Capítulo vinte e sete
Chegamos numa *villa* fora da cidade depois de horas de viagem. No começo, o Liam queria me levar pra lua de mel, inventando uma desculpa que queria me punir sozinho, me levando pra outro lugar. Mas quem diria que a Bárbara não ia aceitar essa ideia e, em vez disso, ia desconfiar da gente? Ela até mandou um espião atrás da gente!
Mesmo depois de horas viajando por uma estrada deserta, o Audi preto ainda tava na nossa cola, deixando bem claro por que aquele carro queria continuar atrás da gente. Mas eu fingi que o carro não existia e continuei dormindo a viagem toda. Ia ter que agir assustada e fazer parecer que eu odiava o Liam do fundo do meu coração depois de sair do carro. Isso ia ser mentalmente exaustivo. Era melhor dar uma descansada por algumas horas.
Mas, quando paramos, acordei grogue, esfregando os olhos. Bocejei, e um gemido escapou dos meus lábios. "Agora temos que atuar de novo. Ótimo!" Fuzilei o Liam com o olhar. "Qual é a graça de vir pra cá se ainda temos que fingir?"
Ele suspirou e franziu os lábios, ainda olhando pro Audi preto que parou um pouco longe. "Assim, a Bárbara não vai conseguir te irritar." Aí ele olhou pra mim. "E temos que te ensinar a controlar seus poderes por enquanto."
"Mas e aquele espião?" Apontei pro carro atrás da gente.
"Deixa ele pra lá." O Liam destravou o cinto de segurança. "Ele não vai conseguir entrar na *villa*."
Fiquei confusa com essa frase. Não sabia que tipo de proteção o Liam tinha colocado nessa *villa*. Olhando pra ela, parecia mais uma casa grande de dois andares de filme de terror, cercada por árvores. Até o portão tava coberto de pinheiros. Franzi os olhos e duvidei da capacidade desse lugar sombrio de proteger contra o espião.
Mas logo percebi que o que o Liam tinha dito era verdade. Esse lugar realmente nos protegia. Assim que entramos, o carro parou por um momento até que desaparecemos dentro do portão antes de vir na nossa direção. Mas antes que pudessem entrar na divisa do portão, a eletricidade faiscou, fazendo o carro parar na hora. O motorista pareceu surpreso e pisou no acelerador, mas o carro não se moveu.
Olhei pra todo o fenômeno de dentro do carro e soltei um suspiro surpreso. "Por que eles não conseguem entrar?"
"É porque esse lugar foi projetado especialmente pra família real. Só pessoas com o sangue do pai correndo nas veias podem entrar." Ele fez uma pausa e continuou. "Ele encontrou um mago pra criar essa barreira ao redor desse lugar."
"Mas como eu entrei?" Inclinei a cabeça e observei o carro ainda lutando no portão.
"É porque você já sugou meu sangue e ele se misturou com o seu pra criar uma linhagem sanguínea completamente única." Ele se virou pra me olhar. "Não foi assim que seus poderes dispararam de repente?"
Meu rosto esquentou com a lembrança do momento em que eu tinha sugado o sangue dele no carro depois do casamento. Desviei o olhar e tentei esconder meu rosto corado.
Assim, assim que entramos no lugar, os olhos do espião não puderam mais nos seguir, e ele acabou frustrado. Pude ouvir sua maldição alta de longe quando fechei a porta atrás de mim. Assim que fechei, o Liam parou de repente e me prensou na porta.
Fiquei surpresa com esse ataque e olhei pra ele confusa. "O que..."
"Não tem ninguém aqui." Ele murmurou suavemente contra meus lábios. "Podemos fazer o que quisermos."
Tum. Tum. A segunda frase fez meu coração bater mais rápido contra o peito. Meus lábios se separaram quando a língua passou pelo lábio inferior, lambendo a área. Mas quem diria que a ponta da língua quase ia tocar os lábios do Liam? Assim que ele sentiu meu toque suave, ele agiu na hora, agarrando minha língua entre os lábios, sugando-a.
Fiquei chocada e reagi no segundo seguinte, beijando-o de volta. Depois de um longo tempo de beijos, chupões e lambidas, nos separamos e respiramos fundo.
"Vamos pro quarto." Ele disse contra meus lábios e beijou de novo antes de me pegar nos ombros.
***
Passamos três dias inteiros dentro desse prédio velho sem nenhuma intenção de sair. Lá fora, olhei pro carro logo ali na parede, com dois Homens de Preto com óculos escuros olhando fixamente pra porta principal. Seus olhos que encaravam o invisível eram tão assustadores que não pude deixar de tremer e fechar as janelas com as cortinas.
E toda vez que as cortinas fechavam, o Liam estava me espreitando, me punindo com uma alta dose de sexo em nome de me distrair das minhas "sessões de prática mágica".
Originalmente, eu tinha vindo pra esse lugar pra praticar minha magia e me controlar. Depois de praticar continuamente por 3 dias, consegui pegar o jeito. Mesmo que eu ainda ficasse descontrolada, pelo menos conseguia manter a consciência. Antes, eu ficava tão cega pela minha sede e fome de sangue que esquecia quem eu estava atacando. Mas agora, eu estava consciente o suficiente pra fugir e liberar meus poderes em um espaço vazio.
Esse foi um grande passo em direção à estabilidade. Mesmo que não pudesse remover meu problema pela raiz, eu tinha confiança de que não ia matar ninguém a partir desse momento. Não até que eu ficasse com raiva a ponto de ter intenção de matar outras pessoas.
Mas havia uma diferença entre me controlar antes do Liam saber que ele ia me reprimir e me controlar na frente de alguém que estava me irritando até a morte. Eu realmente não tinha confiança de estar consciente o suficiente pra não matar pessoas aleatórias no segundo cenário.
Na terceira noite, fiquei pensando nos meus poderes com as sobrancelhas franzidas. O Liam tinha dormido enquanto mantinha os braços em volta da minha cintura. Seu rosto estava mais perto do meu pescoço enquanto sua respiração quente ventilava minha pele, mas eu não conseguia me concentrar nisso de jeito nenhum.
Eu estava preocupada se, ao encontrar um inimigo, eu seria capaz de salvar a situação mesmo depois de entrar em fúria? Eu realmente não queria matar outra pessoa de novo e dificultar as coisas pro meu marido.
Meus dedos traçaram suas mãos frias que se apertaram em volta de mim, mas ele não acordou. Suspirando, fechei os olhos e tentei contar carneirinhos pra dormir. Mas, por mais que eu tentasse, fiquei acordada.
Tirando os braços dele de mim, levantei da cama frustrada. Qual a graça de ficar na cama quando eu estava completamente acordada? Balançando a cabeça, fui em direção à cozinha pra beber um pouco de água.
Todo o corredor estava envolto em escuridão. Um silêncio de morte me cercava, o que tornava a noite mais assustadora. Eu sabia que as pessoas lá fora ainda estavam lá, esperando a gente cruzar a fronteira do portão principal.
Eu não deveria pensar naqueles Homens de Preto! Balançando a cabeça, abri a geladeira e peguei a garrafa. Assim que meus dedos tocaram a tampa, ouvi um barulho alto de algo quebrando. Levei um susto quando a garrafa cheia de água caiu no chão. Se a tampa estivesse fora, teria derramado no chão. Mas eu não estava muito preocupada com isso. Corri em direção à janela e apertei os olhos.
Tudo estava escuro lá fora, mas a direção onde o carro estava estava coberta de luz amarelada, como se algo estivesse queimando. Franzi a testa com isso. Como eu estava no andar térreo, não conseguia ver o que estava além da parede por causa da altura das paredes. Mas eu sabia que era lá que os Homens de Preto estavam.
Por que de repente começou a queimar? Que som foi esse? Tentei lembrar que tipo de som era e de repente percebi que parecia quase uma batida.
Fiquei surpresa com isso. Sem pensar duas vezes, corri pra fora pra dar uma olhada. Mas assim que ia dar um passo pra fora da fronteira, parei e congelei depois de ver a cena na minha frente.
Na minha frente, dois homens estavam, apontando armas pra mim. Vendo as armas, uma onda de medo inundou meu coração quando arregalei os olhos. Dei um passo pra trás e tropecei, caindo no chão. Mas meus olhos ainda estavam na arma. Olhei pra arma sem piscar.