Capítulo 17
Eu me levantei e comecei a mancar o mais rápido possível pela mata. Os lugares estavam começando a escurecer. A última noite foi de sorte. Qualquer animal selvagem poderia ter me encontrado e me transformado em sua refeição. Eu precisava encontrar um lugar. Pior ainda, ia chover. Fortemente.
Eu manquei e manquei, ignorando a dor interminável no meu joelho e sob meus pés.
Gotas pesadas começaram a cair. Eu aumentei minha velocidade. Eu estava fraco, cansado e com fome. A chuva começou a aumentar um pouco. Logo eu estava encharcado e tremendo. Estava muito frio. O tempo tinha mudado de quente para congelante. Eu não parei de me mover. Eu tinha esperanças.
Enquanto eu mancava com dor, bem quando eu estava prestes a desistir, eu notei algo. Uma casa! Aquela casa que eu tinha mostrado ao tio Ken e ao meu pai.
Eu rapidamente fui para lá. Eu ia invadir. Eu não me importava se havia cobras lá dentro ou se era suja, velha e assombrada. Eu precisava de uma casa.
Subi para a varanda onde meu pai, tio Ken e eu tínhamos nos protegido da chuva. Fui até uma das janelas. Parecia fácil de abrir. Peguei um graveto e forcei a abertura. Quando abriu, quase gritei de alegria. Sem perder tempo, entrei na casa e fechei a janela atrás de mim.
Eu estava no escuro. Na casa. Não cheirava a velho. Procurei no escuro e acidentalmente pisei em um objeto que machucou muito meus pés, fez eu escorregar e cair para trás.
Felizmente, minhas costas tocaram na parede e ouvi um clique. Em um segundo, o lugar se iluminou.
*
Eu fiquei sem palavras. Olhei em volta. A casa não era velha. Nem parecia abandonada. Eu parecia estar na sala de estar da casa. As cadeiras e móveis estavam limpos. Havia até uma chaminé.
"Uau."
Comecei a explorar. Não havia fotos nem sinais de vida. Havia uma prateleira cheia de livros. Fui até lá e comecei a tocar nos livros. Abri um para olhar as fotos, quando de repente ouvi uma espécie de clique.
"Não se mexa!" uma voz masculina irritada me assustou, fazendo o livro cair da minha mão. Comecei a tremer, sem ter coragem de me virar.
"P– por favor..." eu gaguejei, com medo em cada parte de mim.
"Não se mexa." o homem avisou perigosamente, "Eu tenho uma arma. Um movimento e eu te mato. Seu pequeno ladrão."
Senti lágrimas encherem meus olhos. Eu estava com tanto medo que podia fazer xixi nas calças.
"Por favor! Eu não sou ladrão. Eu preciso de ajuda."
A pessoa ficou em silêncio por um tempo. Então falou.
"Vire-se." ele ordenou.
Assustado, eu me virei e a primeira coisa que vi foi uma arma apontada para mim.
"Sheridan??" o homem disse com uma voz chocada. O fato de ele ter chamado meu nome me fez desviar os olhos da arma aterrorizante e olhar para cima. Eu estava mais do que surpreso.
"Sr.– Sr. Victor??"
Era o ex-assistente do meu pai. Ele jogou a arma de lado. Ele me olhou com confusão, choque e espanto.
"O que aconteceu com você??"
Eu o encarei em silêncio.
***
Aquela noite, tomei um banho quente. Me lavei com cuidado e lentamente por causa de todas as minhas contusões. Quando terminei, Sr. Victor me deu uma camiseta que ficou grande em mim e shorts esportivos com meias quentes. Então ele me deu um pequeno cobertor para me envolver do frio.
"Sente-se aqui, amigão." ele disse, apontando para o sofá. Eu fiz, ele entrou em outra sala e voltou com uma caixa de primeiros socorros. "Que sorte que tenho algumas coisas aqui para tratar seus ferimentos. Quanto ao joelho, veremos isso amanhã."
Ele pegou uma cadeira e sentou na minha frente. Ele limpou meus ferimentos e os tratou. Para as contusões, ele esfregou com uma pomada que, segundo ele, me ajudaria. Eu me sentia limpo e cuidado.
"Você está com fome?" ele perguntou.
"S– sim, por favor. Muito."
"Ok. Deixe-me esquentar a sopa e te dar um pouco. Você pode comer enquanto me conta exatamente o que aconteceu com você."
Eu não tinha contado nada a ele ainda.
"Tudo bem."
Ele se levantou e foi para a cozinha. Esperei pacientemente por ele enquanto observava as chamas da chaminé.
Alguns minutos depois, ele voltou com uma tigela quente de sopa. Agradeci quando ele me entregou.
Sem perder tempo, comecei a engolir o máximo de sopa possível. Eu estava com tanta fome. Ele me observou em silêncio. Viu pena em seus olhos. Olhei para ele.
"Você pode me contar o que aconteceu com você?" ele perguntou em voz baixa.
Eu tinha que contar a ele. "Como você acabou nesse estado? O que te empurrou para a floresta?"
"Ah– tia Christina."
"A esposa do Ken??"
"Ele está morto."
A expressão de Sr. Victor entristeceu um pouco.
"Eu sei. Ouvi dizer."
Comecei a contar a ele tudo o que havia acontecido depois que tio Ken faleceu. Sr. Victor me ouviu em total silêncio e choque. Eu contei tudo.
"Ela fez você assinar toda a propriedade do seu pai em nome dela??"
"Sim."
"Meu Deus." ele se levantou, incapaz de acreditar no que ouvia, "E ela também é a razão por trás de seus ferimentos e fome??"
"S– sim." eu disse com uma voz trêmula.
Sr. Victor estava com raiva, chocado e triste ao mesmo tempo. Ele me olhou com pena nos olhos e sentou-se novamente.
"Sheridan?"
"S– sim, senhor?"
"Me chame de tio."
Ouvir isso me fez sentir seguro.
"Sim, tio Victor?"
"O que você quer?"
"Hã?"
"Responda-me. O que você quer?"
"Hum, a propriedade do meu pai de volta?" eu disse com dúvida.
"Não. Sua propriedade. E?"
"E o quê?" Eu estava confuso.
"Vingança."
A palavra saiu de sua boca em um sussurro. Olhei para ele. Eu nunca tinha pensado nisso. Não era uma má ideia.