Você sabe que eu ia descobrir mais cedo ou mais tarde. Sua cara tava infeliz quando você mencionou o Ben. Isso entregou tudo. O que aconteceu?"
"Ele beijou minha parceira", eu disse, dando de ombros.
"Ele fez o quê?!" Ele trovejou.
"É, essa foi minha reação exata", eu falei pra ele.
"Espero que a próxima reação tenha sido você chutando a bunda dele, melhores amigos ou não. Isso é totalmente inaceitável nesse mundo e ele sabe disso. Qual foi a desculpa dele?"
"Sim, pai, eu chutei a bunda dele bem direitinho. E ele viu ela primeiro, essa foi a razão dele pra beijar minha parceira", eu falei.
Falar sobre isso agora me deixou meio bravo, bravo o suficiente pra voltar lá e bater nele de novo e de novo até eu me sentir satisfeito. Quantos anos de amizade acabaram por causa da traição dele? Bem, sempre há espaço pra fazer mais amigos.
"Esse é meu garoto, você sempre pode fazer amigos melhores. Um que não beijaria sua parceira porque ele viu ela primeiro", ele disse balançando a cabeça.
Eu ri um pouco com isso. Foi muito engraçado.
"Valeu, pai, me sinto melhor agora"
E essa foi a verdade, eu não tinha conseguido falar sobre isso desde o dia em que aconteceu, mas agora tinha passado porque eu falei com meu pai sobre isso. Eu senti alívio instantaneamente.
"Você pode ir agora e dizer pra sua irmã que eu quero vê-la", ele instruiu.
"Ok"
Eu me virei e fui de volta pro meu quarto.