Capítulo 22
"Talvez." Eu respondi na lata, tipo sem muito interesse.
"Tenho certeza que você vai conseguir uma delas pra você," Keith riu. Eu dei um sorrisinho.
"Que idiota."
"Sério, cara. Vai ser muito fácil pra você. As garotas sempre estiveram por perto desde o colegial! E o mais louco é que você nunca teve uma namorada."
"Porque, eu não quero namorar." Eu falei firme.
"Hum." ele se levantou e foi em direção à porta, "Cara, às vezes você me faz acreditar que você é gay ou algo assim." ele virou e me olhou com uma cara engraçada. Eu sorri.
Keith era bem irritante e teimoso, mas engraçado. O único cara que conseguia me fazer rir. Nada a ver comigo. As pessoas ficavam se perguntando como a gente se tornou amigo. Pra algumas pessoas eu era quieto demais, estranho demais e diferente demais. Keith foi o único que insistiu em conhecer o meu verdadeiro eu.
"Não sorria pra mim assim, cara. É sinistro." ele reclamou de brincadeira. Eu gargalhei.
"Cala a boca, seu idiota. Eu pareço gay pra você?"
"Bem, você ainda não transou, então..." ele provocou. Eu peguei um travesseiro e joguei nele.
"Sai daqui!" Eu ri e ele riu também.
"Beleza, beleza. Faça as suas malas. A gente tem que sair desse campus."
***
Uns dias depois que a gente tinha saído da casa da fraternidade, eu fui pra Four Wheels com os meus documentos. Como esperado, eu fui aceito pro estágio.
Durante a minha estadia temporária lá, eu aprendi um monte de coisas e consegui colocar em prática o meu conhecimento em administração. Eu fui apreciado pela maioria dos funcionários e até pelo chefe da empresa.
***
Dois anos inteiros voaram sem que eu percebesse. Logo eu estava com vinte e quatro. Era hora de eu pegar os meus papéis assinados.
Quando eu fui pegar o meu papel assinado, me propuseram pra ficar e continuar trabalhando na Four wheels. Eu recusei. Eu tinha a minha herança pra pegar de volta. E eu faria de tudo pra pegar de volta.
Depois que os meus papéis foram assinados, eu voltei pra minha casa, ou a que o tio Victor tinha deixado pra mim. Eu tinha que pensar num plano e num jeito de conseguir um emprego na P.W Dairy Products. Eu só tinha que fazer isso.
Aquela noite, eu sentei na sala e abri o jornal pra ler. Bingo. Escrito em negrito no canto de uma página estava:
-A empresa de produtos lácteos P.W está em busca de uma nova secretária. Alguém com experiência e capacidade. As entrevistas para a vaga começam nesta sexta-feira, às três da tarde. Documentos completos obrigatórios.-
Era algum tipo de sorte ou sinal? Eu fiquei feliz. Era a oportunidade perfeita. Eu faria de tudo pra ser aceito.
Eu esperei ansiosamente por aquela sexta-feira. Era uma chance que eu não podia perder.
***
A sexta-feira chegou. Eu me arrumei. Eu coloquei o meu terno e gravata, arrumei os meus documentos em ordem, coloquei meus sapatos e passei um pouco de perfume. Eu estava um pouco nervoso. Nervoso com a ideia de que eu poderia ver a Heather. Além disso, eu estava mais que determinado a conseguir aquele emprego. Eu estava mais que impaciente pra executar os meus planos e a minha vingança. Eu estava pronto. Só Deus podia me ajudar a evitar dar um tapa naquela bruxa chamada Sra. Christina, assim que eu a visse. Ela ia se arrepender. Ela ia se arrepender muito.
Eu me olhei no espelho mais uma vez. Eu vi o Ace naquele espelho. Não um Sheridan ingênuo. Eu peguei as chaves do meu carro e saí de casa.
Eu estacionei em frente ao prédio enorme, exatamente às três. Eu saí do meu carro e olhei pra cima, pro topo do prédio. De repente, eu pensei no meu pai. A amargura surgiu de dentro de mim. Eu limpei a garganta e tirei todos os pensamentos horríveis da minha mente.
Eu entrei no prédio. Pela primeira vez na minha vida, eu tinha visto a empresa do meu pai com os dois olhos. O interior era grande e bonito.
Eu fui direto pra mulher na recepção.
"Com licença."
"Sim, senhor?"
"Eu estou aqui pra vaga de emprego."
"Ah, ok. Pegue o elevador, senhor, pro último andar. Depois, a quarta porta à sua esquerda."
Eu agradeci a ela e fui em direção ao elevador.
*
Eu cheguei no último andar e peguei a quarta porta à minha esquerda.
Ao entrar, eu descobri que era uma sala de espera cheia de pessoas vestidas formalmente. Com certeza elas queriam o mesmo emprego.
Eu sentei e esperei.
O tempo voou e as pessoas foram chamadas uma por uma. Eu fiquei cansado e entediado.
Depois de uns cinquenta minutos de espera, o homem que estava chamando as pessoas me disse que era a minha vez. Finalmente. Eu me levantei e ajeitei a minha gravata. Eu o segui até o escritório.
Nós chegamos a uma porta e ele abriu pra mim.
"Pode entrar."
Eu entrei no escritório e fechei a porta atrás de mim. Era um escritório grande, espaçoso e bonito, com janelas de vidro grandes e uma vista incrível da cidade.
Surpreendentemente, não tinha ninguém lá.
"Espera, eu já vou!" uma voz feminina disse de outro cômodo do escritório, que por acaso eram os banheiros. Eu reconheci a voz dela. Eu, sem querer, apertei a mandíbula. Eu precisava que ela não me reconhecesse. Ela nem mesmo podia fazer isso em primeiro lugar.
"Sente-se! Eu não vou demorar." ela disse.
Sem uma palavra, eu fui pra mesa e sentei.
Uns minutos depois, eu ouvi a porta abrir quando ela entrou no escritório com os saltos. Eu virei pra olhar pra ela. Eu congelei.
"Olá," ela disse com um sorriso. Ela não tinha mudado muito. Embora agora ela estivesse com quarenta e dois anos. Ela não era nem um pouco diferente da última vez que eu a vi. A única diferença era que ela tinha deixado o cabelo no estado natural ruivo, em vez de pintar de loiro. Eu senti o ódio subir, mas eu não podia deixar isso estragar tudo. Eu agi o mais normal e formal possível.
Eu me levantei e a cumprimentei.