Capítulo 5 Dê-me algum tempo para ter um bebê
Cris congelou, os olhos dele foram parar na minha cara, tipo se tivesse uma parada de relutância pra escapar. Ele baixou a cabeça como se estivesse olhando pra minha barriga, que já tava um pouco maior.
Naquele momento, a pressão dos dedos dele sumiu de repente.
Aproveitei a chance pra soltar o dedo dele, que tinha afrouxado sem querer, e tossi alto.
"Cris, me dá uns meses... deixa eu ter essa criança... e eu vou me explicar pra Helena lá em baixo! Por favor!" Ofeguei e falei: "Você não precisa fazer nada, eu não vou te dar problema."
Cris não falou nada. Ele recuou até a porta em silêncio, abriu rapidinho e foi embora sem olhar pra trás.
Me enrolei na ponta da cama e me abracei forte.
Que merda eu fiz de errado pra Deus fazer isso comigo?
"Eu não posso me abater." Falei pra mim mesma, várias e várias vezes: "Se você não for forte, em quem o bebê vai confiar?"
Durante os próximos dois meses, nunca mais vi Cris, nem ouvi falar dele.
Assim, pelo menos, não preciso viver com medo todo dia, sempre preocupada com qual dia ele ia aparecer pra me ajudar de novo.
Hoje de manhã, tava muito mal do estômago, porque comi umas coisas que não me fizeram bem. Com medo de afetar as crianças na minha barriga, fui correndo pro hospital.
Como era hora do almoço e os médicos ainda não tinham começado a trabalhar, fui dar uma volta num jardim pequeno atrás do prédio e pensei em descansar um pouco.
"Dra. Li, por favor, me ajuda a esconder por um tempo." A voz da Nora!
Eu gelei. O que ela tá escondendo?
"Por que você tá se incomodando, sentada numa cadeira de rodas o dia todo." A voz de uma mulher de meia-idade, meio que sem jeito, continuou: "Deixa pra lá, eu também não me importo com você. Por causa dos seus pais, eu ajudei no que pude. Se cuida."
A Nora não é paraplégica coisa nenhuma. Ela mentiu!
Ela fez de tudo pra me machucar.
Sabendo que os passos da Suosuo estavam chegando, eles apareceram.
Daqui a pouco, a Nora apareceu no caminho. Ela tinha torcido o pé mesmo e tava andando com muita dificuldade, mas com certeza não era tão grave como o Cris falou antes.
Um médico de jaleco branco tava empurrando uma cadeira de rodas do lado dela, sussurrando que ela devia sair pra andar todo dia e mexer as pernas e os pés.
Eu fiquei parada onde tava. Queria conversar com a Nora. Se eu não conseguisse resolver o mal-entendido dela comigo, pelo menos eu teria tentado.
A Nora ficou chocada de verdade quando me viu, mas logo se acalmou. Depois de levar a Dra. Li pra longe, ela virou pra mim com uma cara séria.
"Nora, eu quero te explicar sobre sua irmã..." Fui interrompida por ela, que acenou com a mão impaciente antes que eu terminasse de falar.
"Cris, já que você me ouviu, não tenho mais nada a dizer." Ela levantou o canto da boca e sorriu: "Sim, eu tô de olho em você. Quero que o Cris te odeie!"
"É por causa da sua irmã? Eu posso te explicar." Falei com vontade.
"Irmã, irmã o dia todo. Cansa!" A sobrancelha da Nora franziu. "Dá pra parar de falar da morta? O que que ela tem a ver com isso?"
Eu olhei pra ela com uma cara de choque, sem acreditar.
Essa é a atitude dela em relação à irmã dela?
A Nora não tem nada a ver com querer vingar a irmã dela?
Vendo minha surpresa, a Nora deu uma risada curta: "Cris, me escuta com atenção e manda essa espécie sádica que tá na sua barriga embora e fica longe do Cris! Senão, não me culpa por ser cruel."