Apaixonado
Eu fiquei assistindo em silêncio como a mulher santa arrumou a cama dos três otários, até vi ela respirar fundo depois que cobriu os três que estavam desacordados, quando pisamos na porta, Cynrad, que teve que segurar Bael, que também estava desmaiado. A mulher santa olhou pra mim e sorriu com dúvida.
"Me desculpa, achei que podia ensinar coisas ruins pro Pavel e te ajudar." Ela falou e minhas sobrancelhas se arquearam e eu a sinalizei pra sair do quarto a sós, sentei no sofá e fiquei olhando ela fechar a porta do quarto e então se sentou na minha frente hesitante, consegui sentir o medo percorrendo o corpo dela.
"Me desculpa--"
"O que você faria se estivesse no meu lugar e alguém gostasse de você?" Eu interrompi o que ela ia falar, ela parou e me encarou, pareceu entender o que eu queria dizer. Aos poucos o medo foi sumindo do corpo dela.
"Acho que não tem nada de errado em só deixar essa pessoa gostar de mim." Ela respondeu e eu cruzei os braços e encostei no sofá.
"Mesmo sabendo que nós dois vamos perder no final, eu só deixaria ele fazer o que ele quer se eu estivesse no seu lugar e fosse alguém como você. Eu não ia ditar o que ele sente porque, primeiro de tudo, é isso que ele sente e, segundo, eu não forcei ele a gostar de mim." Ela falou e eu suspirei.
"A menos que... eu também tenha sentimentos por essa pessoa." Eu olhei pra o que ela disse. "O único poder no mundo que é difícil de vencer é o amor, se a gente se quer não tem porque impedir, se a gente impede é como se estivesse só nos torturando e desperdiçando o tempo que a gente devia estar sentindo o amor que a gente sente um pelo outro." Ela falou e meus lábios se separaram. Ela falou um monte.
"Mesmo que seja proibido, você ainda vai lutar por isso?" Eu perguntei e ela imediatamente assentiu.
"É melhor você tentar lutar e perder do que não lutar e perder." Ela falou e então sorriu pra mim.
"Amar ele é um jogo perdido, essas frases são pra você. Isso quer dizer, se você amar ele, você já perdeu. Você perdeu porque amou ele, o que você deveria ter vindo fazer aqui pra ele ficar ruim é porque você amou ele." Abaixei a cabeça por causa do que ela falou, ela parecia saber dos sentimentos do Pavel por mim.
Eu fiquei em silêncio. Não sei por que fiquei chocada com o que essa mulher santa falou, de alguma forma ela foi útil.
"Ele se confessou pra você, né?" Ela perguntou e eu desviei o olhar. Ela riu. "Dito isso, eu nunca errei de verdade." Ela falou e então encostou no encosto da cadeira.
"Qual é o seu plano? Agora que a pessoa que você quer que fique ruim gosta de você?" Ela perguntou e eu olhei pra ela. "Você provavelmente não gosta dele, né?" Ela perguntou e minha testa enrugou e ela hesitou.
"Claro que não," Eu falei e então levantei as sobrancelhas. "Como você sabe se você gosta de um cara?" Eu perguntei e ela riu.
"É simples quando seu coração bate mais rápido e quando vocês estão juntos você não sabe que o tempo está passando, quando você sente algo no estômago como borboletas voando e quando você fica com ciúmes toda vez que as garotas chegam perto dele e quando você de repente sorri quando o nome dele é mencionado." Fiquei chocada de repente, pelo jeito, ela falou como se pudesse sentir isso.
"Você já sentiu essas coisas?" Eu perguntei e o sorriso de repente sumiu dos lábios dela e ela assentiu devagar.
"Antes." Ela respondeu.
"O que aconteceu?" Eu perguntei, ela sorriu pra mim com uma ponta de dúvida.
"Nada, vai com as outras mulheres." Ela respondeu e eu ri. "As pessoas geralmente não têm certeza dos seus sentimentos." Ela falou e isso me fez sorrir.
"Vocês só gostam do Zeus que não se cansa de uma," Eu falei e os olhos dela se arregalaram. "Meu pai ainda é bom, contente com a minha mãe. Ele é uma forma de escuridão, mas ele é mais leal do que o pai que fez você." Eu falei e balancei a cabeça.
"Você é filha de Hades e Perséfone?" Ela perguntou, eu só dei de ombros em resposta.
"Não são só três filhos? Makaria, Melinoe e Zagreus?" Ela perguntou, eu ri.
"Nós somos seis," Eu falei, fazendo os olhos dela se arregalarem. "Alada é a quarta, Avila é a quinta e eu sou a sexta filha," Eu falei e ela abriu os lábios em choque, eu só dei de ombros e mudei de assunto.
"O que exatamente você está dizendo sobre a maldição na cidade?" Eu fiz uma pergunta diferente, a aura dela de repente enfraqueceu e havia tristeza nos olhos dela.
"Ah, é? Sabe, essa maldição é muito poderosa pra fazer, a única coisa que posso dizer é que quem contar a história dessa maldição será morto." Ela falou e meus lábios se separaram.
"Eu quero te contar, mas ainda quero voltar pra casa viva." Ela falou tristemente. Respirei fundo, então uma maldição forte está fluindo por aquela cidade.
"Mas eu conheço alguém que pode te contar o que está acontecendo naquela cidade, ele vive nesse mundo há centenas de anos e tenho certeza que ele poderá lutar contra a maldição inicial daquela maldição que envolve a cidade." Ele falou e eu me levantei.
"Vamos," Eu falei, e os lábios dela se contraíram.
"Hã? mas está tarde, ele provavelmente já está dormindo e descansando, vamos amanhã," Ele falou.
"Temos algo importante pra procurar amanhã, então não tenho tempo amanhã, então vamos agora," Eu falei, ela colocou a mão na cabeça.
"Mas ele não quer--"
"Você não quer voltar pra casa?" Eu interrompi o que ela ia falar, ela engoliu e foi forçada a se levantar.
"Eu nunca vou vencer contra você." Ela falou e então se virou.
"Só vou pegar minhas coisas." Ela falou e entrou no quarto.