Capítulo 6
Uhum, nada, pai. 'Tô deprê porque tive dor de cabeça o dia todo, o que me impediu de me divertir com meus amigos." Menti.
"Dor de cabeça? Você tomou algum remédio?" ele perguntou preocupado.
"Sim, pai."
"Tudo bem. Não se preocupe. Você também precisa descansar bem."
Depois do jantar, subi e esperei o meu pai, mas ele ficou lá embaixo assistindo TV. Eu podia ir até ele, mas a questão era que a tia Christina estava lavando a louça na cozinha. Então, esperei ele ficar sozinho.
~~
Quanto mais eu esperava, mais impaciente ficava. Presumi que a tia Christina tinha terminado a louça e ido para o quarto dela, e que a razão pela qual meu pai ainda não estava comigo era certamente porque ele tinha dormido no sofá. Isso era típico dele.
Reunindo um pouco de coragem, saí silenciosamente do quarto e desci as escadas na ponta dos pés até a sala de estar.
Me escondi no corredor e espreitei para dentro da sala. Felizmente, meu pai ainda estava acordado e assistindo o programa favorito dele. Sorri e, quando estava prestes a me aproximar dele, bam! A bruxa entrou na sala de estar vinda da cozinha.
"Finalmente terminei a louça", ela disse aliviada e se juntou ao meu pai no sofá. Ele riu.
"Eu falei pro Sr. Kenneth comprar uma máquina de lavar louça ou contratar uma empregada. Vai dar menos trabalho pra você."
"Você sabe que o Sr. Kenneth é bem teimoso."
"Hahahaha. É, tipo isso."
Eu ainda estava ali porque esperava que ela fosse embora logo. Mas ela não foi.
Enquanto meu pai assistia ao programa dele, notei como a tia Christina deu uma olhada de lado pra ele. Uma olhada estranha. Ela olhou pra ele da cabeça aos pés.
"Eu realmente gosto de você estar aqui", ela disse.
"Bem, obrigado, fico lisonjeado", meu pai brincou, focado no programa dele. Notei a tia Christina franzir a testa, depois ela colocou a mão no colo do meu pai.
"Sr. Paul, eu tô falando sério."
Meu pai olhou pra ela, confuso.
"O que você quer dizer?"
Ela sorriu pra ele e mordeu o lábio inferior, depois colocou a mão no peito dele. Meu pai olhou pra ela maravilhado.
"Você sabe o que eu quero dizer, Sr. Paul. Não finja ser inocente."
Meu pai se levantou, chocado, e olhou pra ela.
"Christina, o que você tá fazendo??"
"Você sabe o que eu tô fazendo, Sr. Paul. Eu te quero. Não consigo mais resistir a você."
Coloquei a mão na boca, em choque.
Meu pai olhou pra ela como se ela fosse louca.
"O quê?? Christina, o que aconteceu com você??"
"Ah, qual é, Sr. Paul. Não faça esse jogo. Eu sei que você notou todos os pequenos avanços que fiz pra você."
"Eu não notei nada! Você enlouqueceu!" meu pai tentou sair, mas a tia Christina o agarrou pela calça de onde estava sentada.
"Por favor, Sr. Paul. Eu não consigo resistir a você. Tive os pensamentos mais sujos sobre você e preciso de você agora."
"Christina, você-"
"Sr. Paul, eu sei que você nunca teve intimidade com mais ninguém depois da morte da sua esposa. Meu bem, eu vou te fazer viver de novo. O Sr. Kenneth não vai saber. Você é tão gostoso", ela mordeu o lábio inferior e começou a mexer no cinto do meu pai.
"Pare com isso!" ele a empurrou com raiva, "Que Deus tenha piedade de você."
Meu pai saiu furioso da sala por outra porta. Corri o mais rápido possível para chegar ao quarto antes dele. Mas eu estava atrasado. Quando cheguei no topo da escada, meu pai estava na frente da porta do quarto e se virou para mim, surpreso.
"Sher- Sheridan?" ele me olhou.
Eu olhei de volta em silêncio. Ele sabia que eu tinha visto tudo.
"Vamos entrar", ele disse suavemente e abriu a porta para me deixar entrar.
Quando estávamos os dois no quarto, meu pai trancou a porta atrás dele.
Fui direto me sentar na cama. Ele não disse nada, mas foi para o banheiro trocar de calça de dormir e camiseta.
Na saída, ele veio e se juntou a mim.
"Filho?" ele disse em voz baixa.
"Sim, pai?"
"Nunca repita o que você viu essa noite para o Sr. Kenneth ou para mais ninguém, ok?"
Eu balancei a cabeça.
"Acho que a tia Christina não estava em suas plenas faculdades mentais essa noite. Mas eu prometo que se ela tentar isso de novo, eu conto para o Sr. Ken sozinho", ele acrescentou.
"Tudo bem, daddy."
"Eu não quero que você se envolva nisso", ele me abraçou. Eu também o abracei, sentindo lágrimas encherem meus olhos.
Tive a sensação de que meu pai se sentia muito sozinho sem minha mãe. Ele a amava com todo o coração. E ele nem pretendia se casar novamente, embora ainda fosse um homem jovem e forte.
"Agora me diga", ele começou, "...qual foi a razão exata pela qual você desceu."
Eu olhei pra ele.
"Eu queria te contar uma coisa."
"Que é?"
Hesitei no início, mas então achei certo deixá-lo saber. Contei pra ele sobre a tia Christina e como ela era má comigo, mas agia toda boazinha perto deles. Surpreendentemente, meu pai não pareceu surpreso.
"Você não parece surpreso."
"Porque eu não tô, filho."
"Hã?"
"A Christina sempre foi bem estranha. Ela odiava sua mãe sem motivo."
Eu olhei pra ele surpreso.
"Sério?"
"Sim."
"Mamãe te contou o porquê?"
"Sua mãe tinha a própria teoria sobre a maneira como a Christina se comportava. Ela sempre me dizia que a Christina era atraída por mim. Mesmo já casada com o Sr. Ken. Eu não acreditava nela e isso causou muitas discussões entre nós."
"Talvez a mamãe estivesse certa, pai", murmurei. Ele olhou pra mim.
"Talvez. Eu não acreditei até essa noite. Tenho minhas dúvidas agora. O ódio dela pela minha esposa aumentou quando ela estava grávida de você. Acho que é por isso que ela se comporta dessa maneira com você."
"E– ela te ama?"
"Não, filho. Isso não é nada além de luxúria."
"O que é– luxúria?"
"Você vai entender quando crescer. Por enquanto, guarde tudo pra você, para o seu próprio bem."