Casa antiga
A gente tava olhando pra aquela casa preta velha na nossa frente, tinha três andares e o portão tava enferrujado.
Tinha árvores do lado, mas tavam mortas. Do lado da casa, dava pra ver a barreira que dividia a cidade e a metrópole, tipo, quando você passava aquela barreira, era como se tivesse na cidade.
Eu vi corvos voando por aí, a fonte no meio não tinha água, umas janelas da casa tavam quebradas e a porta tava aberta, e ninguém morava lá.
"É isso aí?" Cynrad perguntou, olhando pra casa.
"Essa é a primeira casa do antigo primeiro-ministro", Pavel falou, olhando pro mapa. Ele dobrou o mapa e depois olhou pra casa.
"A parada dessa casa é que ela tem mais de cento e cinquenta e seis anos", Pavel disse.
"E aí, olha isso!" A gente olhou pro Bael, que tava apontando pro portão enferrujado.
"O sobrenome do antigo primeiro-ministro tá gravado no portão, vocês tão ligados que ele tá dentro da casa, só dormindo?" Bael perguntou.
"O cérebro dele não funciona nem um pouco", Cynrad sussurrou, aí olhou pra mim. "Qual o plano?" ele perguntou.
"Entrar na casa", eu falei.
"A gente pode ser processado por invasão de privacidade se entrar, a gente não tem..."
"Casas velhas como essa aqui não servem pra nada politicamente", eu falei, aí olhei pro Pavel. "Parece que o governo e os ministros tão pagando juros por aquela casa velha?" Eu perguntei, aí zoando ele.
"Deixa as leis de lado, a gente tá aqui pra achar o que você tá procurando. Se você quer facilitar o trampo, só me segue", eu falei, aí fui na frente pra abrir o portão e entrei no quintal da casa velha.
A brisa tava fria, eu sorri quando vi, de onde eu tava, o medo das almas olhando pra mim. Alguém tava me atormentando, bloqueando minha alma com uma criança.
"Pai?" Ela perguntou. Eu só olhei pra ela e mostrei meus olhos vermelhos. De repente, ela sumiu de onde tava. Eu olhei pros três atrás de mim e olhei em volta.
"Tenho certeza que tem fantasmas aqui", Cynrad falou, olhando em volta.
"Quão certeza você tem?" Bael perguntou, que tava no meio dos dois e tava assustado.
"Mais certeza que certeza", Cynrad falou, aí mostrou a pele dele arrepiada.
"Ah, tá, meu cabelo vai ficar em pé", ele disse.
"Eu vi uma criança mais cedo", eu falei, então os três olharam pra mim.
"C-criança?" Eles perguntaram ao mesmo tempo. Eu balancei a cabeça, aí me virei pra eles e dei um sorriso.
"Sim, ela tá procurando o pai dela", eu falei, aí olhei atrás da árvore, onde a criança que me bloqueou mais cedo tava escondida.
"Y-yuniko, por favor, não nos assusta", Cynrad falou.
"É aqui que a gente vai dormir", eu falei.
"QUÊ?" eles perguntaram ao mesmo tempo, então eu me virei pra eles.
"Por quê?" eu perguntei.
"N-nós vamos dormir aqui?" Pavel me perguntou.
"Vocês querem dormir aqui fora? Claro que a gente dorme dentro", eu falei, e os olhos deles arregalaram ainda mais.
"Eu vou é pra casa", Bael falou, e virou as costas pra gente.
"Beleza, toma cuidado, você pode encontrar os lobos na floresta", eu falei pra parar ele, ele imediatamente voltou pro meio dos dois e me olhou como uma criança.
"É a Yuniko, não seja assim, eu nem falo mais assim", Bael falou como uma criança, então eu ri e imediatamente fiquei séria.
"Quem disse que eu tava brincando? Tô falando sério", eu falei, e eles ficaram atormentados.
"Se você não quiser dormir aqui nessa casa, não durma, eu não tô forçando ninguém", eu falei, aí comecei a andar. Ouvi os passos deles me seguindo.
"Achem um lugar seguro pra dormir", eu adicionei, entrei na porta quebrada da casa. Quando entrei na casa, fui imediatamente recebida por umas almas que tavam jogando no meio, onde tinha uma mesa. Elas imediatamente olharam pra mim e de repente sumiram. Eu liguei a luz, mas não funcionava mais, por isso eu só usei meu poder pra abrir e ter luz dentro.
"É um milagre a luz ainda estar funcionando", Cynrad falou, assustado. Olhei pros três.
"Descansem um pouco", eu falei, então eles olharam pra mim.
"E você?" Pavel perguntou. Eu fiquei atormentada.
"Eu provavelmente vou dormir nesse quarto", eu menti, mesmo que fosse a verdade. Eu só vou dar uma volta na casa toda.
"É mesmo? Você não tá com medo?" Pavel perguntou.
"Vocês tão com medo de fantasmas?" eu perguntei pra eles.
"Q-quem disse que a gente tá com medo?" Bael perguntou, corajoso, mas com medo.
"A garota atrás de você", eu respondi a pergunta dele, ele imediatamente gritou e fez o sinal da cruz, então eu fechei os olhos e me afastei dele. Fiquei tonta com o que ele fez.
"E aí... você tá bem?" Pavel me perguntou. Ignorei ele, em vez disso continuei com os olhos fechados. Depois de um tempo, ouvimos um barulho lá em cima, fazendo o Bael gritar ainda mais, e de repente veio pra mim e me segurou pelo braço. Eu imediatamente gritei quando ele me tocou, fazendo eles olharem pra mim.
"E aí, o que aconteceu com você?" Pavel perguntou, olhando pra mim. Olhei pro meu braço que o Bael segurava, a mão dele tava lá, então olhei pra ele com medo no rosto. Ele tava olhando pro meu ferimento.
"O que aconteceu com o seu braço?" Cynrad perguntou. Pavel veio pra mim e ia pegar no meu braço quando eu me afastei dele, então ele olhou pra eles maldosamente.
"Vocês podem ir dormir? Tão exagerando demais", eu falei, aí subi as escadas velhas da casa, segurando meu braço que o Bael segurou.
Olhei pro fantasma que fez o barulho lá em cima, ele só se escondeu atrás de uma porta, olhando pra mim. Entrei em um quarto e olhei pro meu braço, que tinha um ferimento. É sinistro.
"Ele não é aquele que amaldiçoou a cidade?"
"Que é você, não é ela."
"Não é? É tipo ela."
"Cala a boca", eu falei, irritada com as duas almas da mulher embaixo da cama onde eu tava sentada. Elas de repente vieram na minha frente e olharam pra mim, eu olhei pra elas, então elas de repente ficaram com medo, mas ficaram na minha frente.
"Você é uma das guardiãs dos sete círculos, não é?" Uma garota de cabelo curto perguntou. Ignorei elas.
"Você conhece aquela que amaldiçoou a cidade toda?" Uma mulher de cabelo longo perguntou.
"Eu quero ficar sozinha, vão embora", eu falei, mas elas só riram.
"A que cometeu a maldição é sua irmã?" Eu olhei pra elas com raiva.
"Que maldição vocês tão falando?" Eu perguntei, irritada.
"Aquela maldição..."
"Shiii, alguém tá vindo", a mulher de cabelo longo falou, aí puxou a parceira dela pra longe de mim. Eu tava em agonia, então olhei pro meu ferimento de novo, tava muito ruim.
"Lutando?" Olhei pra pessoa que tava falando de cima de mim, e meu sangue ferveu mais ainda quando vi a Alada pendurada no lustre do quarto.
"O que mais você precisa?" Eu perguntei pra ela, irritada.
"Eu só vou levar duas almas selvagens", ela falou e de repente sumiu lá em cima. Em um instante, ela tava na minha frente, segurando a alma da mulher que tava falando comigo mais cedo. Na mão esquerda, ela tava segurando a mulher de cabelo longo, enquanto na cauda, tava a mulher de cabelo curto.
"Nos ajude!" A garota de cabelo curto gritou, com medo. Eu fiquei encarando a Alada.
"Quando você começou a coletar almas selvagens?" Eu perguntei, e ela sorriu pra mim.
"Agora", ela respondeu, aí sacudiu as duas.
"Elas são muito barulhentas", ela falou, aí olhou pra mim.
"A propósito, eu vi seus amigos lá embaixo. Belas caras", ela falou com um sorriso, aí de repente foi pro meu lado e colocou o braço em volta de mim.
"Vamos, irmãzinha, quando você completar sua missão, eu te conto todos os meus segredos", ela sussurrou e de repente sumiu com as duas almas. Fiquei sozinha no quarto. Suspirei e olhei pela janela quebrada.
"Você é sempre tão misteriosa, Alada", eu sussurrei pra mim mesma.