Capítulo 16 Por Trás da Mão Negra
Pelas palavras do Zheng Zehui, eu saquei tudo.
Rolou que o Cris não foi quem fez os panfletos que colaram tudo no meu bairro, sabe?
A Nora sempre jurou que não sabia de nada. O que ela disse na época era que achava que alguém da família dela tinha raiva de mim.
O Cris ficou com a pulga atrás da orelha.
Porque não ia ser a família da Nora, eles não iam de repente pensar em usar isso pra se vingar de mim depois de tanto tempo.
Também não ia ser a Nora, porque ela não quer que eu volte de jeito nenhum, o que não ia trazer nada de bom pra ela. Além disso, ela tava fingindo que tava paralisada e morando na casa do Aaron na época, então era meio complicado de sair por aí.
A época em que isso aconteceu e a época em que eu sumi do nada foi muita coincidência.
Claramente, a intenção era me forçar a sair.
O Cris começou a achar que tinha algo errado.
Ele correu e encontrou duas pessoas que me atropelaram de carro. A Nora que tinha contratado eles pra bater no meu carro e roubar meu diário.
Mas, fuçando mais a fundo, o Cris descobriu que a identidade daqueles dois caras não eram os peixinhos e siri que topam qualquer parada, saca?
Não foi bem a Nora que contratou eles, foi alguém usando ela pelas costas!
Usando ela pra sumir com toda a parentada do Cris.
Essa parada era pesada, e tudo não era tão simples quanto parecia.
Quando tudo tava meio nebuloso, o Cris tomou uma decisão rápida e resolveu não assustar a cobra.
Mas eu não esperava que eu ia gritar pra todo mundo subir no telhado, e depois rolou aquilo.
Depois, me salvaram e eu tive o Joãozinho.
Depois de pensar um monte, o Cris vai usar a Nora pra mostrar as pistas pras pessoas que tão por trás dela, porque só assim o Joãozinho e eu vamos estar realmente seguros.
Ele fingiu que acreditava na história da Nora e arrumou um jeito de se divorciar de mim, jogando todas as tretas pra cima da Nora o máximo possível, pra no final das contas, nos manter longe de qualquer perigo.
“O Cris sabe quem é?”, eu perguntei pro Zheng Zehui.
“Adivinha”, o Zheng Zehui suspirou: “Uma pessoa tão calculista deve querer um monte de vantagens. Pensa bem, a família do Cris sumiu. Se ele morrer no final, de quem vai ser essa empresa toda na família do Aaron?”.
Eu olhei pra ele, meio desconfiada.
“O Cris tem um meio-irmão, você não sabe?”, o Zheng Zehui perguntou.
O Zheng Zehui falou isso, eu lembrei de alguma coisa.
O Cris quase nunca fala desse irmão, na minha memória. Eu só fiquei sabendo quando fui na casa dele com a Helena uma vez.
Rolou que eu me envolvi, sem querer, numa briga por causa de grana entre famílias ricas e poderosas.
Eu levantei e falei pro Zheng Zehui: “Era verdade, todos os meus sentimentos eram verdadeiros. O Cris fez tudo depois”.
O Zheng Zehui assentiu.
Eu sorri pra ele. “Vou agradecer o Cris”.
O Zheng Zehui me olhou, meio hesitante: “Se… se, você quer dizer que não está preparada pra perdoar o Cris?”.
“Não perdoo, enquanto eu estiver viva, não perdoo!”, eu falei, decidida: “O estrago tá feito, tipo um espelho quebrado que não serve mais”.
O Zheng Zehui também levantou: “Não importa o que você decidir, eu vou estar do seu lado”.
Nós sorrimos um pro outro. Ele sempre vai ser meu amigo mais chegado.
“Tenho mais uma coisa pra te contar”, o Zheng Zehui falou: “Caso minha consciência não me deixe em paz”.
Vendo que eu não tinha nada contra, o Zheng Zehui disse: “Você tava desacordada depois de ser levada pro hospital naquele dia. O Cris ficou te olhando, sem comer nem dormir, até que um telefonema o chamou”.
O Zheng Zehui fez uma pausa e depois falou: “O telefonema foi pra avisar o Cris que o carro dos pais dele foi atropelado por um caminhão e eles morreram na hora…”.
“Quê?”, eu arregalei os olhos. “Você quer dizer que foi o irmão dele?”.
O Zheng Zehui não me respondeu direto, só balançou a cabeça.
“Então, dessa vez também foi ele? Por que ele atacou o Cris de repente?”, eu perguntei de novo.
O Zheng Zehui falou: “Talvez o Joãozinho não tenha voltado desde então. Eles não conseguem se controlar. Querem tentar ver se conseguem matar o Cris primeiro”.
Eu fiquei tão pálida que dei um passo pra trás e perguntei, tremendo: “O Cris e eu estamos divorciados. O que o Joãozinho tem a ver com isso?”.
O Zheng Zehui não aguentou, mas olhando nos meus olhos, que estavam cheios de angústia, ele respondeu: “Porque o Joãozinho sempre será filho do Cris, ele tem direito à herança. Mesmo que você desista, aquelas pessoas vão ter medo do matador do grande sono”.
Não é à toa que o Cris ficou tão bravo quando nos viu. Era por causa disso!
Eu quero ir embora agora, o mais rápido possível!
Pensando nisso, eu falei pro Zheng Zehui: “Reserva uma passagem, o voo mais rápido, temos que ir”.
O Zheng Zehui falou: “Já tá reservado. É amanhã de manhã cedo. Fica tranquila”.
Quando eu entrei no quarto de novo, minha raiva do Cris diminuiu um bocado. Apesar de ser impossível perdoá-lo, não tava tão tenso.
O Joãozinho tava sussurrando alguma coisa no ouvido dele, os dois sorrindo.
Depois de tão pouco tempo, a relação deles parecia ótima.
O Cris parecia meio sem graça quando me viu entrar. Ele coçou a cabeça e tossiu duas vezes, baixinho: “Cris, eu tava tão empolgado agora pouco…”.
Ele fez uma pausa por um momento, depois falou: “Principalmente com pressa”.
“Relaxa, você também tá fazendo isso por mim e pelo Joãozinho”, eu cheguei perto.
O Cris pareceu congelar. Depois de uns segundos, ele levantou a cabeça de repente e o rosto dele tava cheio de surpresa e descrença.
Depois, ele esticou a mão e me pegou. “Cris, você não tá mais brava comigo”.
Acho que ele entendeu tudo errado.
Depois de tirar a força a mão dele das minhas, eu olhei pra ele, decepcionada, e falei sério: “Esqueci tudo do passado, Sr. Gu, também. Eu entendi tudo errado agora pouco, então não tem essa de estar brava”.
Talvez minha atitude com ele seja tão estranha e educada. Os olhos do Cris tão cheios de mágoa e tristeza.
Ele abaixou a mão devagar, como se tivesse levado uma pancada forte.
“Ah”, eu suspirei no fundo do meu coração. Eu vivi muito mais do que você agora!
O Cris claramente não queria desistir. Logo, ele se esforçou pra se mexer na cama: “Cris, vem sentar aqui, ficar em pé cansa”.
Eu tô um pouco triste, por que você não me tratou assim antes? Se tiver que fazer isso agora, o que podemos salvar?
O Joãozinho correu. Ele se jogou nos meus braços. “Mãe, senta, Mãe, senta”.
Eu peguei ele no colo e balancei o narizinho dele. “Joãozinho, você tá vendo que o papai tá doente e precisa descansar. Vamos voltar?”.
O Joãozinho pensou um pouco, finalmente balançou a cabeça, e acenou pro Cris de forma sensata: “Tchau, papai”.
O Cris olhou pra gente, sem entender nada. Depois de muito tempo, ele começou a falar: “Quando vocês vão voltar pra América?”.
“Comprei a passagem pra amanhã”, o Zheng Zehui interrompeu.
“Tão cedo?”, o Cris soltou de uma vez, e depois murmurou pra si mesmo: “Bem, aqui não é seguro”.
Quando ele foi embora, o Joãozinho e ele tavam com relutância.
“Quando as coisas terminarem, nós vamos voltar pra te ver”, eu consolei ele com uma palavra.
O rosto sombrio do Cris ganhou uma pequena luz, e a pessoa toda pareceu ganhar vida de repente.
“Vou colocar tudo em ordem logo”, ele tá cheio de confiança.
Sem ter como refutar ele em voz alta de novo, eu balancei a cabeça, virei e segurei o Joãozinho pra ir, mas o Cris pegou meu braço de novo.
“Cris, me dá uma chance e deixa eu consertar tudo, por favor?”, a voz dele tremia um pouco, com uma expectativa imperceptível.
Eu não respondi, muito menos olhei pra trás. Só quebrei a mão dele com força e saí.
O tempo me ensinou a ser forte e esquecer. Me desculpa, Cris.