Capítulo 357 Razões
O Marcus não ligou pra resposta da Laura, nem um pouco. Tirou uma pomada do bolso do casaco, apertou com cuidado e colocou na ferida.
A ferida tava doendo, mas ficou gelada e coçando quando ele fez isso.
A Laura passou a mão no nariz dele e ficou sem palavras. "Onde você arrumou a pomada?"
O Marcus pegou o remédio e falou: "Quando eu cheguei, comprei no caminho."
"Ah."
A Laura ficou sem jeito, sem saber porquê.
Depois de um tempão, o Marcus finalmente terminou de passar o remédio.
Viu que a Laura ia abaixar as mangas e já foi falando: "Tem que segurar as mangas, senão o remédio vai manchar de branco."
"Hã? Ah."
A Laura percebeu, só depois, que era verdade, então teve que segurar a manga que ia cair.
O Marcus apertou a pomada com dois dedos e enfiou no bolso dela. "Quando você voltar pro quarto, vê se tem alguma mancha roxa no corpo que eu perdi. Lembra de passar o remédio."
A Laura fez um "ah".
A atitude dela, meio por cima, fez o Marcus falar de novo: "Tem que lembrar de passar o remédio, viu?" A cara dele tava séria.
A Laura desviou o olhar da ferida, que tava com o remédio bom, pra cara dele, e, sem saber porquê, sentiu que o outro tava dando bronca em criança.
Essa parada fez ela rir, então ela riu, felizona: "Já sei."
O Marcus olhou pra Laura, sem entender, e sorriu. Não sabia, mas a boca dele se abriu mais um pouquinho: "Que bom que sabe."
O Marcus colocou a Laura no quarto do hotel e foi embora.
A Laura terminou de passar o remédio, fazendo "sssh", e levantou a mão pra cheirar, com nojo.
Daí, pensando em alguma coisa, mandou uma mensagem pra Li Yunmeng.
"Tá tudo sussa comigo, e com você? Tá tudo bem?"
...
O Daniel entrou na parada e fechou a porta.
Achou o pai do Mu, direto, e sussurrou no ouvido dele: "Vovô, a senhorita Lin, tá tudo resolvido com elas."
O velho Mu fez um "hum".
O Daniel pensou um pouco e falou a última informação: "Essa parada parece ter a ver com a filha mais velha da família Xiu."
Xiu Yan?
Ao ouvir isso, o velho Mu finalmente olhou torto.
Ele mandou: "Lembra de avisar a Laura depois e pedir pra ela tomar cuidado."
Vendo o Daniel concordar, o velho Mu virou os olhos pra Ke Ya.
"Você sabe que é crime vender drogas."
A cara da Ke Ya tava pálida. Naquele momento, parecia uma prisioneira derrotada, fechou os olhos, desesperada: "...Eu sei."
O velho Mu, com raiva, continuou, baixando a voz: "Você sabe por que eu fiz vista grossa pro que você fez por todos esses anos?"
"..."
Simplesmente, o Mu não precisava da resposta dela. Falou pra si mesmo: "Primeiro, eu me importo com o Arthur. Mesmo que ele tenha feito merda dessa vez, ele é um bom garoto; Segundo, porque... o mundo é escondido."
Ao ouvir esse nome estranho, a Ke Ya achou que podia ficar quieta por dentro, mas as pálpebras ainda tremiam sem controle, assim como o coração dela, que tremia no momento.
Mu Shiyin é o filho mais velho do pai do Mu, que já morreu há três anos. Ao falar do antigo, a voz do Mu ficou triste: "Eu costumava pensar que, afinal, você é uma pessoa que o Shiyin amava, e não doía te aguentar por algumas coisas..."
"Mas," as palavras de repente mudaram, "como posso esquecer, o mundo escondido, de manhã cedo e você, dissolveu o relacionamento, só eu que não consigo esquecer."