Capítulo 45
Touché.
Eu olhei pra ela surpreso e ela deu uma risadinha.
Imediatamente, a porta do elevador abriu e ela saiu. Eu fiquei ali perdido e ainda mais apaixonado por ela. Ela não tinha mudado nada. Ela continuava sendo a inocente, mas séria e direta, Heather.
Eu sorri pra mim mesmo e saí do elevador também.
**
Mais tarde naquele dia à tarde, Heather tinha saído do escritório mais cedo. Antes de sair, ela veio me dar tchau. Isso me deixou muito feliz.
Enquanto eu trabalhava, alguém bateu na minha porta e eu pedi pra pessoa entrar.
Era Kevin.
Eu senti minhas mandíbulas se contraírem, mas eu tentei agir normalmente.
"Boa tarde, senhor", eu cumprimentei.
"É, boa tarde, camarada. A Heather está por aí?"
"Não, ela não está."
Eu ouvi ele xingar baixinho.
"Algum problema, senhor?", eu perguntei.
"Hum, não. Problemas pessoais. De qualquer forma, você sabe quando ela volta? Hora?"
"Não, senhor. Ela já saiu por hoje."
"Hum, tudo bem. Você tem o endereço dela? Do apartamento novo?"
Eu queria. E mesmo que eu tivesse, eu não te daria, seu idiota.
"Não."
Ele pareceu irritado enquanto passava os dedos pelo cabelo impacientemente.
"Ok, e a Sawyer está por aí?"
Sua vadiazinha?
"Sim."
"Ok. Obrigado, cara. E a propósito, eu sou Kevin", ele estendeu a mão, eu a sacudi. "E você é?"
O cara que vai roubar sua garota muito, muito em breve.
"Eu sou o secretário. Ace."
Quando eu mencionei meu nome, Kevin olhou pra mim como se eu fosse um fantasma, com os olhos arregalados.
"V-você acabou de dizer que seu nome é Ace??", ele perguntou de forma perturbada. O que estava errado com ele?
"Sim. Algum problema??"
Ele franziu a testa.
"Oh, tem um problema, camarada. Mas não com você", ele respondeu e saiu furioso do escritório.
Tipo, que porra foi essa?
Visão da Sawyer:
Eu estava no meu escritório quando um Kevin com uma cara de raiva entrou furioso.
"Ei, aprenda a bater", eu falei.
"Tem uma coisa que você tem que me contar!" Kevin rosnou com raiva, batendo na minha mesa com as duas mãos.
Eu franzi a testa, confusa, e olhei pra cima pra ele.
"O que foi, Kevin?"
"Oh, não me pergunte isso! Você sabe muito bem!" ele bateu na minha mesa de novo, com raiva.
"Ei, ei, ei, se você bater na minha mesa de novo, eu vou te dar um tapa na cara", eu disse casualmente. Ele me encarou, com o rosto vermelho de raiva.
"Kevin, sente-se e explique", eu disse pra ele.
O que estava deixando ele tão irritado?
Ele sentou.
"Você pode me dizer",
"Sim?", eu respondi
"Por que diabos seu secretário é coincidentemente chamado de Ace??"
Oops. Eu o encarei em silêncio.
"Sim, ele se chama Ace e daí??" eu tentei agir de forma inocente.
"E daí?? E daí?? Eu procurei na internet pelo seu suposto chef americano popular e seu programa e adivinha só?"
Eu não respondi. Eu me senti divertida com a reação dele, mas eu tentei o meu melhor para não rir.
"O que, Kevin?"
"Ele não existe! Nem seu programa! Sawyer, me diga a verdade. Você gemeu 'Ace' a noite toda enquanto nós transávamos. E o único Ace que eu conheço até agora é seu secretário!"
Eu sorri.
"E o que te faz ter tanta certeza que ele é o cara??"
"Não me faça de idiota, Sawyer. Eu não sou burro."
Eu sorri.
"Tudo bem. Sim, ele é o cara. E daí??"
O rosto de Kevin ficou ainda mais vermelho de raiva.
"E daí??" ele repetiu.
"Sim. Me diga, Kevin. Você está com ciúmes?" eu perguntei, divertida.
Quando ele não respondeu, eu dei uma risadinha.
"Você está com ciúmes?? Hahahaha. Você não tem direito, docinho, de estar com ciúmes", eu me levantei e fui até ele. "Kevin", eu acariciei o rosto dele.
Ele afastou minha mão. Eu ri.
"Nós não estamos namorando, nós não estamos apaixonados e provavelmente nunca estaremos. Você é apenas meu brinquedo sexual favorito", eu segurei o queixo dele e o fiz olhar nos meus olhos, "Você nunca ouse interferir nos meus outros relacionamentos, ok?"
"Mas Sawyer–"
"Cale-se! Nós tínhamos um acordo. Nós só dormimos juntos."
"Mas e se eu estiver começando a ter sentimentos por você??"
Eu caí na gargalhada e voltei pro meu lugar.
"Sentimentos?? Você está falando sério?? Oh meu Deus, foda-se você. Você é tão engraçado", eu dei uma risadinha. Ele me olhou como se eu fosse insensível.
"Agora escute", eu falei, "Você nunca fique inutilmente com ciúmes como você ficou hoje. Ou, você coloca uma grande cruz no nosso pequeno relacionamento. Agora saia."
Kevin me encarou como se fosse me matar.
"Por que você está me olhando assim? Hum! Acho que vou ter que acabar com o nosso suposto relacionamento. Talvez isso faça com que nós dois nos sintamos melhor."
"Não!" ele exclamou de repente.
"Com licença?"
"Não, não termine. Eu sinto muito."
Eu sorri e fui até ele de novo.
"Bom garoto", eu me inclinei e dei pra ele um beijo lento e apaixonado, "Melhor assim?"
"S–sim."
"Legal. Que tal eu ir pra sua casa depois do trabalho hoje e te dar uma coisinha?"
Os olhos dele brilharam.
"Sim, por favor."
"Então que seja. Agora saia."
Eu o observei se levantar e sair do meu escritório. Eu ri pra mim mesma. A maioria dos homens que eu tive na minha vida eram iguais. Eu sempre os tive implorando aos meus pés e me seguindo por aí como cachorros. E eu sempre fui a dominante. Eu amava estar no controle.
***
Visão do Ace:
Aquela noite, eu deitei na minha cama, pensando. Pensando em muitas coisas. Como seria a vida se o meu pai ou o tio Ken não tivessem morrido? Eu tentei não me sentir deprimido.
Eu queria poder falar com a Heather. Eu estava meio entediado. Eu decidi ir comer num lanche do McDonald's. Peguei as chaves do meu carro e a carteira. Então fui pro apartamento do Keith pra perguntar se ele queria ir comigo, ao chegar lá eu encontrei o Max que tinha acabado de chegar pra visitar. Os dois foram comigo.
"Nós vamos pegar o meu carro", eu disse pra eles.
"Ok, cara."
Eram sete da noite.
*
Nós dirigimos pela cidade e chegamos no McDonalds. Conseguimos uma mesa e pedimos.
Nós pegamos lugares perto da janela e sentamos pra comer nossos hambúrgueres e batatas fritas.