Capítulo 4 O Lindo Vestido de Noiva da Noiva Morta
O que eu não esperava era que a Nora chegasse logo de manhã. Ela tava com uma caixa enorme na mão e me olhou com nojo: "Meu cunhado mandou isso aqui, pra você não passar vergonha de ser pobre e não ter a cara da família Aaron."
Dentro da caixa, tinha um vestido de noiva MUITO lindo, cheio de diamante que brilhava horrores. Meus olhos quase saíram das órbitas!
Eu passei a mão no vestido, e meu coração deu uma alegria. Antes de morrer, ia poder usar um vestido desses, casar com o cara que eu amo. Deus foi bom comigo, né?
Foi um casamento meio fudido, sabe? Nem falei pra minha família. E como a família Aaron é toda grana, quase ninguém foi.
No silêncio, coloquei o vestido e fui andando em direção ao Cris.
A cara dele foi do pálido, pálido, pra uma vermelhidão de raiva. Cheguei perto, dava pra ver as veias saltando na testa dele.
O Cris jogou as flores no chão, e veio pra cima de mim, puxando a gravata. Levei um susto e fui pra trás, mas ele me pegou. O ar quente que ele soltou na minha cara: "Cris, quem te deu coragem de usar o mesmo vestido da Helena?"
Quê?! Igual o vestido da Helena?
Arregalei os olhos e virei pra Nora que tava lá, parada. Ela tava sorrindo pra mim!
Ela fez de propósito.
"Foi a Nora..." Fui interrompida pela voz estridente da Nora antes que eu terminasse. "Cris, você foi longe demais pra matar minha irmã e tentar tomar o lugar dela!"
A cara do Cris ficou pior ainda. Ele me empurrou com força e eu caí no chão.
"Você não chega aos pés da Helena. Patético, me dá nojo!" o Cris falou, palavra por palavra.
"Não fui eu. Eu nem sei como é o vestido da Helena!"
A Nora gritou: "Mentira, você viu sim, e falou que ia usar igualzinho quando casasse!"
Olhei pro Cris, e a cara dele me mostrando uma decepção GIGANTE.
Ninguém ia acreditar em mim. Todo mundo que tava lá me olhou com desprezo.
Me levantei do chão devagar, bati na roupa e olhei pro Cris, cheia de raiva: "Se você vai continuar com o casamento ou não, eu já sou sua esposa de direito."
"Esposa?" o Cris zombou e falou, "Uma esposa sem escrúpulos e cruel?"
"Cris, já que você tá fazendo de tudo pra casar comigo, então eu te digo, você é só uma ferramenta, e a minha esposa Cris vai ser sempre a Helena!"
O Cris tá certo. Meu único objetivo não é o bebê na minha barriga?
Foi a minha própria ganância e ilusão de ter um pouquinho de felicidade que não era minha. Agora essa esperança toda foi pro saco como bolhas de sabão coloridas. Chegou a hora de aceitar a realidade.
"Você não merece casar com o meu cunhado!" A Nora nem sei quando subiu no palco. Ela foi chegando perto de mim e começou a me empurrar.
Logo percebi que tinha algo de errado. Ela tava fazendo de tudo pra me jogar do palco. Meu instinto dizia que a Nora tava atrás do bebê na minha barriga.
Comecei a resistir.
Na bagunça, a Nora levantou o pé e tentou me chutar com força, mas o salto dela pareceu torcer. Aí ela gritou e caiu do palco!
A cena virou uma zona. O Cris correu e pegou a Nora.
A cara dele tava cheia de aflição e preocupação: "Nora, você tá bem?"
A Nora tava com as mãos no chão, parecendo sentir muita dor. Ela olhou pro Cris e começou a chorar: "Cunhado, não sinto minhas pernas!" Aí, ela apontou pra mim e falou com raiva, "Foi a Cris, foi essa mulher má que me empurrou!"
O Cris me olhou com mais decepção e raiva. Ele pegou a Nora no colo e saiu sem olhar pra trás.
"Eu não empurrei!" Eu gritei pras costas dele.
O Cris parou, mas logo foi embora.
A galera que tava no casamento me olhou com desprezo, e um monte de coisas horríveis chegaram nos meus ouvidos.
Eu apertei os dentes e falei pra mim mesma que tinha que aguentar firme. Não importa, né?
Eu quero viver bem até levar meu bebê pro mundo em segurança.
O Cris só voltou tarde da noite do terceiro dia. Ele foi direto pro quarto e me puxou da cama.
"Como você ainda tá dormindo?" Os olhos dele tavam vermelhos.
Eu não tava dormindo, né. Na verdade, não conseguia dormir há muito tempo. A reação da gravidez forte tava fazendo cada célula do meu corpo gritar de dor. Antes do Cris chegar, eu passei o dia inteiro na cama, sem conseguir levantar.
"A Nora ela..." O Cris abaixou a cabeça e soluçou. "Ela nunca mais vai andar."
Eu fiquei chocada com o que ele falou e fiquei parada por um tempo.
Eu nunca imaginei que a situação da Nora fosse tão séria. Ela teve paraplegia nos membros inferiores por causa da lesão na coluna, e ia passar o resto da vida numa cadeira de rodas.
Mesmo não sendo minha culpa dessa vez, meu coração ainda tava muito triste. Afinal, depois de uma coisa dessas, a idade dela de flor foi como ser declarada e sentenciada à prisão perpétua.
O Cris levantou a cabeça devagar. Os olhos dele mostravam uma tristeza profunda e determinação. Como se tivesse tomado uma decisão, a mão dele foi chegando perto do meu pescoço devagar: "Cris, é tudo por sua culpa, que a vida das duas irmãs é tão miserável!"
"Eu falei que isso não tem nada a ver comigo, você acredita? No começo, a gente era as duas vítimas, e não sabíamos de nada! E a Nora, ela caiu sem querer!" Eu olhei pro Cris com os olhos pedindo, esperando que ele me ouvisse um pouco.
Mas os lábios dele se fecharam e ele não falou nada, mas as mãos dele apertaram de repente!
A sensação de sufocamento chegou no meu rosto. Me debati com toda a minha força, mas não consegui escapar das garras do Cris. Meus olhos foram ficando um pouco embaçados.
Eu não quero morrer assim!
"Filhos!" Meus olhos se arregalaram e gritaram, e as lágrimas escorreram das minhas bochechas sem querer.