Confiança
“Silêncio! Sem barulho!”
“Só tô curiosa.”
“Talvez ela esteja aqui e nos leve como a Azara e a Mina.”
“É verdade?”
“Sim, levaram elas mais cedo.”
“Por quê?”
“Não sei.”
Eu tava atormentada pelo barulho das almas selvagens perto de mim, olhei na direção delas. São as únicas almas que se escondem, mas fazem barulho.
“Ela tá olhando pra gente, irmã.”
“Ah, para! Se esconde!”
“É possível?” Eu perguntei enquanto olhava pra elas. “Não façam tanto barulho,” eu falei, irritada e depois fiz elas sofrerem.
“Eu consigo ver a forma verdadeira dela.”
“Verdade, eu achei que o chifre dela era bem pequeno.”
Eu queria levar eles pro inferno pra eles se acalmarem, mas não posso porque não volto pro inferno sem terminar a minha missão.
Olhei na direção dos três que estavam dormindo no sofá grande. É bom de olhar pra eles em paz, e até algumas almas tão do lado deles pra ficar olhando.
“Já chega, talvez eles acordem por causa dos seus olhares,” eu falei, então elas olharam pra mim, eu fiquei chocada ao ver uma alma segurando a cabeça do Pavel.
“Eu não falei que ninguém vai tocar neles?” Eu perguntei com raiva, então aquela alma parou e se afastou lentamente do Pavel.
“Me diz, pra onde você quer ir?” Eu perguntei.
“Eu! Eu! Eu!” O garoto que me cumprimentou falou com entusiasmo enquanto levantava a mão. “Eu quero ir pra outro país caso--”
“Céu ou inferno são as únicas opções,” eu falei com raiva.
“Claro que é o Céu.” disse o garoto com um sorriso no rosto. “Eu não posso ir, porque eu não fui batizado.” Eu parei no que ele disse. Tem tristeza na voz dele, mas no rosto dele tem um sorriso.
Ele vai pro primeiro círculo por acaso, mas o guarda do Primeiro Círculo ainda não pegou ele.
“Você já encontrou o guarda do primeiro círculo?” Eu perguntei e ele assentiu. Então, ele fugiu do guarda do primeiro Círculo.
Eu estava exausta.
“Qual é o seu nome?” Eu perguntei, e o garoto sorriu pra mim.
“Draken Hudgens.” Ele respondeu, eu desviei o olhar.
“Vem com a gente quando a gente for embora daqui,” eu falei fazendo as almas que estavam com a gente fazerem barulho.
“A gente também vai?”
“Por que você ia levar ele com você?”
“Você vai levar ele pro guarda do Primeiro Círculo?”
“É possível não fazer barulho de novo, calem a boca!” Eu falei com raiva enquanto cruzava os braços.
“Eu não vou levar ele pro guarda do Primeiro Círculo,” eu falei e olhei pro garoto na minha frente. Eu respirei fundo e suspirei.
“Eu vou batizá-lo,” eu falei suavemente pra que os arredores ficassem quietos. Desviei o olhar vendo todos olhando pra mim. Eu olhei pra cima e cruzei os braços.
“Não fiquem me olhando,” eu falei.
“O que você vai fazer com ele?” perguntou uma alma velha.
Eu respirei fundo e depois olhei pra ele com irritação.
“Você é surdo? Eu j falei o que vou fazer com ele, já chega.” Eu falei e depois franzi a testa.
“Ela é um demônio?” Eu ouvi uma mulher sussurrando.
“Espera, você não é um demônio? Como você vai batizar essa criança?” perguntou um homem.
“Parem de me perguntar,” eu falei irritada. “Vocês não confiam em mim?”
“Não.” Todos responderam ao mesmo tempo, o que me deixou ainda mais put*. Sim, aliás. Como eles podem confiar em mim se eu sou um demônio? Eu parei.
Eu sou um demônio, por que eu ia pedir a confiança deles? Eu não preciso dessas coisas.
Eu olhei pra criança.
Por que eu deveria batizá-lo? Eu deveria estar feliz porque ele vai pro inferno, mas por que eu sinto pena dele?
Misericórdia? Esse não é o meu estilo.
Eu respirei fundo.
“Eu mudei de ideia,” eu falei friamente e depois olhei pra criança. “Só aceite que você vai pro inferno porque crianças pecadoras como você devem ser punidas,” eu falei virando as costas pra ele. Eu fechei os olhos quando ouvi alguns sussurros das almas que estavam com a gente.
Eu fui pro lado e sentei, olhei pras poucas almas que estavam me olhando, respirei fundo e fiquei acordada pra cuidar dos três.
“Eu vou com você.” Eu olhei pro meu lado quando ouvi o garoto.
“Tss, sai do meu lado,” eu falei.
Ele só sorriu pra mim fazendo com que eu ficasse ainda mais irritada.
“Eu vou com você porque você disse que ia me batizar. Mesmo que eu tenha medo de você, eu vou, eu confio em você.” Eu fiquei atordoada com a última coisa que ele disse.
Meu corpo pareceu ficar rígido com o que ele disse. Eu me virei pra ele, e o sorriso ainda estava lá no rosto dele. Eu quero estrangulá-lo e esmagá-lo, mas meu corpo fica rígido por causa do que ele disse.
‘Eu confio em você.’
confiança
Essa é a primeira vez que alguém me diz que confia em mim. Essa é a primeira vez que alguém confiou em mim.
“Você tá bem?” Eu voltei pro meu transe quando ouvi a voz dele de novo. Eu só olhei pra ele,
Eu não sei o que dizer, especialmente porque eu estava muito sobrecarregada com o que ele disse.
“Até quando?” Eu perguntei fazendo com que ele franzisse a testa. “Por quanto tempo você vai confiar em mim?” Eu perguntei, ele sorriu ainda mais e de repente me abraçou fazendo com que eu ficasse ainda mais atordoada.
“Até eu finalmente ascender ao céu, eu nunca vou perder a minha confiança em você.” Ele disse enquanto me abraçava.
Eu só olho pra outra direção, o que eu sinto? Por que eu tô ficando emotiva só por causa desse garoto? Ele é só uma criança, ele não pode me levar assim.
“Fique longe de mim, você só vai se machucar,” eu falei fracamente, mas ele me abraçou com mais força. Meu rosto estava sem emoção enquanto eu olhava pra outra direção.
“Eu vou ser muito grato se você me batizar.” Ele disse e depois soltou o abraço, meu olhar permaneceu na direção que eu estava olhando. Ele desapareceu lentamente do meu lado, mas eu ainda estava olhando na direção que eu estava olhando.
Confiança, lealdade, criança. Eu olhei pro chão quando ouvi uma gota de líquido do meu olho, eu enruguei a testa e limpei a parte de baixo do meu olho.
Que líquidos são esses? Por que vaza sozinho?
“Ksara?” Eu lentamente me virei pra olhar pro Pavel, eu vi ele sentado enquanto olhava pra mim.
“Você tá chorando?” ele perguntou, então eu olhei pra minha mão que estava limpando o líquido que escorria dos meus olhos mais cedo.
“Chorando?” Eu perguntei, ele de repente veio até mim e enxugou o líquido que escorria dos meus olhos.
“Por que você tá chorando?” Ele perguntou confuso, eu não respondi, em vez disso, eu sorri.
“O que significa, quando as pessoas choram?” Eu perguntei, então ele olhou pra mim. O rosto dele mostrou preocupação.
“Quando as pessoas choram, elas podem estar machucadas, alguém briga ou elas podem estar muito felizes.” Ele respondeu. Eu ri.
“Muito feliz?” Eu perguntei olhando nos olhos dele.
“Eu tô muito feliz,” eu sussurrei. “É por isso que eu chorei,” eu adicionei e depois abracei ele. Eu fechei os olhos por causa dos meus sentimentos.
Teve um ser, pela primeira vez, que confiou em mim. É por isso que eu não quero quebrar a confiança que ele me deu.
Eu senti ele me abraçar, eu fiquei atordoada e de repente empurrei ele pra longe de mim. Ele ficou de repente surpreso, por isso eu levantei uma sobrancelha pra ele.
“Quem disse que você pode me abraçar?” Eu perguntei, a testa dele imediatamente franziu.
“Você é que me abraçou.” Ele disse.
“Volta pro teu lugar, vai dormir,” eu falei.
“Mas--”
“Volta,” eu falei, por isso ele se curvou enquanto fungava e depois, como uma criança, que foi pra o lugar dele mais cedo e deitou. Eu respirei fundo e depois me encostei na parede e cruzei os braços enquanto olhava pro comportamento do Pavel.
Nós vamos enfrentar um longo dia amanhã.