Epílogo
Era tarde quando percebi que ele tava com febre, se eu não tivesse notado antes que ele tava quente, não teria sacado que ele tava doente, não sei o que fazer. Não sei cuidar de uma pessoa doente, o que eu costumava fazer como demônio era dar doença, então não sei como cuidar dele agora que ele tá doente.
Quero ir lá fora e contar pro velho que o Pavel tá com febre, o problema é que trancaram a porta, então não posso sair desse quarto, velho.
"Pavel.. Pavel, acorda e se cuida." falei enquanto o acordava, fechei meus olhos e me acalmei, minha paciência é curta quando se trata de cuidar de alguém.
"Ksara, se acalma, é normal as pessoas ficarem doentes." falei pra mim mesma, levantei da cadeira e dei uma volta pelo quarto do Pavel pra achar uma cura pra febre dele, vi uma toalha nas roupas do Pavel, então peguei ela, fui até a mesinha dele e coloquei água morna numa bacia pequena, depois coloquei a toalha lá.
É assim que eu vejo as pessoas tratarem a febre de uma pessoa.
Quando coloquei a bacia pequena na mesa ao lado da cama do Pavel, engasguei e cocei a cabeça.
"Como eu começo isso?" perguntei irritada, sentei ao lado do Pavel.
Fiquei encarando o Pavel por alguns minutos, que ainda tava desacordado.
"Se reprime, você se negligencia demais." sussurrei, comecei a torcer a bimpo que eu coloquei na água morna e esfreguei devagar na cabeça dele. Enquanto eu fazia isso, meu coração tava acelerado, não sabia o que tava acontecendo comigo, toda vez que minha pele encostava na pele dele, apareciam imagens na minha mente que aconteceram no nosso passado.
"Fecha." parei de limpar a testa dele quando ele mencionou meu nome de novo, sorri e lembrei do passado, onde eu não queria que ele mencionasse meu nome porque me irritava.
"Seu nome é Ksara, meu nome é Pavel. Prazer em te conhecer." ele disse com um sorriso, só fiquei olhando pra ele até ele vir até mim de novo, me fazendo ficar surpresa.
"Bom dia Ksara, vamos comer juntos." Ele disse, por isso fiquei atormentada.
"Pode me chamar de única." falei, então ele me olhou de novo.
"Por quê? Não quer que eu te chame de Ksara?" perguntou.
"Não quero e proíbo você de me chamar pelo meu nome." falei, então ele riu.
"Seu nome é lindo e você não quer--"
"Quando eu digo que não quero, não quero." falei friamente, então ele ficou chocado e fez beicinho, sentou numa cadeira de frente pra mesa cheia de comida.
"Ok, não vou mais te chamar pelo seu nome." Ele disse, apontou pra cadeira na frente dele.
"Ksara, o que você vai trazer?" olhei com raiva pro Pavel quando ele mencionou meu nome, ele só sorriu e coçou a cabeça.
"Me desculpa, é a mesma coisa que dizer seu nome." ele disse, por isso fiquei atormentada.
Continuei limpando ela de novo até a próxima coisa que eu limpei foram as mãos dela, meus olhos caíram na bolsa que ela tava usando, sorri e tirei minha bolsa do meu bolso.
Lembrei de novo de como ele tinha me dado.
"Yuniko, olha isso." Ele se virou pra mim e de repente segurou minha mão, me fazendo ver algumas imagens de novo, fiquei surpresa quando ele colocou uma bolsa em mim.
Franzi a testa enquanto olhava pra ele com um sorriso, olhei pra bolsa preta que ele colocou na minha mão esquerda, tinha um coração azul no meio, era pequena e solitária.
"É linda, olha pra ela também." ele disse e levantou a mão direita, era igual a bolsa que ele usava em mim.
As rugas na minha testa desapareceram devagar, ele sorriu e me olhou.
"Isso, isso é um símbolo da nossa amizade." ele disse, soltou minha mão.
Olhei pra bolsa. Símbolo?
"De agora em diante, não vou mais te tratar como uma estranha, serei um amigo." ele disse com um sorriso, levantei meus olhos pro rosto sorridente dele.
Fiquei chocada com o que ele disse, só olhei pra ele, meu cérebro não conseguia processar o que ele disse. Ele voltou a comprar as coisas na frente dele.
"De agora em diante, não vou mais te tratar como uma pessoa única, vou te tratar como um amigo." amigo
Continuei olhando pras costas do Pavel, que tava feliz olhando pras decorações. Essa é a primeira vez que alguém me deu algo pequeno e simples.
Olhei pra bolsa que ele me deu. E essa também foi a primeira vez que alguém me disse que eu era amiga.
Olhei pra pessoa de novo. Por que você é assim? por que você se comporta assim? Não estou feliz porque você é muito gentil e muito generoso. Não estou feliz porque você só está tornando minha missão mais difícil.
Essa pessoa…
Me abaixei e respirei fundo.
.. tem algo nele que eu não consigo descobrir o que.
"Yuniko, vamos." Ele disse preocupado, olhei pra ele que tava olhando pra vendedora.
Me aproximei dele.
"Me desculpa." ouvi o que o Pavel disse, olhei pra garota na nossa frente que parecia brava.
"Seu homem, as coisas aqui não são de graça. Tudo é pago, entendeu? Você abriu minhas mercadorias logo e ainda não pagou." disse a mulher, olhei pro Pavel que tava se curvando.
Franzi a testa.
Por que ele deixa essa garota fazer isso com ele? Ele é o príncipe, então deveria estar com raiva porque não é respeitado pela pessoa que está na frente dele.
Fiquei triste, esqueci que metade do rosto dele tava coberto pra que ele não fosse reconhecido.
Olhei pra mulher que obviamente tava brava.
"Yuniko, você tem ouro? Eu não sabia que tinha uma taxa pras mercadorias aqui." ele disse, apontou pra minha bolsa e pra bolsa dele.
"Duas moedas pequenas de ouro equivalem a essas duas, e essa também." ele disse, mostrou as que pegou. Tô tão cansada.
"Por que você pegou essa coisa sendo que não tinha ouro?" perguntei, ele só riu e deu de ombros.
"Eu não esperava que fosse me apaixonar por alguém aqui." ele disse com um beicinho.
"Me empresta um pouco de ouro primeiro, vou te devolver depois." ele disse. Sorri por dentro.
Tenho um bom plano.
Olhei pra mulher.
"Só vou conversar com ele." falei, coloquei meu braço ao redor do Pavel, virei as costas pra mulher.
"Escuta." falei, colei nele.
"Também não tenho ouro comigo." sussurrei, ele ficou surpreso e me olhou.
"Bem, como é isso?" perguntou. Sorri pra ele.
"Pensei em algo." falei, cheguei mais perto dele.
"Quando a mulher não estiver mais olhando pra gente, vamos embora com as coisas que você pegou." falei, ela parou e me olhou.
"Isso é ruim." ele disse, fiquei atormentada.
"Sim, eu sei, mas você não tem ouro, certo? Tem muita gente aqui que pode pegar suas compras se a gente deixar elas." falei, fazendo ela franzir a testa mais ainda.
"Mas ainda é ruim, Yuniko." ele disse, se afastou de mim.
Respirou fundo, olhou pras mãos dele.
"Elas são lindas, mas é errado a gente pegar elas sem pagar." Ele disse, isso me fez ferver o sangue.
"Obrigado." De repente ele disse isso, me fez parar. Olhei pra ele devagar. Ele me olhou enquanto sorria.
"Obrigado por me trazer pra esse lugar, essa é uma noite que nunca vou esquecer." Ele disse com um sorriso, meus olhos se arregalaram quando ele de repente veio até mim e me abraçou.
Fechei meus olhos por causa das imagens que apareceram de repente na minha mente. Engoli seco, empurrei o Pavel pra longe de mim. Ele me olhou chocado, os olhos dele se estreitaram.
"Eu te falei pra não me tocar." falei, ele riu, colocou a mão na cabeça.
"Desculpa, não consigo evitar, porque essa é a primeira vez que alguém me trouxe aqui." ele disse, olhou pra cena de novo.
Continuei encarando ele.
Não consigo mais descansar, tô confusa. O que são essas coisas que eu vejo toda vez que ele me toca ou nossas peles se tocam?
Que imagens são essas? Eu sinto que é real, mas como isso aconteceu?
Respirei fundo, não preciso descobrir que imagens são essas, meu único objetivo aqui é fazer dar ruim pra terminar minha missão.
"A propósito, que horas vamos pra casa?" Ele perguntou, olhou pra mim.
"Você que sabe." falei, senti minhas costas, peguei a bolsa que eu tava carregando antes.
"Ah." então dei a bolsa pra ele, que pegou na hora.
"O que é isso?" Ele perguntou, me fazendo franzir a cara.
"Abre o que você sabe." então me joguei no chão, fechei os olhos.
De repente, o ambiente ficou quieto, franzi a testa, abri meus olhos, olhei pro Pavel, os olhos dele estavam franzidos enquanto ele olhava o conteúdo da bolsa. Ele me olhou.
"Como você conseguiu isso?" Ele perguntou, me olhando, eu ri.
"Eu roubei." respondi, os olhos dele se arregalaram, eu ri alto, sentei.
"Claro que eu comprei." falei, a testa dele desapareceu devagar, ele sorriu.
"Mas você disse que não tinha ouro com você?" Ele perguntou, pegou o conteúdo da bolsa, sorri.
"Ainda vou perder." falei, olhando pra frente.
"E essa pulseira? É única! Quanto de ouro você gastou? Vou te pagar de volta no palácio." Ele disse, por isso olhei pra ele.
"Não se preocupe, não sei nada sobre ouro." falei sorrindo. Algo veio na minha mente de repente.
Vi ele tirando as coisas que ele tinha pego, ele já tava com a bolsa cheia, o sorriso nos meus lábios desapareceu quando vi que ele tava segurando a mesma pulseira que eu, ele olhou pra minha mão e sorriu.
"Achei que você tinha trazido de volta." Ele disse, olhou pra mim, me encolhi.
"Uma vez que é dado pra mim, não pode ser devolvido." falei, olhei pra ele com um sorriso. Vi ele colocar a pulseira na mão dele, ele me olhou e mostrou a mão onde a pulseira tava sendo usada.
"Tá, tô usando o símbolo da nossa amizade de novo." Ele disse, colocou as coisas que pegou dentro da bolsa, vi ele até terminar de colocar, de repente ele me olhou, sorriu.
Até agora... você ainda está usando.
~~~The End~~