Capítulo 7
“Tudo bem, pai. Mas por favor, dá pra gente ir embora nesse fim de semana? Tipo, depois de amanhã?”
“Domingo?”
“Sim.”
“Okay. Acho que é uma boa ideia.”
***
O dia seguinte logo chegou. Todos nós tomamos café da manhã. Eu fiquei calado e evitei a tia Christina. Enquanto isso, o pai agia como se tudo fosse normal. Ele ria junto com a tia Christina e o tio Ken como se nada estivesse errado.
Enquanto comíamos e os adultos conversavam, notei que a Heather estava me olhando. Olhei pra ela também.
Rapidamente e de forma discreta, ela acenou um pouco, esperando que eu acenasse de volta. Acenei de volta e sorri. Ela corou. Não era porque a mãe dela tinha nos impedido de brincar e conversar que não éramos mais amigos.
Ainda estávamos na mesa quando o celular do tio Ken tocou. Ele se desculpou e foi atender a ligação. Ele voltou logo.
“Ei, Paul, os caras estão na floresta esperando por nós. Sabe que hoje é sábado de caça, certo?”
“Ah, esqueci. Tenho que tomar um banho rápido, ok? Você pode ir primeiro. Eu alcanço vocês.”
“Okay.” O tio Ken beijou a esposa e se virou pra gente.
“Okay, crianças, tenho que ir. Divirtam-se hoje.”
“Valeu pai (tio Ken).” nós respondemos. Ele então saiu da fazenda.
Alguns minutos depois, meu pai subiu para se refrescar e a tia Christina limpou a mesa. Nós, crianças, fomos assistir TV. Essa foi a única hora em que pude ficar perto da Heather sem que a tia Christina gritasse.
Nós três sentamos no sofá. Eu, Heather e Sawyer. Eu estava meio feliz que a heather estava no meio, eu na direita dela e a Sawyer na esquerda.
Colocamos desenhos animados engraçados e começamos a assistir. Enquanto assistíamos, segurei discretamente a mão direita da Heather na minha. Nos olhamos rapidamente e sorrimos. A Sawyer não notou. Ela estava muito concentrada nos desenhos.
Minutos depois, decidi ir ver se meu pai já tinha terminado. Enquanto subia as escadas, ouvi duas pessoas discutindo em voz baixa. Parei para ouvir. Pai e tia Christina. A conversa deles foi assim:
“Eu disse que sinto muito, Paul!”, ela reclamou em voz baixa.
“Sinto muito?? Sinto muito??”
“Sim! Eu não queria.”
“Como assim você não queria. O que há de errado com você, Christina? Como você pôde simplesmente entrar no meu banheiro sem bater?? Você me viu completamente nu e está me dizendo que não queria?!”
“Não fique com raiva, Paul. Tudo bem, Paul, eu admito. Minhas intenções eram ver você.”
“Oh, meu Deus, isso é loucura! Pare com o que você está fazendo, Christina. Eu imploro!”
“Paul, eu não consigo resistir a você. Eu não consigo! Especialmente agora que eu te vi. Oh, Paul, por favor! Por favor! Ken nunca saberá se você fizer amor comigo agora.”
Eu não devia estar ouvindo isso. Eu fiquei chocado! Eu não conseguia acreditar.
“Christina, você precisa de ajuda!”
“Oh, cale a boca! Eu preciso de apenas uma coisa e é você.”
“Sinto muito, mas terei que contar ao Ken sobre você.”
“O quê??”
“Você me ouviu.”
“Paul, não.”
“Sim, Christina.”
“Paul, não! Você não ousaria! Pare! Paul!”
Eu os ouvi chegando mais perto. Corri de volta para a sala de estar e fingi estar assistindo TV. Meu coração havia acelerado loucamente. Eu não estava bem e me senti um pouco tonto.
Eles entraram na sala de estar. Meu pai foi em direção à porta. A tia Christina parou no meio do caminho, olhando para ele de forma apavorada. As meninas estavam muito concentradas na TV para notá-los.
Meu pai abriu a porta para sair quando eu falei.
“Pai, você está indo?”
Ele se virou e veio até mim.
“Sim, filho. Te vejo mais tarde.” ele segurou meu rosto e beijou minha testa, “Lembre-se, eu te amo com todo o meu coração.” ele disse sério.
“Eu também te amo, pai. Tchau, tchau.”
Ele me abraçou e saiu de casa. A tia Christina, parecendo nervosa, se virou para nós.
“Heather, onde está o Rob??” ela perguntou.
“No celeiro alimentando os cavalos, mamãe.”
“Okay.” Eu a vi correndo pela porta dos fundos, indo para o celeiro.
“Quem é Rob?” eu perguntei
“Um dos funcionários.” ela respondeu.
Eu senti uma certa inquietação.
O dia passou suavemente. Depois que a tia Christina saiu procurando por um certo Rob, ela voltou minutos depois, parecendo menos apavorada. Eu me perguntei o porquê.
~
Assistimos TV por muito tempo enquanto a tia Christina cozinhava. Eu estava bem em assistir apenas TV porque os desenhos eram interessantes e, além disso, eu podia ficar com a Heather. Estávamos secretamente segurando a mão um do outro o tempo todo, sem que a Sawyer ou a tia Christina vissem.
Por volta das quatro da tarde, depois que comemos e voltamos para a TV, o tio Ken, para nossa surpresa, entrou na casa. Ele estava com outros três homens que eram seus amigos. Ele olhou para mim.
“Ei, Sheridan, onde está seu pai?” ele perguntou.
A pergunta me surpreendeu.
“M– meu pai?”
“Sim.”
Naquele momento, a tia Christina entrou da cozinha.
“Querido, você voltou tão cedo?” ela perguntou. Ele se virou para ela.
“Christina, onde está o Paul? Esperamos por ele e quando tentei ligar, o telefone dele estava desligado.”
Eu fiquei confuso. Todo mundo estava.
“Mas papai, ele saiu de manhã.” Sawyer disse.
“Sim.” Heather acrescentou.
O tio Ken franziu a testa, confuso.
“Saiu para onde?” ele perguntou.
“Bem, para se juntar a vocês na caça.” A tia Christina respondeu.
O tio Ken olhou para os outros três homens em confusão.
“Eu não vejo o Paul desde depois que o deixei esta manhã.”
Comecei a me sentir inquieto.
“O quê? Você tem certeza?” a tia Christina perguntou.
“Que tipo de pergunta é essa? Estou dizendo que não vi o Paul.”
“Nós nem o vimos no caminho de volta da floresta.” um dos três homens disse.
Meu coração começou a bater forte.
“Mas ele– ele deveria se juntar a vocês.” eu gaguejei com uma voz trêmula.
O tio Ken olhou para mim.
“Não se preocupe, Sheridan. Ele não está perdido. Seu pai é um homem forte, okay? Talvez ele tivesse outros planos. Vamos esperar até esta noite.”