82- Limpando Corações
~ Eileen ~
Eu tava no meu quarto, a minha nóia com o Sebastian tava aumentando cada dia, ele tava passando mais tempo no trampo, sem vir pra casa. Me segurando, mas sem falar nada.
A condição dele tava me preocupando demais e eu queria fazer ele falar, mas ele se recusava até fazer o Dave pagar pelo que ele fez.
Sério, não conseguia acreditar que o Ruben tinha ido embora. Ele tava aqui ontem e agora…
Suspirando, eu tava penteando o cabelo, me arrumando pra dormir. Não fazia ideia de quando o Sebastian ia chegar e eu tava exausta.
Mas, na hora que eu larguei a escova, o Sebastian entrou num estado péssimo. Ele abriu a porta com tudo, me fazendo dar um pulo com o susto.
'Eileen…' Ele não tava bêbado, mas tinha outra coisa estampada na cara dele. Levantando da cadeira, eu virei pra ele, chegando mais perto.
"Sebas-"
Eu tava quase pra pegar na bochecha dele, mas ele pegou no meu pulso e botou o dedo na minha boca.
"Shiu. Vem."
Me levando pro nosso quarto, ele mandou eu sentar. Apertando os olhos, confusa e preocupada, eu peguei no rosto dele, enquanto ele sentava no chão de novo.
Eu odeio quando ele senta nos meus passos. Ele não pertence ali.
Abaixando os joelhos, ele ficou encarando minha cara, segurando minhas mãos desesperado, apertando elas com mais força na pele dele.
"Você é tão linda, sabe? Minha Protetora…" Murmurando, ele tava ofegante, os olhos nublados com nuvens grossas, indecifráveis que eu não conseguia entender.
"Você tá bem?" Perguntando hesitante, eu cheguei mais perto.
Os lábios dele começaram a tremer, balançando a cabeça em negação e movendo a mão devagar pra minha perna, segurando minha camisa folgada com força.
"Eileen… Você acha que eu fui um irmão ruim? Que que eu tô falando? Eu com certeza fui."
Rindo seco, ele olhou pra baixo, sem conseguir me encarar.
"Não, você não foi. Não fala isso…" Suspirando, eu fiz carinho na bochecha dele, acalmando ele, mas não adiantou. Ele se convenceu que era.
"Você ficou me falando naquele dia pra falar pra ele que eu amo ele, mas eu não falei e agora ele não tá mais aqui…" Fechando os olhos, uma lágrima rolou pela bochecha dele e depois de várias tentativas pra se manter calmo.
Ele explodiu.
"Eu não consegui abraçar ele, eu não consegui falar que eu amo ele, eu não consegui proteger ele. Eu falhei como irmão mais velho."
Começando a chorar, lágrimas começaram a rolar pela bochecha dele, dividindo o remorso mais profundo comigo. Sentindo pena, eu queria roubar a tristeza dele, o som do soluço dele, tava partindo o coração.
"Às vezes você não precisa falar, a outra pessoa entende. Como eu sei que você me ama."
Sussurrando, eu me inclinei pra beijar a cabeça dele, ajudando ele a se acalmar.
Mas ele continuou soluçando, o jeito que ele agarrou minha camisa, foi tão forte, ele se sentiu completamente miserável por ter chegado nesse ponto. Eu não consigo imaginar a dor dele.
Ele perdeu o irmão dele quando ele mais precisava.
"Ele sabe, Sebastian… Ele sabe."
Eu não queria que ele chorasse, mas eu forcei ele a parar com esse som, que a culpa ia engolir ele, então eu deixei ele liberar a angústia dele.
"Você acha que ele ia saber…?" Fungando, ele perguntou inocentemente, lágrimas brilhando na bochecha dele.
Secando elas com as minhas juntas, eu balancei a cabeça, devolvendo um sorriso, mas vendo o choro dele, fez uma lágrima cair nos meus olhos também.
"Sim. Eu acredito que ele sabe. Limpa seu coração. O Ruben te amava, Sebastian."
Sussurrando baixinho, eu fiz carinho na lateral do rosto dele.
Fechando os olhos, ele abaixou a cabeça e botou no meu colo, chorando toda a angústia, libertando o soluço que ele enterrou.
"Eu… amava ele também…"
Ele soltou uma confissão tardia. A voz dele tava quebrada, os choros ecoavam no quarto onde as palavras não ditas viraram o maior remorso dele.
"Eu amava ele… demais…"
Chorando, eu cobri a boca pra esconder a voz, seguida de uma lágrima silenciosa, sofrendo pra encontrar ele tão destruído. Eu não conseguia aguentar os soluços dele, eles estavam me assustando.
"Me desculpa, me desculpa muito, Ruben… Eu te amava, eu sempre amei e sempre vou amar…" Sussurrando, ele respirou fundo, secando os olhos pra tirar as lágrimas, forçando o nó na garganta dele.
Sem aguentar mais, eu tava quase pra ir, mas ele me segurou, me impedindo de abraçar ele.
"Não, não, não. Não vem."
Fungando, ele secou a bochecha, balançando a cabeça, não permitindo que eu ficasse perto dele.
"Deixa eu ficar onde eu pertenço."
Ele falou sem fôlego e tava quase pra deitar no meu colo de novo, mas eu desci de qualquer jeito.
Ele fez uma cara feia, mas eu peguei nas bochechas dele, forçando ele a me encarar com os olhos marejados e ver a minha dedicação também.
"E eu pertenço aqui. Do seu lado, perto de você. Você não é inferior a mim, você é o ápice do meu amor, você é muito superior, Sebastian. Para de sentar nos meus passos."
Falando bem, eu beijei a testa dele, puxando ele pro meu abraço.
Ele ficou pasmo por um segundo, mas logo derreteu no calor e soltou um soluço abafado, mas de partir o coração, agarrando meu vestido desesperadamente, como se estivesse segurando uma protetora.
Aceitando a angústia dele, eu beijei o topo da cabeça dele, fazendo carinho nas costas dele, ajudando ele a relaxar. Dando pra ele o meu abrigo pra morar.
Onde eu vivo, ele também vive afinal.
"Eu não consigo expressar o quanto eu sou grata por ter você na minha vida, Eileen. Não me deixa. Nunca me deixa. Eu vou morrer sem você."
Implorando desesperado, os dedos dele agarrando meu vestido com o desejo inocente, me fez sorrir.
"Eu nunca vou te deixar. Eu tô aqui agora e nada vai te roubar de mim."
Cantando baixinho, meus braços envolveram o corpo musculoso dele com dificuldade, beijando a testa dele enquanto limpava o líquido agonizante brilhando na bochecha dele.
"Tá tudo bem, meu amor. Descansa o peso no meu ombro agora. Você não precisa carregar isso sozinho."
Acalmando, eu continuei segurando ele até ele se acalmar.
Respirando fundo, ele se afastou devagar, os olhos um pouco inchados, destruído, mas também uma sensação de alívio brilhou nos olhos dele.
Ele limpou o coração dele.
"Eu tô péssimo." Ele falou rouco, se apoiando nos meus ombros.
"Essa sensação vai passar." Passando os dedos nas lágrimas dele, eu acalmei ele, mostrando um sorriso pequeno, mas calmante.
Abaixando a cabeça, ele encostou no meu ombro, "Fica aqui comigo."
"Eu tô aqui. Você não precisa andar sozinho. Agora, levanta. Deita na cama."
Pegando na mão dele com um aperto de ferro com a intenção de nunca mais largar, eu puxei ele do chão.
Mas, parecia que, o chão não foi o único lugar de onde eu puxei ele - parecia que eu puxei ele pra um novo caminho na vida.
A intensidade do olhar dele refletia isso, mostrou o consolo que lavou o rosto dele. Relaxando os ombros, ele seguiu minhas instruções e caiu na cama.
Eu sorri, sentando perto dele, passando a mão no cabelo dele, afundando no silêncio poderoso dos olhos bonitos dele.
Levando a mão pra baixo, eu tirei o casaco e o cinto dele. Eu tava quase pra tirar o sapato dele, mas ele hesitou, mas eu dei um sorriso fofo.
"Tá tudo bem."
Sussurrando, eu tirei os sapatos e as meias dele, joguei um pouco de água pra ele beber, baguncei o cabelo dele, permitindo que ele relaxasse.
"Eu posso encostar a cabeça no seu colo?" Ele perguntou inocentemente.
"Lógico que pode."
Rindo, eu cheguei mais perto, dando espaço pra ele encostar no meu colo. Se enrolando como uma bolinha, ele ficou espalhado e juntado no meu colo.
E eu, feliz, coletei todos os fragmentos dele pra guardar no meu coração. Eu sempre faria isso, com prazer.
"Promete que vai estar aqui pra mim pra sempre."
Pegando na minha mão, ele colocou ela no coração dele, sem tirar os olhos dos meus, evocando uma nova luz no ar depois de encontrar a redenção.
O coração dele ficou leve, finalmente.
"Eu te dou a minha promessa mais profunda de que eu vou ficar com você, mesmo quando esse mundo não ficar, Sebastian."
Prometendo, eu beijei a mão dele, trazendo um sorriso irresistível nos lábios dele, aliviado por ouvir aquilo.
"E como eu não faria?"
Devolvendo um sorriso, dando um passo novo pra frente na vida, eu me inclinei e encostei meu nariz no dele, dando risadinhas.
"Eu sou sua Fada, afinal…"
Ele riu de volta, dando um aperto firme na minha mão, fechando os olhos antes de soltar um longo hum.
"Hmmmm…"