Capítulo 8 Quer Divórcio? Tente!
A chuva lá fora tá cada vez pior, mas eu não consigo ligar pra isso agora.
Tinha pouquíssimos pedestres e carros na rua. Eu tava dirigindo, correndo, o tempo todo. Só precisava passar pelo cruzamento ali na frente, e a casa da Mãe de Cris já tava logo ali.
Mas a tragédia aconteceu num instante, quando um carro preto passou voando, furou o sinal vermelho e bateu no meu carro.
De repente, aquela força toda fez tudo na minha frente começar a rolar e girar.
Quando eu reagi, todos os airbags do carro já tinham explodido, e meu corpo inteiro doía como se tivesse quebrado.
Sangue escorria pela minha cabeça, e minha visão foi ficando meio embaçada.
"Anda logo, já achou? Tem gente vindo." Um homem abriu a minha porta, procurando alguma coisa, e outro homem atrás dele tava pedindo com ansiedade.
"Achei! O patrão disse que a mulher ia levar." Ele pegou o diário e falou.
"Já tá tarde, vaza logo!"
Eles sumiram rapidinho na chuva torrencial.
A pessoa que veio correndo era o Cris. Naqueles olhos dele, sempre frios e sem emoção, eu até que vi um pouco de preocupação: "Vou ligar pra ambulância agora, aguenta firme aí."
Acho que eu tava alucinando.
O Cris veio na chuva, com certeza não foi porque tava preocupado comigo dirigindo naquela chuva forte. Acho que é mais provável que ele tava tentando me impedir de ir na casa dele pra não estressar a Nora.
A ambulância chegou rápido, e me levaram pro hospital a tempo. Sorte que meu ferimento não foi muito grave.
O Cris ficou do lado da minha cama no hospital, com a testa franzida e o rosto lívido.
"Você não merece ser mãe, de jeito nenhum. Nessa chuva forte, você já pensou na segurança do Joãozinho? Ele é só uma ferramenta que você usa pra me fazer refém?" Cris falou.
Ele sempre pensa o pior de mim, sem exceção.
Dessa vez, eu tava desesperada mesmo. Eu subestimei a maldade da Nora, que era muito maior do que eu podia imaginar.
E eu não esperava que a reação da Nora fosse tão rápida. Ainda bem que meu filho tá bem, senão... não quero nem pensar.
Eu preciso que a verdade sobre isso venha à tona o mais rápido possível, porque se atrasar um dia, meus filhos vão estar em perigo por um dia.
"Cris, a Helena não se matou! Ela foi empurrada da escada." Eu apertei meus dedos com força na roupa de cama e falei pro Cris, palavra por palavra.
Ele deu uma parada e me olhou com os olhos arregalados: "Que besteira você tá falando?"
Eu li a última parte do meu diário pro Cris, palavra por palavra.
Depois de ouvir, ele pensou um pouco e estendeu a mão pra mim: "Cadê o diário?"
"Os dois caras que bateram no meu carro levaram. A Nora tava por perto quando eu te liguei. Ela deve ter ouvido. Ela tá com a consciência pesada e tem medo do que tem naquele diário!" Eu falei.
"Não existe essa história de diário!" Cris balançou a cabeça e rangeu os dentes pra mim. "Cris, qual é o seu objetivo? Por que você tem que jogar essa sujeira na Nora?"
"Você pode, por favor, pensar um pouco?" Eu olhei pra ele com ansiedade: "Se eu não tivesse o diário, como eu ia saber..."
"Cala a boca!" Cris falou, "Eu sei que você viu, mas não teve coragem de contar. Você inventou essa mentira pra me enganar. Seu coração é muito mau. Claramente, foi você que fez a Helena pular do prédio, mas você inventou essa pra se livrar! Você não tem jeito!"
Eu olhei pra cara do Cris, e meu desespero começou a sair, aos poucos.
Ele não vai acreditar em nada que eu disser. Eu disse que Skyshatter não fez efeito nenhum. Eu fiquei super decepcionada com ele.
Eu não posso mais contar com o Cris, porque ele não consegue proteger os filhos dele, de jeito nenhum.
Eu subestimei a Nora, mas agora eu sei que ela é uma assassina e uma louca!
Agora eu não tenho nenhuma prova, então a melhor opção é ter meus filhos em segurança, longe da Nora.
Pensando nisso, eu tomei uma decisão, olhei pra cima e falei pro Cris, "Você pode ficar tranquilo agora. Eu não vou mais te incomodar. Vamos nos divorciar."
O Cris congelou. Uns segundos depois, a raiva começou a subir no rosto dele.
"Cris, você pode ir embora se quiser. Ninguém tá te impedindo, mas ouve bem o que eu vou falar. Os filhos vão ficar comigo. Mães como você não têm condições de criar meus filhos de jeito nenhum!"
Meu coração doeu. A Nora não vai ter meus filhos!
"Depois do nosso divórcio, você vai casar com a Nora por culpa e cuidar dela pelo resto da vida?" Eu olhei pro Cris.
Ele desviou o olhar e não respondeu minha pergunta.
Eu acho que já sei a resposta dele.
"Então eu não vou dar meus filhos pra você criar." Eu falei, categoricamente.
"Você!" Cris deu um passo à frente e me pegou no colo. Ele me encarou, com os olhos cheios de fúria: "Você sabe que eu tô pagando suas dívidas agora!"
"Não quero!" Eu fiquei com tanta raiva que zoei ele: "Você é tão bom, eu tô tão emocionada."
O Cris tava tão puto comigo que os lábios dele tremiam, e ele demorou um tempão pra conseguir falar uma frase com os dentes cerrados: "Cris, você é cruel, você não tem coração nenhum!"
Eu virei a cabeça pro lado e não quis mais conversar com ele.
O Cris não queria me deixar em paz. Ele pegou no meu queixo com a mão e forçou minha cabeça a virar pra encarar ele: "Me diz, no que você vai se apoiar pra criar o filho e dar uma boa vida pra ele?"
Eu engoli as lágrimas que estavam pra sair: "Então Sr. Gu, por favor, me dê mais pensão alimentícia quando a gente se divorciar."
O Cris me olhou com decepção nos olhos. A voz dele ficou baixa. "A Nora disse que você tinha que casar comigo por causa do dinheiro. Eu, com tristeza, esperava que não fosse assim. Agora parece que é verdade. Você viu que não tem como ganhar dinheiro comigo e planeja se divorciar e extorquir dinheiro dos seus filhos?"
Eu abaixei a cabeça em silêncio, que ele pense o que quiser.
"Cris, eu não vou deixar você conseguir o que quer." A voz do Cris foi ficando cada vez mais fria: "Quer se divorciar? Sonha!"
"Mesmo que você não concorde com o divórcio, eu vou embora. Eu não vou colocar meus filhos em perigo." Eu balancei a cabeça com firmeza.
O Cris apertou a mão com força, e os olhos dele me encararam, sem piscar: "Então tenta."