Capítulo 18 Inimigos se Encontram
Daí a pouco, entrou outro grupo de gente, com um no meio segurando uma maleta enorme.
Ele foi até Cris e falou super sério, "Sr. Gu, você já pensou nas consequências?"
Cris não falou nada, só balançou a cabeça. Depois, olhou pra cima e sussurrou pra mim, "Segue o segurança até o carro primeiro, e eu te levo depois que eu assinar os documentos."
Eu segui meu segurança pro carro lá fora, esperando por Cris com medo e tremendo.
Meia hora depois, ele saiu devagar. O pessoal em volta dele queria ajudar, mas ele fez que não.
Quando ele abriu a porta do carro e finalmente sentou do meu lado, ele tava acabado.
"Cris, você e Joãozinho estão com fome. Já tá na hora de pedir. Bora comer." Cris fez carinho na cabeça do Joãozinho.
"A gente se vira. Você pode deixar a gente na rua." Eu falei.
"Eu vou com vocês, também tô com fome." Ele me olhou com um sorriso.
Daí, antes que eu pudesse reclamar, ele falou pro motorista, "Vai pro Katz Steak."
Eu não insisti, afinal, ele tinha acabado de abrir mão de todas as empresas só pra salvar minha vida e a dos meus filhos.
Essa steakhouse fica na área mais chique do centro da cidade e é famosa pela altura. Dizem que a carne de uma vaca que atende os requisitos só pode ser apreciada por cinco convidados.
Anos atrás, Cris convidou vários alunos que se davam bem na sala pra vir com ele. Depois de tantos anos, eu não consigo evitar suspirar quando paro na porta dessa loja de novo.
As coisas mudaram!
Assim que ele sentou, o garçom veio com o cardápio e um sorrisão.
Cris pediu mingau pro Joãozinho com todo cuidado, e pediu pros garçons fazerem ele bem macio.
Depois, virou pra mim, sorriu e perguntou, "Quer pedir o seu Formosa plástico favorito?"
Eu fiquei chocada que ele ainda lembrava.
O passado veio na minha mente como uma onda.
Cris tava sentado do meu lado naquela época.
Eu fui num lugar caro desses pela primeira vez, e não sabia como pedir. Ele pareceu notar meu constrangimento e me indicou o steak Formosa mais famoso da loja.
"É meio doce. Você não gosta de coisas doces?" Os olhos de Cris brilhavam naquela hora.
Naquele momento, meu coração bateu tão forte que pra esconder o nervosismo, eu gaguejei, "Tá, como eu quero?"
Helena, que tava sentada do meu lado, quase engasgou de tanto rir: "Cris, você é tão fofo. Como é que pede o ponto do Formosa Plástico?"
Meu rosto ficou vermelho de vergonha na hora.
Cris falou de boas na época: "Cris, a gente é muito parecido. Eu fiz a mesma pergunta na primeira vez que eu vim aqui."
Helena riu. Por causa das palavras de Cris, ninguém nunca mais me zoou por isso.
Eu sei que Cris tá me dando uma força. A família dele é incrivelmente rica. Como que ia ser igual a mim?
Por causa de Cris, eu me apaixonei pelo steak Formosa dessa loja.
"Cris?" Cris viu que eu não respondi por um tempão. Ele perguntou ansioso, "Tá com medo?"
Eu levantei: "Pede o Formosa Plástico. Já volto, vou no banheiro."
Parada na frente da pia, fiquei me olhando no espelho e perdi o juízo por um tempo.
Você vai perdoar Cris? Eu me perguntei, palavra por palavra, no fundo do meu coração.
A resposta é não.
Ele tava com uma doença terminal, foi incriminado por Nora, dilacerado pela culpa, indefeso depois de saber a verdade, cheio de esperanças que ele podia acreditar, mas falhou de novo e de novo!
E o meu Joãozinho, quase não sobreviveu!
Tudo isso, eu realmente não consigo levar numa boa!
Depois de lavar o rosto com água fria, me acalmei. Agora que eu decidi, não me envolvo mais nessa vida.
"Querida, me espera, já volto, só vou me maquiar." Uma voz feminina bem familiar chegou aos meus ouvidos. Não precisei olhar pra cima pra saber que era Nora.
É um caminho estreito pra ir.
Eu levantei a cabeça e olhei no espelho pra mulher má que me empurrou da escada grávida.
Ela tá um pouco gorda, com uma maquiagem pesada no rosto, e parece bem charmosa. É totalmente diferente de Nora, que costumava ser magra e sempre parecia pura.
Os olhos de Nora varreram meu rosto sem querer, e ela congelou. Obviamente, me reconheceu rápido.
"Cris!" A voz dela ficou estridente: "Você voltou!"
Eu bufei friamente: "Cris implorou pra eu voltar, mas eu tava relutante."
Nora não escondeu o ódio que sentia por mim de jeito nenhum. Ela rangeu os dentes e me encarou.
"Parece que você foi a Sra. Gu por um ano e não ganhou muita coisa." Eu sorri pra ela: "Ouvi dizer que você não quis um centavo no divórcio. Você não amava tanto Cris? O que é isso, então?"
A cara de Nora ficou pálida. "Cris, aquele canalha, se casou comigo só pra me matar!"
Eu entendi o significado das palavras dela. Gu Wenhao não liga pro que tá errado. Ele só sabe limpar todos os obstáculos.
"Mereceu." Eu dei uma olhada pra ela. "Sai da frente."
"Você tá muito orgulhosa?" Nora falou: "Cris não hesitou em abrir mão do dinheiro no começo. Ele viu o diário e soube que foi você quem salvou ele, mas ainda mandou sua mãe e seu filho embora cruelmente!"
Meu coração apertou. Ela tava certa. O objetivo final de Cris em dar essa volta toda era ter o melhor dos dois mundos.
Mas eu não parei e fui direto pra fora.
A voz infeliz de Nora veio de trás: "Quanto você acha que Cris te ama? Dinheiro é o que ele mais valoriza!"
Eu falei sem olhar pra trás, "Acho que você vai se decepcionar. Cris abriu mão de tudo só pela segurança da nossa mãe e filho."
"O quê!" Nora gritou e correu. Ela agarrou meu braço e falou: "Você tá mentindo!"
Eu fiz "tsc" e falei, "Eu não tenho essa mania sua. Cris tá ali. Pergunta pra ele."
A cara de Nora ficou ainda mais feia. Ela pareceu tremer e pareceu ter sofrido um baque grande.
O homem careca de meia-idade que tava esperando por ela na porta olhou pra Nora surpreso: "Querida... aconteceu alguma coisa?"
Eu tirei a força a mão de Nora do meu braço: "Já arranjou outro? A procura mudou drasticamente."
Nora ficou parada ali, sem me impedir, e eu voltei pro meu lugar.