Capítulo 3 Eu me odeio e deveria ter te matado antes
Com certeza, Cris nem me viu, então tive que pensar em outra maneira.
Depois de vagar do lado de fora da vila dele por três dias, finalmente vi o carro de Cris vindo de longe. Corri e fiquei na frente do portão, acenando desesperadamente.
Em vez de diminuir a velocidade, ele pisou no acelerador e veio pra cima de mim.
Fiquei morrendo de medo e desviei correndo. Num instante, a Maserati azul bateu no portão de ferro e fez um barulhão de "crash". A força do impacto torceu toda a frente do carro. Na hora, tava saindo fumaça branca e parecia muito perigoso.
Cris ainda tá lá dentro!
Corri pra ver como ele tava. Só que a porta foi chutada por dentro, e Cris saiu com sangue por todo o rosto.
Ele me encarou com uma cara sombria: "Cris, já esqueceu o que eu falei tão rápido? Tá correndo pra morrer?"
Entrei em pânico e revirei a bolsa procurando o celular: "Você tá machucado, vou chamar uma ambulância."
Cris pegou minha bolsa e jogou no chão.
"Sabe como eu passei por esses meses?" A tristeza no rosto de Cris não conseguia ser escondida: "Tudo isso é por sua causa."
Ele me agarrou pela gola. "Eu me odeio. Devia ter te matado antes pra vingar Helena!"
O rosto sangrento de Cris parece um pouco feroz. Ele me odeia tanto assim. Será que eu deveria contar pra ele sobre a criança?
Me arrependi da minha decisão e toquei, sem querer, no relatório do exame no meu bolso.
Cris sacou na hora. Ele franziu a testa e enfiou a mão no meu bolso. "Assustada? Quer aprontar?"
"Não..." Tentei, na hora, impedir ele de pegar.
Mas já era tarde. Cris já tinha visto.
"Filho?" Os olhos dele mostraram uma expressão bem complicada, os dedos agarrando forte o relatório, tremendo um pouquinho.
Parecia que eu tava vendo uma pontinha de esperança e falei meio sem jeito: "É meu e seu. Já tem três meses."
"Cris, nós dois não temos condição!" A cabeça de Cris caiu. Ele rasgou o relatório em pedaços em dois segundos e jogou no chão.
Meu coração gelou. Parece que ele não vai querer a criança.
"Destrua!" Cris disse, "Se você não for, eu te ajudo em dois dias!"
Terminou de falar, virou e foi embora, sem nem olhar pra mim.
A voz de Cris é tão firme que não tem espaço pra relaxar. Eu sei que ele sempre cumpre a palavra, então não tenho pra onde correr. Se eu quiser ter esse filho em segurança e dar um futuro brilhante pra ele, tenho que morder os dentes e ir pra frente.
Consegui me encontrar com a Mãe de Cris e explicar a origem do bebê na minha barriga.
"Crianças da família Aaron não podem nascer ilegítimas." A mãe dele só falou essa frase e depois se levantou e foi embora.
Logo, Cris ligou. Do outro lado, parecia que ele tava rangendo os dentes e querendo me comer e beber meu sangue: "Você é boa mesmo, Cris. Eu realmente te subestimei!"
No final, consegui o que eu queria, e meu casamento com Cris foi marcado pra um mês depois.
Eu acariciei e toquei no bebê na minha barriga, e meu coração tava com uma tristeza sem fim: "Quando minha mãe for embora, meu pai com certeza vai gostar de você e ser bom com você."
Aos poucos, o dia do casamento foi chegando, mas eu tava me sentindo cada vez mais desconfortável.
Às vezes, andando na rua, sem mais nem menos, alguém esbarrava em mim e me empurrava com força, tentando me jogar no meio da rua. Moradores que passavam por ali depois do trabalho, de repente, tinham vasos de flores caindo de cima, quase me acertando na cabeça.
As coisas não são só acidentes. Obviamente, alguém quer que eu morra!
Não pode ser o Cris, porque ele só vai lidar comigo abertamente.
Só uma pessoa faria isso, a irmã de Helena, Nora. Mas eu não odeio ela de jeito nenhum, porque eu entendo a vontade dela de vingar a irmã.
Então, nos dias que faltavam pro casamento, eu pedi demissão do trabalho, tentei sair o mínimo possível, e fiquei em casa me concentrando em cuidar do bebê.
Logo, Cris e eu nos casamos.