Capítulo 38
Eu voltei pro trabalho num humor muito bom.
Uma hora depois, enquanto eu tava ocupado com o trabalho que a Christina tinha me dado, a assistente pessoal dela entrou com uns arquivos.
"A Christina disse que você devia editar e, depois disso, entregar pra Heather."
Eu sorri e peguei os arquivos. Desculpa perfeita pra ir pro escritório dela ou pra ver ela.
"Claro. Vou fazer isso agora mesmo."
Quando ele saiu do escritório, eu comecei com a edição. Eu fui bem rápido e, depois de uns quarenta e cinco minutos, eu terminei.
Eu levantei e fui pro escritório dela.
Cheguei na porta dela e bati. Ela me pediu pra entrar. Eu entrei e a primeira coisa que eu notei foi o cabelo dela. Eu senti meu coração acelerar um pouco. Ela tava ainda mais parecida com a Heather que eu conhecia, com um cabelo castanho lindo e completo.
Ela levantou a cabeça do computador pra ver quem tinha entrado no escritório dela.
Pov da Heather:
Quando eu vi que era o Ace que tinha entrado no meu escritório, eu não sabia muito bem como reagir. Ele sorriu nervoso pra mim.
"Boa tarde, Heather."
Eu forcei um sorriso tímido pra ele.
"Boa tarde, Ace. Senta aí."
Ele veio e sentou.
"Você tá muito bonita com a cor natural do seu cabelo," ele falou.
Eu senti minhas bochechas queimarem. Como ele sabia – De qualquer jeito, tava na cara. Minha mãe e a Sawyer eram completamente morenas, então eu com certeza também.
"Obrigada." Eu sorri timidamente e coloquei meu cabelo atrás da orelha.
"De nada. Aqui," ele me deu uns arquivos.
"Ah, valeu." Eu peguei eles.
Pov do Ace:
Ela sempre foi tão tímida. Se ao menos ela soubesse o quanto o sorriso dela, quando eu entrei no escritório dela, tinha esquentado meu coração. Eu tava feliz que ela tava se esforçando pra agir normalmente e me tratar bem. Eu decidi tentar uma coisa.
"Srta. Heather?"
"Sim?"
"Eu te assusto?" Eu perguntei com coragem. Ela olhou pra mim surpresa, os olhos um pouco mais abertos do que o normal.
"Q– quê?"
"Eu tenho a sensação de que você não gosta muito de mim."
A boca dela caiu. Ela tava claramente sem palavras. Eu tentei não sorrir.
"Quê? Por que você acha isso?" ela perguntou nervosa, o rosto dela ficando vermelho.
"Porque você tem me evitado desde que eu comecei a trabalhar aqui. E é só por causa daquele incidente do elevador que você pareceu ser educada ou à vontade perto de mim."
A boca dela ainda tava aberta. Eu sabia que ela tava ainda mais nervosa, mas eu tinha que passar por essa conversa pra esclarecer as coisas com ela.
"N– não, você não devia pensar assim," ela gaguejou, "Não é que eu não goste de você, eu gosto de você."
Eu sorri com o que ela tinha acabado de falar. Ela corou.
"Quer dizer, eu te aprecio tanto quanto qualquer outro funcionário aqui."
"Obrigado. Isso realmente me consola. Isso significa que existem possibilidades de nós nos tornarmos amigos?" Eu perguntei.
Ela olhou pra mim perdida. Eu olhei direto nos olhos dela.
"Hum, acho que sim."
"Obrigado. Eu fico feliz em ouvir isso." Eu levantei com um sorriso, "Porque eu não gostaria de dar uma má impressão pra garota mais bonita que trabalha nessa empresa."
Ela sorriu de volta de forma tímida.
"Obrigado, Ace."
Eu balancei a cabeça educadamente antes de me desculpar e sair do escritório dela.
Pov da Heather:
Os dias foram passando lentamente e o Ace e eu nos cumprimentávamos com frequência. Ele era legal, mas eu ainda mantinha um pouco de distância. Ele era bem corajoso e me abordava quando eu não o abordava. Eu podia dizer que nós éramos meio que amigos? Eu não sabia muito bem ainda. Talvez só colegas.
"Você é meio engraçado." Eu gargalhei depois que ele tinha me contado uma piada.
Nós estávamos tomando nossos espressos perto da máquina no corredor do nosso andar.
"Meio engraçado? Só isso?" ele perguntou brincando.
Era a quinta-feira da mesma semana.
"Ok, ok. Você é engraçado." Eu olhei pra ele e, quando ele olhou de volta, eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas e eu desviei o olhar. Mas ele não desviou o olhar. Ele ainda tava me encarando.
"Sempre tão tímida, srta. Heather," ele falou devagar, tomando um gole do espresso dele.
Eu sorri timidamente, mas ainda não olhei pra ele.
"Sempre fui." Eu falei.
"As pessoas costumam reclamar disso?" ele perguntou. Eu finalmente olhei pra ele.
"Sim. Mas eu não posso evitar."
"Até seu namorado?" ele perguntou. Eu olhei pra ele.
"Como você sabe que eu tenho um namorado?"
"Eu trabalho aqui agora. Claro que eu sei."
Verdade. Eu bebi da minha caneca.
"Ele reclama às vezes." Eu admiti.
O Ace ficou em silêncio por algum tempo, só me encarando.
"Quê? Você quer minha foto?" Eu provoquei ele. Eu era tímida, mas um pouco atrevida às vezes. Minha pergunta surpreendeu ele.
"Ah, não tão tímida afinal," ele afirmou e eu ri.
"Eu acho garotas tímidas muito atraentes," ele adicionou com um sorriso.
Eu senti arrepios tomarem conta da minha pele. Eu tava mais do que nervosa, mas eu tentei ser durona e não mostrar isso. As pessoas não deviam confundir minha timidez com fraqueza.
"Bom pra você." Eu provoquei de novo com um sorriso também. Ele sorriu de volta.
Nós continuamos tomando as bebidas quentes e foi aí que a Sawyer passou.
"Oi Heather, oi Ace."
"Oi." nós dois respondemos. Ela então se virou pra mim.
"A mamãe disse que devíamos sair do trabalho às cinco da tarde pra ir preparar alguma comida. Pode ser que tenha visita hoje à noite."
Eu revirei os olhos.
"Ok, ok. Eu já ouvi você."
Ela foi embora e eu larguei minha caneca.
"Agora que eu tenho que sair do escritório mais cedo, deixa eu terminar meu trabalho." Eu falei pro Ace.
Ele olhou pra mim.
"Você tem vinte e dois anos, é bonita e independente. Por que você ainda mora com sua mãe?"
"Ah, eu vou me mudar pra meu próprio apartamento essa sexta."
"Ah, que bom."
"Sim. Eu não posso ficar numa casa que não pertence a nós e fingir que é nossa."
O Ace franziu um pouco a testa.
"Como assim não é sua?"