Capítulo 43 O café era mais atraente
Como ele podia saber que Mónica conseguia responder às perguntas da prova só de olhar, sem precisar daquele processo todo complicado que a professora ensinava?
Mónica não esperou pelo Max, porque ele ainda estava em choque. Ela tinha escolhido um dormitório aleatoriamente naquela manhã e não teve tempo de dar uma boa olhada. Nem encontrou ninguém no quarto. Foi andando rapidinho pro dormitório.
Algumas pessoas no caminho estavam olhando pra ela. Dava pra ouvir umas coisas tipo, “malvada”, “a gata da escola”, etc., mas ela não ligou e foi direto pro dormitório.
Quando chegou lá, as outras duas colegas de quarto já tinham voltado.
Suzie arregalou os olhos quando viu a Mónica entrar, como se não esperasse que ela fosse a nova colega.
A Mónica conhecia a outra colega de quarto também. Era a representante de inglês, Kinna Joy, que não gostava muito de conversar, era fria e cheia de marra, por isso os outros alunos chamavam ela de nerd.
A Mónica e a Suzie não eram muito amigas da Kinna. Quando a Mónica entrou, a Kinna só deu uma olhada rápida, sem cumprimentar, e continuou lendo com a cabeça baixa.
A Suzie chegou toda feliz: “É você que vai se mudar pra cá, Mónica, que bom! A gente vai morar juntas agora!”
Mónica assentiu com a cabeça. A pessoa que trabalhava pra família dela já tinha arrumado a cama. Ela abriu a mala, sentou na cama e guardou as coisas que trouxe. Trancou o caderno na gaveta da cabeceira.
Assim que arrumou tudo, começou a ler perto da mesa de estudo. A Suzie veio meio sem jeito perguntar: “Mónica, ouvi dizer que você estava estudando pra Olimpíada de Matemática, que era totalmente diferente do que a gente aprende na aula. Você pode me explicar o que você aprendeu lá?”
Mónica assentiu e deu a prova da aula pra Suzie, que arregalou os olhos na hora: “É pra mim?”
Ela tava louca pra dar uma olhada nas perguntas originais, mas não tinha qualificação pra participar do concurso.
“Obrigada, Mónica! Vou fazer agora. Se eu tiver alguma dúvida, posso te pedir ajuda?”
A Mónica concordou. A Suzie voltou pra responder as perguntas feliz da vida. Mas, uns minutinhos depois, voltou frustrada.
“Mónica, não sei responder nenhuma dessas perguntas, você pode me explicar?”
Antes que a Mónica pudesse responder, a Kinna, que tava decorando palavras em inglês, disse irritada: “Suzie, não pode parar? As outras pessoas não precisam estudar? Dá pra ouvir sua voz mesmo com o fone de ouvido!”
A Kinna tava muito chateada porque a Suzie era a representante da turma, mas não era lá essas coisas nos estudos, e ainda sentava na terceira fileira, enquanto ela era só representante de inglês.
A Suzie foi repreendida e nem ousou responder.
A Mónica olhou pra cara dela toda torta e falou: “Tô com fome, vou na cantina. Você vem?”
A Suzie concordou na hora e as duas saíram do dormitório. A Suzie continuou falando que não tava fazendo barulho, como se fosse possível que ela tivesse incomodado a Kinna no caminho. Depois do jantar, a Suzie perguntou de novo como resolver as perguntas da prova.
A Mónica escolheu umas perguntas mais simples e explicou. O jeito dela era tão simples que a Suzie entendeu na hora. Ela não conseguiu evitar de demonstrar respeito pela Mónica: “Mónica, você é demais! Antes da Sra. Hanna explicar o processo de resolução de umas perguntas parecidas, eu não conseguia entender. Mas com a sua explicação, entendi na hora!”
Depois do jantar, no caminho de volta, a Suzie lembrou de como a Kinna tinha tratado ela e explicou: “A Kinna é muito fria. Mónica, você não sabe, antes de você chegar, eu podia ficar o dia inteiro quieta. A gente nunca ia pra aula juntas. E toda vez que eu cumprimentava ela, não tinha resposta nenhuma…”
A Mónica nunca se interessou por essas coisas bobas entre meninas, então ficou distante de novo.
De repente, ela viu a cafeteria do Laurence.
Pensando no café grátis que ele prometeu, a Mónica começou a sentir falta dos grãos de café especiais da loja dele.
Ela não resistiu, mudou de assunto e apontou pra cafeteria: “Vamos tomar um café? Fui lá uma vez e o café era bom.”
Na verdade, era muito bom. Era o preferido dela!
A Suzie balançou a cabeça: “Não, não posso. A prova mensal tá chegando e preciso estudar. Se eu tirar uma nota ruim, meus pais vão ficar muito chateados.”
A Mónica não insistiu e as duas se separaram em frente à cantina. A Mónica começou a andar em direção ao portão da escola depois que viu que a Suzie estava indo pro dormitório.
Quando chegou na cafeteria, viu o Laurence conversando com o gerente, que estava concordando com a cabeça de vez em quando.
O Presidente Hall não tinha mais nada pra fazer? Ele tava sempre ali?
A Mónica sabia que eles não eram íntimos, então decidiu ignorá-lo e entrou na loja sem dar bola. Enquanto fazia o pedido, notou que tinha uns doces na vitrine, alguns até com nomes especiais. Pediu alguns por curiosidade. No fim, pediu um mocha e voltou pra mesa de antes.
Era perto da janela no teto, de um lado. Apreciou o pôr do sol pela janela e depois tirou o livro que estava lendo de manhã da bolsa e continuou.
O Laurence já tinha notado ela quando entrou.
Normalmente, as garotas que encontravam com ele uma vez vinham cumprimentá-lo, mas a noiva dele era diferente. Ela nem olhou pra ele, só procurou um lugar depois de fazer o pedido.
Parecia que ela só veio pelo café grátis!
Ele nem se comparava ao café?