Capítulo 2 Os Browns em Nova York
Um cara tava jogado no armário, encostado na parede.
Porque tava escuro dentro do armário, a Laura suspirou e se virou pra pegar um kit médico e uma lanterna na mala dela. Respirando fundo, ela usou a lanterna pra ver os machucados do cara.
Com aquela luz, os cílios do cara, grossos como pena de corvo, tremeram de leve.
A mão da Laura acariciou o rosto do cara, devagar, e depois deu um tapinha de leve, “E aí, o que aconteceu com você?”
A Laura, que não recebeu resposta, fez uma pausa no silêncio, “…”
Ela suspirou, querendo ser legal, e arrastou o cara pra fora do armário. Ela ficou chocada com o que viu. As pálpebras fechadas mal escondiam a beleza dele. A Laura sentiu uma pressão por causa do temperamento aristocrático dele, tipo, ela franziu os lábios finos e as sobrancelhas.
A Laura usou papel pra limpar o rosto do cara, tirando o sangue. Depois, ela desabotoou a roupa do cara e fez um esforço pra ele virar. As cicatrizes nas costas dele gritaram, chocando ela. Daí ela usou um cotonete com álcool pra desinfetar. Quando ela tava pra trocar os remédios pros machucados, a mão dela foi segurada! O olhar de águia do cara grudou no rosto dela.
A Laura sorriu, “Acordou, né?”
“Quem é você!” O cara tava bem esperto.
“Eu só tava passando por aqui e acabei te encontrando todo machucado.” A Laura piscou.
O cara viu os dois caras jogados no chão pelo canto do olho. Ele encarou a Laura como se estivesse tentando descobrir alguma coisa no rosto dela.
“Eu acabei de chegar e vi os dois aqui jogados.” A Laura percebeu a série de movimentos do cara e explicou, sem mostrar medo nenhum.
O cara parou de falar e se levantou pra dar uma olhada no remédio que a Laura tava segurando na mão.
“Não serve pra nada em hematomas.” O cara tinha acabado de acordar com a voz rouca.
“Eu sei, mas meu kit médico só tem isso.” A Laura deu de ombros.
Depois que o remédio foi passado, o cara disse com uma voz profunda, “Obrigado”.
Ele enfiou um pingente de jade na mão da Laura, “Você salvou minha vida, então pode ir procurar os Browns em Nova York pra pedir ajuda quando precisar.”
“Beleza.” A Laura ficou ligada nos “Browns em Nova York”.
A Laura olhou pro pingente de jade, cristalino. Não podia ser coincidência!
“Tchau.” O cara se levantou e colocou a roupa, olhou pros lados e sumiu.
A atenção da Laura foi pra outro lugar. Só tem uma família Brown em Nova York, né? Ah, qual é!
Nessa hora, tava quase chegando em Nova York.
A Laura ouviu o aviso da chegada no rádio. Assim que desceu do ônibus, ela percebeu a empregada que a família Taylor mandou.
“Senhorita Laura”, a pessoa foi até ela e disse, sorrindo.
A Laura, no entanto, sentiu que essa pessoa tinha más intenções. Se ela achava a Laura filha do chefe, como ia ignorar a mochila nas costas dela? Mas a Laura não tava ligando pra essas coisas.
A Laura tava olhando pra umas coisas na rua.
Um sorriso de canto ficou no rosto da empregada, “Senhorita Laura, tem várias novidades te esperando.”
A Laura, claro, entendeu o que ela quis dizer – tava tirando sarro dela por ser caipira.
“Quando chegar na casa, tem que ser obediente, e mudar uns comportamentos indelicados. Não faça piada na frente da Madam e do Lord.”
A Laura abriu um sorrisão e ignorou ela.
Nessa hora, a empregada sentiu uma coceira estranha nas costas.
“Que estranho.” A empregada murmurou baixinho. Daí, ela se calou e coçou umas vezes no caminho, escondido.