Capítulo 1 A Noiva Salta de um Prédio de Repente
Algumas pessoas dizem que o amor é tipo uma gangorra. Quanto mais sentimento você dá, mais fodido você fica, só podendo ficar embaixo olhando pra cima.
Eu amo o Cris desde os meus quinze anos, e até o cavei com as mãos ensanguentadas por dois dias e duas noites nas ruínas do terremoto.
Mas, sei lá por que o amor é assim. Quando finalmente acordei do coma, ouvi o Cris anunciar em público que ele tava apaixonado pela minha melhor amiga, a Helena.
Hoje, é a cerimônia de noivado deles.
A Helena tava com um vestido rosa e sorria que nem uma flor. Ela veio e me abraçou forte: "Cris, eu sou a mulher mais feliz do mundo."
O Cris, que era alto e gato, ainda tava ali do lado da Helena. Como sempre, ele não falou comigo, só deu um sorriso meio distante e educado.
Meus olhos ficaram marejados, e eu abracei a Helena com força. Desejei de coração que eles ficassem juntos pra sempre, porque eles são as pessoas mais importantes pra mim.
Mas eu ainda bebi demais, inevitavelmente. Entre sonhos e acordar, alguém me ajudou a entrar no quarto, e aí eu deitei numa cama macia.
Aquela noite, eu tive um sonho lindo com o Cris.
A gente se beijava pra caramba, e eu podia até ouvir ele sussurrando no meu ouvido: "Cris."
. . . . . .
"Ah!"
Um grito histérico de mulher me acordou de repente. Era a voz da Helena!
Eu abri os olhos na hora. O que aconteceu?
Mas, imediatamente, eu fiquei em choque, tipo se tivesse levado um choque.
Porque, no momento, o Cris tá deitado do meu lado, e os olhos escuros dele vão da confusão no começo pra descrença em mim, e depois pra um baita susto.
"Por que você tá na minha cama?" O Cris passou a mão na testa, que tava franzida.
Eu acho que ele tava tão bêbado quanto eu ontem à noite.
Sem tempo pra explicar tudo, eu me vesti e falei com pressa: "Vamo, a Helena nos viu agora! Ela fugiu!"
Depois disso, eu e o Cris procuramos por dois dias e duas noites, mas a Helena parecia que tinha sumido, sem nenhuma notícia.
No terceiro dia, eu tava desesperado e de repente recebi uma mensagem de texto da Helena. Ela pediu pra eu ir na plataforma da cobertura da casa dela imediatamente, dizendo que tinha algo pra me falar.
Eu liguei pro Cris na hora e falei pra ele correr e ir comigo pra tentar convencer a Helena. Aí, peguei um táxi e fui direto pra casa da Helena.
Quando eu subi correndo a plataforma no sétimo andar, sem fôlego, não vi a Helena em lugar nenhum.
Quando eu tava achando tudo muito estranho, de repente ouvi vozes barulhentas vindo de baixo, com gritos estridentes no meio.
Um mau pressentimento bateu no meu coração, e minhas mãos e pés ficaram gelados na hora.
Quando finalmente tive coragem de chegar perto da grade e colocar a cabeça pra fora pra olhar, vi uma cena que eu nunca vou esquecer na vida.
A Helena tava caída numa poça de sangue, com o vestido rosa do noivado, e do lado dela, ajoelhado, o Cris, que chegou correndo. . . . . .
A polícia suspeitou que eu tinha algo a ver com a morte da Helena e me levou pra depor. Mas no final, eu fui inocentado por falta de provas.