Capítulo 22 O que você acha que ele é?
O que aconteceu dessa vez deixou Cris super preocupado. Ele pediu pra eu ir morar com ele, e a atitude dele foi mega dura.
"Como é que essa galera tá te botando na mira? E sabem onde você mora? Alguém deve ter botado pilha e contou pra eles onde você tá." Cris fez uma cara séria: "Para de ser criança, você tem que passar por essa parada."
Eu tava pensando, de qualquer jeito, vou vazar daqui uns dias. Por segurança, vou dar ouvidos pra ele dessa vez.
Seguindo o Cris, voltei pra casa dele.
Assim que ele entrou pela porta, puxou o Joãozinho e eu pro sofá e me fez sentar, botando a mão no meu ombro.
"Vou cozinhar no almoço e mostrar minhas habilidades!" Cris falou animado.
"Deixa eu cuidar do seu machucado primeiro. Olha a sua cara cheia de sangue." Eu fiquei meio sem jeito.
A expressão de preocupação sumiu da cara dele, e o Cris pareceu revigorado.
"Você ainda se importa comigo." O tom dele é afirmativo.
"Onde tá a caixa de remédios? Vou pegar." Eu não quero conversar com ele.
Depois que eu tratei do machucado na cabeça dele, o Cris ficou na cozinha.
Pra falar a verdade, eu não espero muita coisa da cozinha dele. Parece que nunca vi ele entrar na cozinha desde que o conheci.
O que eu não esperava era que o Cris não me pedisse ajuda em momento nenhum, e ele não tava com pressa, como eu imaginei.
Sem esperar muito, o Cris me puxou pra mesa.
Têm vários acompanhamentos na mesa, todos pratos agridoce que eu adoro comer. Numa tigela de criança, tem também uma tigela de purê.
"Joãozinho tá comendo frango e purê de cenoura hoje." Cris sorriu e levou o Joãozinho pra um lado da cadeirinha.
Depois ele abriu a cadeira pra mim: "Cris, experimenta minhas habilidades rapidinho."
Com aqueles olhos cheios de expectativa, eu peguei um filé agridoce.
"Tá bom?" Cris perguntou.
Na real, tava bom, eu balancei a cabeça pra ele.
Ele riu, os olhos cheios de orgulho e felicidade: "Fui estudar pra fazer isso, não foi em vão. Come mais."
Depois da refeição, o Cris alimentou o Joãozinho por um tempo, e depois ficou ocupado botando comida pra mim.
Olhando pra aquela aparência dele, bonito e com uma expressão limpa, parece que encontrei de novo a minha imaginação interna sobre o amor.
Como seria bom se o tempo voltasse!
De volta ao tempo em que a gente acabou de se apaixonar, eu não ia mais ficar me humilhando. Mesmo que eu tivesse medo de fracassar, eu ia contar pra ele o que eu penso no fundo do meu coração!
Infelizmente, por causa da Helena, mas também porque a gente não foi corajoso, ele e eu nos perdemos.
Será que tá muito tarde pra começar agora? Será que eu consigo ser feliz mesmo?
Depois do jantar, o celular do Cris tocou, e ele atendeu um telefone, com uma expressão séria.
"Já tô indo." Cris desligou o telefone correndo, botou o casaco e me falou, "Cris, você e o Joãozinho ficam em casa. Não vão pra lugar nenhum. Eu volto já."
"Aconteceu alguma coisa?" Eu fiquei meio preocupada: "Você tá machucado no corpo e na cabeça, e vai sair de novo."
O Cris virou de uma vez como o vento, me abraçou e rapidinho botou um beijo na minha testa: "Não se preocupa, eu vou ficar bem."
Eu tava quase xingando ele quando ele já tinha saído correndo.
Só que assim que peguei o Joãozinho e tava lendo o livro de histórias por um tempo, a campainha tocou.
O Cris deve ter esquecido alguma coisa. Fui pra porta sem pensar e abri.
Na fresta da porta aberta, uma cara que me dava nojo apareceu de repente, era a Nora.
Eu fechei a porta correndo, tentando impedir ela de entrar, mas metade do corpo da Nora já tinha se espremido.
Ficamos travadas na porta. Ela não conseguia entrar e eu não conseguia fechar a porta.
"O que você tá fazendo aqui? Não te quero aqui!" Eu ainda tava tentando empurrar ela pra fora.
A Nora ficou presa na porta e não pareceu muito confortável. Ela me olhou com frieza e falou: "Você não quer saber quem entregou sua casa pra aqueles caras do Gu essa manhã?"
Eu olhei pra Nora com desconfiança, ela tava tão bem informada?
A Nora aproveitou o momento da minha burrice e me empurrou pra um lado. Ela entrou rápido e fechou a porta.
"Não fica nervosa, eu não quero fazer nada. Só não quero que você seja enganada pelo Cris, por isso vim te avisar." Ela falou com facilidade, parecendo calma.
Eu sei que ela vai mentir de novo.
Agora eu tenho certeza que o que aconteceu essa manhã deve ter algo a ver com ela.
Sabendo tão claramente, eu descobri que eu morava com o Cris. O que é mais assustador é que ela veio assim que o Cris saiu.
A Nora não tá só botando pilha pelas minhas costas, parece que ela também tá me seguindo.
"Ah é? Você é tão boazinha?" Eu tento não mostrar o que eu penso.
Assim que a Nora ia falar, eu levantei a mão pra impedir ela: "Espera, vou levar a criança pra dentro de casa. Crianças é melhor não ouvirem conversas de adultos."
"O que uma criança tão pequena pode entender?" A Nora olhou pro Joãozinho no sofá.
Eu não sei que remédio ela tá vendendo, mas tô preocupada que a criança esteja aqui.
Então ignorei ela e continuei levando o Joãozinho pro quarto das crianças no segundo andar.
"Joãozinho, você é bom, pode brincar com os brinquedos aqui? A mamãe tem que fazer uma coisa e vai subir mais tarde." Eu toquei no rostinho do Joãozinho.
"Hmm." O Joãozinho respondeu, pegou uma locomotiva de brinquedo e começou a brincar.
Eu saí da porta, pensei que não ia dar, e tranquei a porta de novo.
Descendo as escadas, a Nora tava sentada no sofá de costas pra mim, parecendo despreocupada.
"Fala logo, e vaza.", eu sentei na frente dela.
Ela alisou o cabelo com a mão e parecia que ia começar a mentir.
A Nora falou que o Cris tinha se esforçado pra conseguir meu perdão. Ele achou todas aquelas pessoas...
"Então eu deveria ficar feliz?" Eu zoei: "Ele deu tanto trabalho por mim."
"Bobagem!" A Nora me olhou com pena: "Ele quer seu perdão, mas não tem nada a ver com os pensamentos românticos na sua cabeça."
Eu não queria mais ouvir o pânico dela, então me levantei e me preparei pra botar os convidados pra correr.
A Nora não se mexeu. Ela só continuou falando: "Depois que te conheci naquele dia e te ouvi dizer que o Cris desistiu da empresa, de repente lembrei de uma ligação do Cris que ouvi por acaso há muito tempo."
A curiosidade me fez não parar ela. Eu queria ouvir que mentiras ela ia contar.
"O Cris parece estar no telefone com um advogado ou algo assim. Ouvi ele dizer que tudo vai ser transferido pro nome do meu filho sem o cliente saber." A Nora falou: "Cris, você é tão esperto que não pode perder. Oito ou nove de dez, o Cris transferiu muita propriedade naquela época."
Eu fiquei tão surpresa que não consegui falar.
A Nora pareceu orgulhosa: "O Cris só quer te trazer de volta, então o dinheiro ainda é dele?"
"Já que todo o dinheiro dele foi transferido, por que ele teve que aguentar por tanto tempo?"
"Ei, parece que é verdade ficar grávida por três anos." A Nora disse: "Aquele Gu Wenhao é tão cruel que até matou os pais do Cris. Você acha que o Cris não pode arrastá-lo devagar e acalmá-lo primeiro?"
Então ela bateu no chão dizendo: "Afinal, o Cris tem medo do perigo dele! Que tipo de coisa você acha que ele é!"