Capítulo 15 Pedindo Desculpas por Esperar Demais
Apesar de Cris ter acordado, a gente nunca o viu. Ouvi dizer que ele tomou um tiro feio e ia precisar de um tempão pra se recuperar.
Já que ele tá bem, tô planejando vazar daqui o mais rápido possível.
Só que o Zheng Zehui não me deixava em paz: "Se, sei lá, você podia pelo menos encontrar com ele uma vez? Não quer saber por que eu tô defendendo ele?"
"Não quero, não." Continuei arrumando minhas coisas sem olhar pra cima: "Não é mais problema meu."
Vendo que não ia me convencer, Zheng Zehui suspirou e falou: "E o Joãozinho? Ele tá morrendo de vontade de ver o pai uma vez!"
Parei o que tava fazendo e dei uma olhada pra criança que tava sorrindo pra mim com aqueles olhos grandes. Não teve jeito, fiquei tristinha.
Joãozinho e Cris têm uma ligação forte. Não posso ser tão egoísta.
"Tá bom, vou levar o Joãozinho e esperar pra ver ele de novo." Falei.
Zheng Zehui viu que tinha me convencido, abriu um sorrisão.
Fiquei ainda mais na dúvida. O que fez meu melhor amigo começar a defender o Cris?
Agora que voltei pra China, tô planejando visitar meus antigos amigos e colegas de classe, um por um.
No começo, fui embora correndo e mal falei com ninguém.
Depois, por causa que fiquei sabendo do casamento de Cris e Nora, abandonei todos os meus números e perdi contato com todo mundo.
Mas rolou uma parada estranha. Zheng Zehui não queria de jeito nenhum que eu saísse. Ele me vigiava o tempo todo, quase virou uma cola.
"O que você tá fazendo? Por que você virou outra pessoa?" Perguntei pra ele, confusa.
Ele fugiu do assunto e botou tudo na conta do Cris.
"O Cris vai te contar quando você ver ele de qualquer jeito." Zheng Zehui disse.
Beleza, vou ver o que tá rolando!
Eu pensei que ia esperar um tempão, mas não esperei, o Cris ligou rapidinho pedindo pra gente se encontrar o mais rápido possível.
Zheng Zehui levou eu e o Joãozinho num carro que o Cris mandou e fomos correndo pra lá.
No caminho, eu tava pensando, o Cris admitiu que errou, o que eu ia fazer com ele, ficar quieta ou xingar?
Mas a realidade me deu um tapa na cara, pensei demais, porque o Cris não tava nem aí pra pedir desculpas!
Quando eu empurrei a porta e entrei, o Cris tava encostado na cama do hospital, meio pálido, com a testa franzida.
"Por que você não voltou pra América?" Foi a primeira coisa que ele falou quando me viu.
Eu fiquei parada na porta com o Joãozinho no colo. Uma raiva subiu do fundo do meu coração. Me virei e tava pronta pra ir embora.
Zheng Zehui me parou: "Se, sei lá, não fica brava, o importante é você."
Dei um empurrão nele: "Sai da frente! Vai mesmo me deixar passar vergonha?"
Pra minha surpresa, quando eu falei, a voz do Cris, que tava com a mesma raiva e com uma cara fechada, veio de trás: "Zheng Zehui! Por que você trouxe eles aqui?! Você tá louco?"
Eu e Cris olhamos pro Zheng Zehui juntos.
Zheng Zehui finalmente ficou bravo.
Ele gritou pro Cris, "Já chega! Se não fosse pelos sentimentos da Ruoruo por você, eu já tinha pedido ela em casamento!"
"Zheng Zehui! Que merda você tá falando? Já desisti dele faz tempo, que sentimentos eu ia ter!" Quase pulei: "Você não sabe o que ele fez comigo no começo, e agora quer ser o conciliador no meio?"
Zheng Zehui com a cara roxa, estendeu a mão e agarrou meu braço: "Se, se o que você disse é verdade? Então, bora agora! Nunca mais ver essa pessoa!"
"Boa!" Respondi pra ele firme, e depois apertei o Joãozinho nos meus braços.
A criança pareceu assustada com a briga dos adultos e ficou com medo. Beijei o rostinho dele com vontade: "A culpa é toda da mamãe. Vamos pra casa."
De repente, teve o barulho de coisas pesadas caindo no chão atrás dele, misturado com o som de garrafas de vidro quebrando.
Me virei e olhei surpresa.
Vi o Cris cair da cama, o soro quebrando todo no chão, e sangue saindo das mãos e do corpo dele.
Zheng Zehui correu rápido e apertou o botão da campainha.
Logo, médicos e enfermeiros gritaram um monte. Quando tudo ficou pronto, o Cris fez com que todos saíssem com uma voz fraca.
"Conta pra Ruoruo a situação. Agora a mulher sumiu." A voz do Zheng Zehui tava rouca: "Não adianta se esconder dela o tempo todo, e se você não souber da sua condição física!"
Cris olhou pra cima, e a expressão dele tava extremamente cansada: "Eu corri o risco de não deixar o Cris saber porque o médico disse que a condição dela podia ser controlada. Quero resolver a mulher e o problemão por trás dela primeiro. Quem sabe......"
Fiquei confusa com o que eles disseram, e parecia que eu tava caindo numa névoa.
Cris me olhou, e aqueles olhos sempre frios ficaram quentes. A voz dele embargou: "Cris, me desculpa."
Esperei tanto por esse pedido de desculpas. Quando ouvi, não senti nada.
Fui lá e coloquei o Joãozinho nos braços dele. "Sr. Gu, esse é seu filho."
Ele me olhou sem expressão, depois virou os olhos lentamente pro Joãozinho.
Joãozinho esqueceu a tristeza de agora. Ele riu e pegou na mão do Cris.
Os olhos do Cris ficaram vermelhos, e os lábios tremiam, como se ele não conseguisse dizer nada.
Depois ele virou a cabeça pro lado, como se estivesse tentando conter a emoção.
"Ruoruo, vamos lá fora, e vou te contar tudo." Zheng Zehui puxou a minha manga.
Assenti e segui ele pra fora.