Capítulo 63
É isso que você pensa?? Ace, eu nunca me apaixonei.”
“É o que eu tô dizendo! Você não faz relacionamentos.”
“Até eu te conhecer.”
Quase engasguei com a minha própria saliva.
“Quê?”
“Você ouviu. Você é diferente de todos os outros caras. Você não me implora, você não me segue, você impõe suas próprias regras. Talvez fosse isso que eu precisava encontrar em um cara.”
Ah! Essa foi a melhor piada do ano!
“Escuta, baby, você devia ter me dito isso antes. E as coisas poderiam ter dado certo.”
“Por que não podem dar certo agora?”
“Eu te conheço como uma garota que não entra em relacionamentos. Por isso eu fui por outro caminho e agora tenho uma namorada”, menti.
“Quê??”
“Por favor, não fique brava.”
Ela me encarou incrédula antes de se virar e sair andando.
POV da Sawyer:
Eu me senti frustrada. Eu senti vontade de chorar. Nunca um cara tinha machucado meus sentimentos desse jeito. Eu não podia deixar o Ace ir. Não. Não assim. Era muito fácil.
Eu sentei com a cabeça nas mãos, pensando. Ele estava certo. Eu devia ter contado a ele desde o começo. Ele me deixou de lado porque pensou que eu era uma garota sem sentimentos que só dormia com caras bonitos, o que era verdade.
Talvez ele já tivesse tido sentimentos por mim, mas agora era tarde demais. Eu nunca saberia. Abri a gaveta do meu escritório e peguei uma garrafa de uísque. Me servi em um copo e comecei a beber um pouco.
Depois de uns vinte minutos, um Kevin sorridente entrou no meu escritório.
“E aí, docinho”, ele disse, sentando.
“O que você tá fazendo aqui? Você é do escritório da Heather?”
“Não. Ela nem sabe que eu tô aqui”, ele sorriu e veio massagear meus ombros. Eu relaxei em suas mãos, “Você parece estressada, baby.”
“Estou.”
“Ah, que pena. Eu sei como te fazer se sentir melhor”, ele se inclinou e beijou meu pescoço. Me encostei nele, aproveitando os beijos suaves. O Ace tinha acabado de partir meu coração de alguma forma. Eu precisava de alívio e não tava nem aí.
Eu me levantei e encarei o Kevin. Começamos a nos beijar com paixão. Ele era um idiota, mas sabia me consolar às vezes. Me deixei levar em seus braços, tentando o meu melhor para acreditar que era o Ace com quem eu estava ficando.
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POV do Ace:
Eu tava indo pro meu escritório quando vi a Heather indo na direção oposta. Brincando, me virei e comecei a segui-la.
“Você não ia pro seu escritório?”, ela provocou com um sorriso.
“Ia. Mas aí eu vi algo bonito”, eu disse, me referindo a ela. Ela corou e revirou os olhos.
“Falador.”
“Eu sei, né. Pra onde você tá indo?”
“Tenho que entregar esses documentos pra Sawyer. Ainda quer me acompanhar?”
“Sim. Até o fim”, eu declarei e ela riu.
“Beleza. Me segue então.”
E eu fiz exatamente isso, andando bem atrás dela. Chegamos na porta da Sawyer e ela ia abrir.
“Espera”, eu a interrompi, “Deixa que eu faço por você.” Eu disse brincando e ela riu um pouco.
“Você é um caso. Então, abre a porta.”
Eu sorri pra ela e fiz exatamente isso.
Quando nós dois olhamos para o escritório da Sawyer depois que eu abri a porta, nós dois tomamos um choque.
Lá estava ela no escritório dela, com o Kevin. Eles estavam se beijando e se acariciando como loucos.
Os documentos da Heather caíram de suas mãos, fazendo um barulho e fazendo com que os dois trapaceiros interrompessem o beijo em pânico total. Droga, eu não esperava isso.
Eu olhei pra Heather. A dor em seus olhos partiu meu coração terrivelmente. Os dois idiotas estavam sem palavras.
“Como– como você pôde?”, ela gaguejou em uma voz, pesada de tristeza. A boca da Sawyer estava escancarada. Ela tentou dizer algo, mas nada saiu.
Enojada, e com os olhos marejados, a Heather se virou e foi embora. A Sawyer correu por mim para seguir sua irmã, me deixando sozinho com o Kevin.
Ele olhou pra mim, envergonhado. Eu dei pra ele um olhar frio que o fez se encolher desconfortavelmente.
“Isso– isso é só um grande mal-entendido, cara”, ele começou nervoso, “Você– você me entende, certo?”
“Você”, apontei um dedo sério pra ele, “…vai se arrepender. Muito. Leve isso como uma ameaça, seu burro. Cuidado com as suas costas nesses dias.”
Ele me encarou, perdido. Sem entender por que eu estava ameaçando ele. Ele tentou falar, mas eu o interrompi.
“Sai. Agora”, eu declarei.
Ainda confuso, ele pegou as chaves do carro e saiu do escritório.
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POV da Heather:
Eu entrei no meu escritório com um nó pesado na garganta, tentando o meu melhor pra não chorar. A Sawyer entrou depois de mim.
“Heather, eu–”
“CALA A BOCA!” Eu gritei com raiva, me virando e dando um tapa forte na cara dela. Ela segurou a bochecha e me olhou em choque.
“Eu não tô nem um pouco surpresa com o ato do Kevin! Mas você! Você?! Tivemos diferenças, mas eu nunca pensei que você pudesse me dar uma facada nas costas tão forte! Como você pôde?!”
“Heather, ele me seduziu!”
“CALA A BOCA! CALA A BOCA! E você ousa mentir?? Você ousa?! Sawyer, eu vivo com você há anos! Não pense que eu sou burra!”
Ela me encarou, direto nos olhos, em silêncio. Eu não vi nenhum remorso em seus olhos. Eu não vi nenhum arrependimento. A Sawyer foi insensível comigo. Ela sempre foi.
“Heather, você tá surtando!!” ela retrucou.
“Você tá se ouvindo, sua cadela??”
Ela me olhou surpresa.
“Quê?? Você tá surpresa?? Uma cadela! É isso que você é! Uma cobra! Você acabou de provar que é capaz de roubar meu marido um dia!”
“Heather, não me chame assim. Não faça isso!”
“Você tá me avisando?? Ah!” Eu ri histericamente, “É isso que você é! Sempre foi! Uma cadela! Uma vagabunda!”
Nunca a tinha insultado daquele jeito. Ela me encarou, sem palavras e chocada.
“Lembra do dia em que eu disse que chegaria um dia em que eu não te perdoaria mais?”, perguntei. Ela ficou em silêncio, “Bem, esse dia chegou. Saia do meu escritório.”